Publicado 23/01/2021 - 16h35 - Atualizado 23/01/2021 - 16h35

Por Gustavo Mazzola

IG- Gustavo Mazzola

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IG- Gustavo Mazzola

Na minha Caixa de Mensagens, um e-mail mostrava o convite para um concerto com a famosa pianista Eudóxia de Barros. Aconteceria, às 16 horas daquele mesmo dia, na Academia Campinense de Letras, e eu não poderia perder essa oportunidade de apreciar de perto toda a sensibilidade artística da grande artista do teclado.
À hora marcada, subia suas largas escadarias, já com atenção aos acordes de piano que vinham lá de dentro, um tanto surpreso por ver o estacionamento e arredores completamente vazios. Entrei: no salão, quase ninguém, a não ser um pequeno grupo de pessoas junto à pianista lá na frente, próximo à mesa principal. Como era possível uma artista consagrada como Eudóxia merecer tão poucas atenções! Perguntei a um dos presentes por ali:
- É a Eudóxia de Barros?
Respondeu-me ele, de pronto:
- Não, não é. Essa aí é a nossa professora de piano, aqui do bairro.
De volta para casa, ao conferir a mensagem recebida, só então dei-me conta da minha distração: o concerto com Eudóxia não era na minha Academia, mas na Academia Campineira de Letras e Artes, algumas quadras acima, bem próxima da Andrade Neves.
Distrações, incidentes imprevistos que acontecem em nosso dia a dia: é como se, em algum momento, vivêssemos alheios a tudo que nos cerca, uma vida no mundo da lua. Você, como eu, também se considera vítima das tantas situações embaraçosas de que, às vezes, somos vítimas? Já lhe aconteceu por exemplo de, à direção do seu carro, indo ao supermercado, ao Banco ou à farmácia - um dos poucos lugares em que a gente ainda vai - resolver mascar um chiclete? Abre a caixinha, joga as duas pastilhas pela janela, e fica com a dita caixinha na mão?
Tais comportamentos, acredito, podem ser motivados por uma leve depressão a que estamos submetidos durante esse difícil confinamento, tudo para nos protegermos do Covid-19.
Seja essa ou não a razão, você concorda comigo que está na hora de se fazer alguma coisa para conter tantas distrações? Vamos pensar juntos:
Um bom remédio para irmos de encontro a esses verdadeiros estresses é observarmos algumas regrinhas básicas, especialmente apropriadas àqueles que dedicam várias horas do seu dia à estafante tarefa de “trabalhar”.
Comece, por exemplo, tentando não fazer tudo ao mesmo tempo na sua casa: digitar seus e-mails, acompanhar o face book e o thitter, em alguns casos, mantendo abertas uma meia dúzia de janelas ao mesmo tempo em seu computador. Nas tarefas mais importantes, cuide-se de se isolar devidamente: tranque a porta de seu escritório, desligue o celular. Se precioso, feche até o outlook. Ah, dê uma “paradinha” na sua correria de trabalho a cada 90 minutos.
Você sabia que o seu cérebro consome mais glicose do que qualquer outra parte do corpo? Depois de uma hora, uma hora e meia, seu estoque de energia estará esgotado. Assim, o ideal é dar um intervalo para recarregar.
Um outro caminho, talvez menos formal e burocrático, é descontrair um pouco, livrando-nos, assim, dessas desagradáveis situações: areja a cabeça, faz-nos sentir melhor, mais leves, prontos para enfrentar todas as nossas dificuldades. Você vai perceber a diferença.
Se precisar, caro leitor, posso ajudá-lo na sua busca: para tanto, arrisco lembrar uma pequena história - bem humorada -, contada por Rolando Boldrin no seu programa “Som Brasil” da TV Cultura, em que estão presentes os tais venenos das distrações. Se gostar, ria sem constrangimentos, descontraia-se: vamos ver se você sai de uma vez desse estresse em que se meteu.
Conta-se que Hebe Camargo tinha uma fã de primeira linha, que não perdia um só de seus programas, mas era uma “distraída de carteirinha”. Apesar do seu comportamento incontrolável, onde Hebe se apresentava, ela estava lá.
Mas, um dia, Hebe notou que a tal fã não era vista no seu lugar de costume. Perguntou por ela, e foi informada de que morrera a mãe da tal mulher. Ela estava no velório em casa, num bairro bem longe da cidade. A consagrada apresentadora largou tudo no fim do programa e bateu-se até o dito bairro.
Chegando, entrou no quarto onde era velada a falecida: a fã, ao lado, de olhos molhados de lágrimas. Mas quando viu Hebe, não se conteve:
- Hebe Camargo, você aqui? Hoje é o dia mais feliz da minha vida!
Gustavo Mazzola
é jornalista e membro da Academia Campinense de Letras
mazzola@sigmanet.com.br

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Gustavo Mazzola