Publicado 14/01/2021 - 07h48 - Atualizado 14/01/2021 - 07h49

Por Daniel de Camargo

Quantidade de endividados atualmente representa 48% dos habitantes da RMC, segundo indica o estudo

Wagner Souza/AAN

Quantidade de endividados atualmente representa 48% dos habitantes da RMC, segundo indica o estudo

Em meio à crise econômica causada pela pandemia da Covid-19, a dívida da população residente na Região Metropolitana de Campinas (RMC) cresceu R$ 35 milhões em 2020. Segundo levantamento feito pela Associação Comercial e Industrial de Campinas (Acic) com base em dados da Boa Vista SCPC, a inadimplência saltou de R$ 381 milhões em 2019, para R$ 416 milhões no ano passado, assinalando aumento de 9,23%. O número de registros não pagos (carnês, boletos ou faturas de cartão de crédito) subiu 1,94%, pulando de 544.648 para 555.214, ou seja, 10.566 a mais.
Segundo o estudo, 1.578.343 moradores da RMC terminaram o último ano com algum compromisso financeiro em atraso. Na comparação com 2019, que registrava ao seu fim 1.520.562 inadimplentes, o número subiu 3,8%. Ou seja, 57.781 pessoas a mais. A quantidade de endividados atualmente representa 48% da população da RMC, estimada em 3.304.300 habitantes. Em 2019, o percentual era de 46,6%, para uma população de 3.264.915 habitantes. No caso, 1,21% ou 39.385 pessoas menor.
Economista e diretor da Acic, Laerte Martins chama a atenção que o percentual de população inadimplente na RMC é menor, na comparação com o do Brasil. Na semana passada, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) informou que a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) de dezembro de 2020 apontou que 66,3% dos consumidores estão endividados. Para ele, isso é fruto de uma postura mais precavida dos moradores da RMC, que, em meio ao receio do desemprego e outros impactos negativos da crise, priorizaram as compras à vista, em detrimento de aquisições a prazo. Além disso, ressaltou que a dívida ativa de muitos não aumentou no ano passado, porque o Governo Federal e alguns órgãos responsáveis pelo setor adotaram medidas emergenciais.
No que diz respeito à população residente em Campinas, sede da RMC, a dívida aumentou cerca de R$ 15 milhões, entre 2019 e 2020, indo de R$ 160 milhões para aproximadamente R$ 175 milhões - expansão de 9,25%. Foram 233.190 carnês/boletos não pagos em 2020 contra 228.730, em 2019, o que resulta num total de 4.460 a mais de contas não pagas no comparativo entre os dois últimos anos. Ou seja, o nível da inadimplência elevou-se em 1,95%.
Quanto aos endividados, eles somaram 662.904 pessoas em 2020, contra 638.636 em 2019, representando uma expansão de 3,80%. No ano passado, correspondem à 54,61% da população e 53,04% no ano retrasado. O cálculo considera que a metrópole tem, hoje, 1.218.800 habitantes, população 0,81% maior que os 1.204.073 moradores estimados para 2019.
Comércio
A pandemia da Covid-19 fez o comércio da Região Metropolitana de Campinas (RMC) perder cerca de R$ 5 bilhões de faturamento em 2020, se comparado ao resultado de 2019. Segundo a Acic, as vendas do ano passado totalizaram R$ 31,884 bilhões, ante R$ 36,933 bilhões de 2019 - retração de 13,67%. Só em Campinas, as perdas somam em torno de R$ 2 bilhões, com as vendas recuando de R$ 15,577 bilhões para R$ 13,501 bilhões – queda de 13,33%.
Em dezembro, mês em que é celebrado o Natal, a melhor data para o comércio no ano, a RMC perdeu R$ 389 milhões em faturamento, em relação ao mesmo período de 2019. O montante caiu de R$ 6,384 bilhões para R$ 5,995 bilhões - retração de 6,10%. Em Campinas, as vendas somaram R$2,577 bilhões. O resultado foi 5,32% inferior que os R$ 2,722 bilhões contabilizados em dezembro do ano retrasado. Ou seja, perdeu-se R$ 145 milhões de faturamento no período. “Para 2021, espera-se que, com o advento das vacinas, possamos reverter os efeitos maléficos da Covid-19 e tenhamos um ano mais promissor”, comenta Martins.

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Daniel de Camargo