Publicado 27/12/2020 - 11h09 - Atualizado 27/12/2020 - 11h09

Por Da Agência Anhanguera

Fotografias do artista indígena retratam a dança, a pintura corporal e a luta de seu povo, os Xakriabá

Edgar Kanayrõ/Reprodução

Fotografias do artista indígena retratam a dança, a pintura corporal e a luta de seu povo, os Xakriabá

A Pinacoteca de São Paulo, museu da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado, realiza, pela primeira vez, uma exposição dedicada à produção indígena contemporânea, com curadoria da pesquisadora indígena Naine Terena. Véxoa: Nós sabemos contará com a participação de 23 artistas/coletivos de diferentes regiões do país, apresentando pinturas, esculturas, objetos, vídeos, fotografias, instalações, além de uma série de ativações realizadas por diversos grupos indígenas. Os trabalhos podem ser vistos pelo público até 11 de abril de 2021. A mostra é um marco da representatividade dentro da Pina: "A Pinacoteca de São Paulo se dedica às artes visuais brasileiras desde sua fundação, em 1905, mas somente em 2019 incorporou ao seu acervo obras de arte brasileira produzidas por artistas indígenas. Esta exposição é fruto de um diálogo ativo durante os últimos anos entre o museu e diversos atores da arte contemporânea de origem indígena brasileira, colocando em debate a história da arte que o museu pretende contar e as que permaneceram invisíveis", afirma o diretor-geral do museu, Jochen Volz. A exposição tem o patrocínio do Itaú.
No ano passado, por meio do Programa de Patronos de Arte Contemporânea da Pinacoteca de São Paulo, foram adquiridas obras feitas por artistas indígenas, fato inédito na história do museu: Feitiço para salvar a Raposa Serra do Sol, de Jaider Esbell, e Voyeurs, Menu, Luto, Vitrine; O antropólogo moderno já nasceu antigo; e Enfim, Civilização, de Denilson Baniwa, são alguns dos trabalhos que fazem parte da exposição do acervo da instituição.
Véxoa: Nós sabemos ocupa as três novas salas para exposições temporárias, localizadas no segundo andar da Pina Luz, em diálogo com a nova apresentação das coleções do museu. A doutora em educação (PUC/SP), mestre em artes (UNB) e ativista Naine Terena se dedica a uma pesquisa de longa data que tem se aprofundado no último um ano e meio. "A grande intenção é fazer uma mostra que não tenha uma centralização no pensamento do curador ou da instituição, mas que considere profundamente o local de fala dos artistas, os anseios", comenta .
Os trabalhos selecionados, obras históricas e contemporâneas de artistas individuais e também de coletivos, demonstram a pluralidade da produção de artistas indígenas. São pinturas, instalações, esculturas, objetos, vídeos e fotografias que desmistificam a produção artística indígena à condição de artefato ou artesanato.
Em Véxoa, a organização expositiva dos trabalhos não é cronológica, pois leva em consideração as diferentes temporalidades da produção artística indígena, que se transforma no tempo e não é efêmera ou pontual. "Por isso as obras ocupam espaços dialógicos independente da sua estrutura, localidade de origem, artista ou outra classificação, como a etnográfica", explica Naine.
A exposição reverencia a importância de figuras históricas, trazendo trabalhos inéditos de artistas já conhecidos e ainda abre espaços para novos, demonstrando também a forte atuação do cinema e da fotografia indígenas, além de amplificar iniciativas de comunicação existentes, como a Radio Yandê.
O artista plástico Jaider Esbell, indígena da etnia Macuxi, traz os diálogos interativos na obra coletiva Árvore de todos os saberes, um painel de lona de 2 metros que, desde 2013, vem sendo realizado por povos indígenas do Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Peru, Estados Unidos, México. Além desta produção, ele apresenta mais quatro vídeos que discutem temas como o neoxamanismo; a mercantilização dos saberes dos povos originários; denuncia os ataques aos seus parentes indígenas Makuxi e demonstra a inserção de uma nova geração de indígenas no universo das tecnologias digitais para registrar as memórias e suas experiências nos dias de hoje.
O ativismo feminino estará presente por meio da produção de Yakunã Tuxá, da etnia Tuxá na Bahia, que propõe uma reflexão sobre os desafios das mulheres, em especial as indígenas. As ilustrações abordam as suas ancestrais, a força, a beleza e os preconceitos vividos pela mulher indígena nas grandes cidades.
Em muitos dos trabalhos, será nítida a relação entre arte e ativismo indígena, aspecto inerente às práticas desses artistas. É o caso das fotografias em preto e branco do artista Edgar Kanayrõ que retratam a dança, a pintura corporal e a luta do seu povo, os Xakriabá, pela demarcação e revisão dos limites de terra no município de Itacarambí, em Minas Gerais.
AGENDE-SE
O quê: Véxoa: Nós Sabemos
Quando: até 11/4/2021, de 4ª a 2ª, das 12h às 20h
Onde: Pinacoteca do Estado (Praça da Luz, 2, Luz, São Paulo)
Quanto: Entrada franca. ( Ingressos no site http://www.pinacoteca.org.br. O ingresso é válido para visitar as exposições Véxoa: Nós Sabemos e Acervo. Ele não é válido para visitar as salas expositivas da exposição OSGEMEOS: Segredos, que tem ingresso exclusivo e que também deve ser adquirido/reservado no site.

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