Publicado 10/01/2021 - 10h10 - Atualizado // - h

Por Daniel de Camargo

Para a bola rolar numa boa: exército de aparadores robotizados transforma o gramado do Brinco de Ouro da Princesa num tapetão verde

Leandro Ferreira/AAN

Para a bola rolar numa boa: exército de aparadores robotizados transforma o gramado do Brinco de Ouro da Princesa num tapetão verde

As pessoas, seja no ambiente familiar ou de trabalho, estão se adaptando e convivendo cada vez melhor com recursos de inteligência artificial, entre eles equipamentos autônomos e robôs, muitas vezes sem perceber, até porque eles dificilmente se parecem com os androides retratados em desenhos animados ou filmes de Holywood. A afirmação é do coordenador do Grupo Inteligência Artificial do Instituto de Estudos Avançados (IdEA) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Marcelo Soares.
Ele destaca que recursos de inteligência artificial são geralmente aplicados com a finalidade de redução de custos. Entre as vantagens que podem ser obtidas, está a possibilidade de realizar tarefas repetitivas de maneiras mais rápida.
“A inteligência artificial em si não é uma coisa só, mas tudo que cabe nela se baseia no reconhecimento de padrões em massas de dados e tomada de decisões probabilísticas a partir deles. Eu prefiro pensar em recursos específicos: reconhecimento de voz ou de imagens, tradução, definição de menores caminhos, etc.”, explica.
Soares afirma que quem comprou um celular novo nos últimos três anos já teve contato com recursos de inteligência artificial sem notar.
“Todos os motoristas de transporte por aplicativo passam o dia inteiro usando inteligência artificial, seja para terem passageiros encaminhados para si, seja para definir o caminho mais rápido”, exemplifica também.
Comentou ainda que, em 2020, chegaram ao Brasil assistentes virtuais, como a Alexa, da Amazon, que, em sua opinião, auxiliam principalmente crianças e idosos, por terem maior dificuldade em usar o teclado.
No mundo corporativo, aponta o crescimento significativo da utilização de chats eletrônicos, que eliminam a necessidade de um atendente, reduzindo assim as despesas das empresas com mão de obra.

O que esperar
Sobre o que esperar para os próximos anos, considera que o mais interessante é a ampliação na oferta de formação de profissionais aptos a trabalhar no desenvolvimento e aprimoramento da inteligência artificial.
“Nos últimos três anos, antes da pandemia, estávamos na era do ‘hype’ quase absoluto na área de formação. Era difícil separar o que era sério do que era apenas marquetagem. ‘Gurus’ abundavam para dizer o que a inteligência artificial seria e faria, sem qualquer parâmetro de comparação. Nos centros sérios, porém, o desenvolvimento da área continuou. Existe muita pesquisa boa sendo feita, inclusive no Brasil, e surgiram cursos muito bem planejados em universidades de referência”, disse.
Acrescenta que algumas cidades no País já implementaram recursos interessantes também, como câmeras de reconhecimento facial para vigilância pública — uma tendência.
Em meio a pandemia iniciada no ano passado, analisa que o distanciamento social acelerou alguns processos que já vinham acontecendo.
O uso da telemedicina, por exemplo, avançou muito no período, em sua opinião.
Apesar dos benefícios da expansão tecnológica que se tem observado, enfatiza que a grande questão a se preocupar está relacionada à desigualdade.
“Pode parecer paradoxal, mas uma tendência bastante forte é que o atendimento mediado por telas vire ‘coisa de pobre’ e o atendimento humano se transforme em luxo. Já existem ao redor do mundo exemplos de escolas para crianças de classes econômicas mais baixas onde as provas são corrigidas por algoritmos e não necessariamente por professores”, contextualizou.
Completa que, a adoção indiscriminada do ensino à distância (EaD) pode levar a soluções assim, o que talvez seja um problema. Nos Estados Unidos, pontua, há vários lugares onde a assistência a idosos pobres, com lembretes de remédio e alertas aos socorristas em caso de quedas, é feita por tablets. ”O cuidado por enfermeiras humanas, claro, acabará ficando para os idosos ricos”, vislumbra.
Tecnologia serve até para testes da Covid
Ainda em Campinas, em maio de 2020, o governo do Estado de São Paulo, por meio do Instituto Butantan, enviou à Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) 3,8 mil testes completos para a detecção da Covid-19. Junto, foi encaminhado um robô otimizar o processo de extração de amostras. Na ocasião, o coordenador da Frente de Diagnósticos da força-tarefa da universidade, professor Alessandro Farias, informou que o equipamento retirava 32 unidades por hora.
Equipamentos AM550 atuam no Guarani
O gramado do Estádio Brinco de Ouro da Princesa, do Guarani Futebol Clube, é cortado desde o fim do ano passado, por três equipamentos autônomos, chamados de Automower AM550. Os aparelhos trabalham 24 horas por dia na poda da grama, dando a ela o aspecto e altura perfeitos para a prática do futebol.
A utilização dessa alta tecnologia foi informada pelo clube, em nota, em 19 de dezembro de 2020, quando a agremiação divulgou a parceria com a empresa de origem sueca Husqvarna, fundada em 1689, com sede, no Brasil, em São Carlos.
Trata-se de um dos grupos industriais mais antigos do mundo, fabricante e desenvolvedor de equipamentos de força para florestamento, manutenção de parques e jardins e equipamentos de corte e ferramentas diamantadas para industrias de construção e pedras. Além do gramado, a manutenção de todas as áreas verdes do Guarani está a cargo de produtos da Husqvarna.
Na ocasião, o clube especificou, na nota, que um dos focos da atual gestão é preparar a agremiação para o futuro. “Estruturação de departamentos, modernização de equipamentos, capacitação de profissionais, são alguns dos rumos que seguiremos até o final do nosso período à frente da entidade”, dizia parte do texto. <CF462>(DC/AAN)</IR></CS></CW

Escrito por:

Daniel de Camargo