Publicado 23/01/2021 - 16h02 - Atualizado 25/01/2021 - 16h07

Por Raquel Valli

O professor Alfredo Terra Neto, orientador educacional do Curso Pr?-Vestibular Oficina do Estudante

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O professor Alfredo Terra Neto, orientador educacional do Curso Pr?-Vestibular Oficina do Estudante

Desde muito pequena, eu sempre quis medicina. Não foi algo que começou com a pandemia, mas, certamente, este cenário - por conta da Covid-19 - deixou muito mais em evidência o trabalho maravilhoso de todos os profissionais de Saúde; e isso me deu muito mais vontade de ajudar a população de qualquer maneira, dando o apoio que for necessário". A consideração é da vestibulanda Júlia Franzolin Stoco, 20 anos, que prestará o Exame do Ensino Médio (Enem) neste domingo.
Esta será a segunda prova da primeira fase da edição 2020 do exame. Mas, apesar do ano atípico, o segundo dia não deve ter mudanças significativas em relação ao conteúdo, explica o professor Alfredo Terra Neto, orientador educacional do Curso Pré-Vestibular Oficina do Estudante. "O Enem utiliza um banco de questões, que foi montado previamente com muita antecedência, e tal situação impede que ocorram grandes novidades", adianta.
De acordo com o professor da Oficina do Estudante, o exame utiliza um algoritmo conhecido como Teoria de Resposta ao Item (TRI), que é usado para dar nota às questões. O intuito é selecionar os estudantes que realmente saibam a matéria exigida e que não tenham apelado para respondê-la com 'chute'.
O sistema, segundo o professor, funciona da seguinte forma: cada uma das 180 perguntas é caracterizada como sendo fácil, médio ou difícil. E, pelo padrão de erros e acertos do candidato, esse algoritmo é capaz de identificar se o aluno realmente a acertou ou se a escolheu a esmo.
Assim, a nota final não depende exclusivamente da quantidade de questões acertadas, mas sim do nível de dificuldade das perguntas que o estudante conseguiu acertar, dentro de um padrão específico.
"Por usar a TRI, o exame busca a coerência pedagógica entre as questões conforme o seu nível de dificuldade. Por essa lógica, o erro de perguntas fáceis e os acerto das consideradas difíceis são vistos matematicamente como incoerentes", demonstra Terra Neto.
"Para evitar uma grande variação, o aluno precisa acertar questões fáceis, pois a TRI identifica como chute o erro de duas questões fáceis e o acerto de uma difícil, o que gera um grande impacto na nota", acrescenta.
Terra Neto adianta que a nota de Matemática, por exemplo, é a que pode apresentar maior variação. Para se ter uma ideia, varia 177 pontos para o mesmo número de acertos, considerando-se uma média das edições de 2009 a 2019.
Ciências da Natureza
Neste segundo dia de provas, o aluno fará muitos cálculos, em função dos conteúdos de matemática, física e química.
"É muito importante controlar bem o tempo, pois são questões que exigem cálculo e tendem a ser mais demoradas; sendo assim, nenhuma questão deve ser tomada como desafio", ensina o especialista.
Dica
Ainda de acordo com Terra Neto, o segredo para ir bem é fazer "a prova inteira", respondendo as questões mais fáceis primeiro. Em seguida, e se houver tempo disponível, deve-se resolver as mais difíceis.
Dessa forma, não existem mudanças significativas em função da pandemia - exceto a necessidade dos candidatos seguirem os protocolos de segurança, obrigatoriamente usando máscara, mantendo o distanciamento social - que apresentou falhas no primeiro dia - e utilizando álcool gel.
Em relação às disciplinas, a candidata Júlia espera muita interpretação de gráfico, de tabelas de imagens. "Acredito que o Enem vai continuar mantendo o padrão das últimas edições".

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Raquel Valli