Publicado 21/01/2021 - 12h16 - Atualizado 21/01/2021 - 12h16

Por Raquel Valli/ Correio Popular

A pr?-reitora de Gradua??o da Unicamp Eliana Amaral toma vacina contra a Covid-19: STU alega privil?gio

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A pr?-reitora de Gradua??o da Unicamp Eliana Amaral toma vacina contra a Covid-19: STU alega privil?gio

O Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp (STU) está questionado os critérios de vacinação contra Covid-19 adotados pela universidade, alegando discriminação. A Unicamp nega a acusação. A vacinação chegou a ser temporariamente suspensa ontem, mas foi restabelecida.
O estopim para o imbróglio foi o fato de a pró-reitora de Graduação, Eliana Amaral, ter sido vacinada, enquanto profissionais tidos pelo sindicato como prioritários, como enfermeiros que atuam na linha de frente no combate à doença, ainda estarem esperando pelo imunizante, cujas doses não são suficientes para todos.
"Há discriminação porque os médicos e os docentes que atuam na área de saúde, independente da área, e independente da frente, estão sendo vacinados. A pró-reitora Eliana Amaral, por exemplo, dá plantão no Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher - Hospital Prof. Dr. J. A. Pinotti, o Caism. Mas ela não é da linha de frente da Covid, e foi vacinada. Esse é um critério injusto porque os funcionários da enfermagem, principalmente os do grupo de risco, estão muito mais vulneráveis", afirmou o diretor do STU, João Raimundo Mendonça de Souza.
Ontem, o STU encaminhou um documento para a reitoria protestando contra os procedimentos adotados pela universidade. Além disso, a entidade alega irregularidades nos protocolos, que teriam deixado os trabalhadores da saúde vulneráveis. O sindicato solicitou, desde o começo da pandemia, que os trabalhadores do grupo de risco fossem afastados. Entretanto, eles permaneceram trabalhando. A Unicamp apenas retirou esse grupo do atendimento dos casos de coronavírus.
"Todo mundo sabe que o vírus circula livremente entre os pacientes, e nós tivemos áreas que, mesmo não sendo específicas de Covid, sofreram um alto nível de infecção, como a ortopedia e a pediatria. Por isso, nossa reivindicação é que esses trabalhadores, mesmo não estando na linha de frente, sejam vacinados. Queremos que a prioridade, em seguida, seja do grupo de risco, mesmo porque o número de vacinas não vai ser suficiente para todos", pondera Souza.
O outro lado
A Unicamp nega as acusações. A universidade afirma que a pró-reitora foi vacinada porque todos os plantonistas em exercício das atividades foram imunizados, e ela é um deles. "Inclusive, depois da vacinação [ocorrida na segunda-feira), ela deu plantão à noite toda", afirmou o médico, o médico Luís Otávio Z. Sarian, superintendente do Caism. "Por isso, a vacinação [da pró-reitora] está totalmente dentro dos critérios. O errado seria não colocá-la dentro do grupo prioritário", acrescentou.
Quanto ao questionamento de enfermeiros ainda não terem recebido o imunizante, o superintendente alegou que, por ora, não é possível vacinar 100% dos profissionais de saúde devido à quantidade reduzida de doses. Ainda de acordo com o médico, "a vacinação é um processo, e todos os grupos serão atendidos, dentro dos critérios estabelecidos".
Em nova nota, a Unicamp declarou que "o número de vacinas disponíveis neste momento é insuficiente, por isso a definição de prioridades é a única solução. Há grande ansiedade de todos, mas é fundamental o despojamento da individualidade pelo bem coletivo, o reconhecimento daqueles que trabalharam diuturnamente atendendo pacientes com Covid-19".
A direção de cada um dos três órgãos da Unicamp onde está havendo vacinação [Hospital de Clínicas, Centro de Saúde da Comunidade e Caism] é quem define quem será imunizado primeiro. "Estamos certos do empenho de todos, entretanto, qualquer irregularidade será alvo de apuração de responsabilidades por sindicância interna", finaliza a nota. A Unicamp recebeu da Secretaria Estadual da Saúde 4 mil doses da vacina, que possibilitarão, neste momento, a imunização de 2 mil profissionais.
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