Publicado 13/01/2021 - 18h10 - Atualizado 13/01/2021 - 18h10

Por AFP


Donald Trump é um "perigo claro e presente": a presidente democrata da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, pediu nesta quarta-feira (13) a destituição do presidente dos Estados Unidos, que estava a um passo de um histórico segundo impeachment a apenas um semana do fim de seu governo.

Com Washington sob tensão sete dias após o ataque ao Capitólio, Trump pediu calma. "Insisto para que NÃO haja violência, NÃO sejam cometidos delitos e NÃO haja vandalismo de nenhum tipo. Isso não é o que eu defendo, nem tampouco o que os Estados Unidos defendem", afirmou em um comunicado emitido pela Casa Branca.

Pouco antes, Pelosi acusou Trump de ter incitado uma "rebelião armada". "O presidente dos Estados Unidos incitou esta insurreição, esta rebelião armada", declarou a líder democrata antes da votação da acusação formal pelo ataque ao Capitólio que deixou cinco mortos e chocou o mundo.

"Deve partir. É um perigo claro e presente para a nação que todos amamos", disse ela em um Congresso entrincheirado.

"Seu objetivo sempre foi atacar o presidente, não importa por quê. É uma obsessão", respondeu o legislador republicano Jim Jordan, um dos mais leais a Trump.

Faltando sete dias para a posse do democrata Joe Biden, Washington, sob um forte esquema de segurança, estava irreconhecível.

As imagens eram impactantes: dezenas de militares da reserva passaram a noite dentro do Congresso. Muitos dormiam no chão das salas e corredores.

Blocos de concreto separavam os cruzamentos principais do centro da cidade; enormes barreiras de metal cercavam prédios federais, incluindo a Casa Branca, e a Guarda Nacional estava por todos os lados.

Os debates na Câmara dos Representantes começaram às 9h locais (11h de Brasília). A votação do impeachment foi marcada para às 15h locais (17h de Brasília).

Seu resultado, que não deixa dúvidas já que os democratas controlam a Câmara, marcará a abertura formal do processo de impeachment contra o 45º presidente, que se tornará o primeiro na história do país a ser julgado duas vezes no Congresso.

As intervenções dos congressistas foram enérgicas. Trump é um "tirano", lançou a democrata Ilhan Omar. "Não podemos virar a página sem fazer nada", disse ela.

A republicana Nancy Mace afirmou que o Congresso deveria exigir que o presidente fosse responsabilizado por suas ações, mas considerou irresponsável agir de "forma precipitada".

Havia nuances nos discursos dos republicanos. O líder desse bloco na Câmara, Kevin McCarthy, reconheceu que Trump tem "responsabilidade" pelos distúrbios, mas considera um erro submetê-lo a um impeachment em um curto espaço de tempo. Em vez disso, propôs uma declaração de "censura", que na prática tem um efeito basicamente simbólico.

Cada vez mais isolado, o tempestuoso presidente tentou na terça-feira minimizar o procedimento contra ele, descrevendo-o como uma "continuação da maior caça às bruxas da história política".

Poucos dias antes de sua partida para sua residência em Mar-a-Lago, Flórida, onde sua nova vida como "ex-presidente" deve começar, o magnata republicano parece cada vez mais desconectado do que está acontecendo na capital americana.

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