Publicado 14/01/2021 - 14h50 - Atualizado 14/01/2021 - 14h50

Por AFP


Cerca de 300 hondurenhos partiram nesta quinta-feira (14) para os Estados Unidos, antecipando uma grande caravana de migrantes convocada para sexta-feira (16), em busca de melhores condições de vida e com a esperança de que o próximo presidente, Joe Biden, os receba.

Os hondurenhos se reuniram na quarta-feira à noite em San Pedro Sula, 180 quilômetros ao norte de Tegucigalpa.

Embora tenham tentado sair naquela hora, a polícia bloqueou suas tentativas devido ao toque de recolher estabelecido no país das 21h às 5h para restringir as viagens devido à pandemia de covid-19.

Com a primeira luz do dia, os integrantes da caravana iniciaram a caminhada nesta quinta-feira em direção à fronteira com a Guatemala através do desfiladeiro de Corinto, a cerca de 100 km do terminal de transportes.

Eles devem passar pela Guatemala e pelo México. Alguns grupos portavam a bandeira hondurenha e a maioria estava usando máscaras, exigidas como medida preventiva.

De acordo com a chamada que viralizou nas redes sociais, cerca de 3.000 pessoas devem se encontrar na quinta à noite no terminal de ônibus de San Pedro Sula.

De lá planejam partir na madrugada de sexta-feira, seja por Corinto ou Agua Caliente, o outro ponto de fronteira com a Guatemala, o que significa uma jornada de 260 km.

Os migrantes justificam o êxodo pela pobreza extrema e a falta de emprego, a violência de gangues e traficantes de drogas em seu país e a crise deixada pela passagem de dois furacões em novembro.

Eles também esperam que Biden, que assumirá a presidência dos Estados Unidos em 20 de janeiro, seja mais flexível com as regras de imigração do que seu antecessor Donald Trump, possibilidade que já foi rejeitada por Washington.

"Não desperdicem seu tempo e dinheiro e não arrisquem sua segurança e saúde", recomendou o comissário em exercício da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos (CBP), Mark A. Morgan, em um comunicado. É uma jornada "mortal", frisou.

Mais de uma dúzia de caravanas deixaram Honduras desde outubro de 2018, mas colidiram com o muro e o envio de milhares de guardas de fronteira e militares ordenados pelo presidente Trump na fronteira sul com o México.

Guatemala, México e Honduras firmaram um acordo conhecido como "terceiro país seguro" com o governo Trump, no qual concordam em colaborar com os Estados Unidos para impedir os fluxos migratórios do sul do continente.

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