Publicado 05/12/2020 - 10h42 - Atualizado 05/12/2020 - 10h42

Por Da Agência Anhanguera e Henrique Hein

As aglomerações são facilitadoras para a transmissão do coronavírus e devem ser evitadas pela população

Leandro Ferreira/AAN

As aglomerações são facilitadoras para a transmissão do coronavírus e devem ser evitadas pela população

O secretário de Saúde Carmino de Souza fez ontem um alerta para o que seria uma tendência de aumento nos casos de contaminação pelo novo coronavírus entre os jovens. Segundo ele, a secretaria tem observado uma grande concentração de casos nesta faixa da população.
"As mortes ainda prevalecem entre os idosos, mas os casos confirmados hoje de Covid, em sua grande maioria, estão na faixa dos 19/20 anos até 40/50 anos, no máximo", acrescentou.
Para o secretário, a atividade social do jovem pode ser um complicador. "As casas noturnas são um ambiente de supertransmissão. As pessoas se cuidam menos, não usam máscara", lembrou
"Fazemos um apelo para que os jovens se cuidem, para que não levem o vírus para casa. A transmissão domiciliar passou a ser a preferencial, muito mais que o transporte coletivo ou outro qualquer", acrescentou
Médica infectologista do Departamento de Vigilância em Saúde de Campinas (Devisa), Valéria Almeida afirma que uma análise da série histórica mostra que a proporção dos casos positivos entre os jovens é maior agora, se comparado com o início da pandemia, por exemplo.
A participação de jovens entre os contaminados a partir da semana epidemiológica 42 (final de outubro) é quase o dobro do verificado na semana 20 (10 de maio), por exemplo. Mas isso, diz ela, pode ser resultado de um aumento no número de testes realizados. "Antes se fazia o teste apenas nos casos mais graves", pondera.
A infectologista admite que pode estar havendo maior circulação do vírus entre essa população, mas recomenda cuidados a toda a população. Segundo ela, os especialistas trabalham com três pilares da prevenção. "As pessoas devem evitar espaços fechados, lugares cheios e contatos muito próximos", ensina.
"É preciso cuidado com reuniões em espaços fechados, mesmo com poucas pessoas, pois muitas vezes, por serem poucos, as pessoas deixam as máscaras de lado", diz.
Ela lembra ainda que o cuidado deve ser redobrado em lugares onde as pessoas precisam tirar a máscara para comer, ou onde precisam falar muito alto. "Quanto mais alto você fala, as gotículas (de saliva) alcançam espaços cada vez maiores", lembra.
Município confirma 355 contaminações em 24 horas
Com 355 novas confirmações nas últimas 24 horas, Campinas chegou ontem a um total de 44.528 casos de contaminação pelo novo coronavírus. Os técnicos da saúde ainda investigam outros 440 casos suspeitos de contágio. Segundo dados divulgados pelo prefeito Jonas Donizette (PSB), a cidade registrou mais três mortes e, assim, o número de óbitos pela pandemia chegou a 1.393. Outras 11 mortes suspeitas ainda estão sendo investigadas.
Dos casos confirmados, 42.424 pessoas já se recuperaram. Esse é um dado otimista, já que representa 205 pessoas a mais, na comparação com o último boletim, divulgado na quinta-feira. A cidade conta hoje com 155 pessoas internadas com Covid-19. Outras 553 estão em isolamento domiciliar - são 149 a mais na comparação com o boletim anterior.
O número de casos descartados na cidade chegou ontem a 109.521 - o que representa 1.992 a mais na comparação com o boletim de quinta. Segundo o secretário de Saúde, Carmino de Souza, o número de pessoas testadas tem crescido e, por isso, haverá cada vez mais casos negativos.
"Testamos os que estão doentes, os pacientes graves e todos os sintomáticos respiratórios. Essa semana começamos a testar também todos os contactantes. É um aumento importante", disse ele.
Das três vítimas fatais - duas mulheres e um homem - duas apresentavam comorbidades. Duas delas tinham mais de 60 anos. A terceira vítima fatal não tinha doenças pré-existentes. Trata-se de um homem de 35 anos, que morreu no dia 2 de dezembro.
Procura por testes dispara nas clínicas
A propagação do coronavírus no Estado gerou em Campinas uma corrida por testes para a doença em laboratórios particulares. De acordo com um levantamento divulgado pelo laboratório Ramos Medicina Diagnóstica, o aumento da procura da população pela testagem começou na segunda quinzena de novembro.
De outubro para novembro, a procura mais que dobrou em Campinas e o crescimento de confirmações para a doença passou de 16% para 26%. Segundo o balanço do laboratório, novembro foi o mês de maior procura pelos testes, com 5.097 procedimentos realizados. Em maio, quando começou a pandemia, foram 635 testes rápidos contabilizados. Em junho, a quantidade subiu para 2.923, enquanto em julho foi para 3.143. Nos meses seguintes, houve registro de quedas na procura pelos testes: 2.699 em agosto, 2.344 em setembro, e 2.498 em outubro.
Segundo Sergio de Souza Coelho, diretor do Grupo Ramos, uma característica que tem chamado atenção é a quantidade de jovens que estão sendo submetidos à testagem. De acordo com ele, a maior procura tem sido de pessoas entre os 20 e 40 anos. "De outubro para novembro houve, em média, um aumento de 240% no número de exames para faixa etária de 20 a 40 anos. Também em relação a outubro, é nítido um aumento de 30% nos testes feitos em mulheres e de mais de 220% no percentual de jovens entre zero e 18 anos, provavelmente causado pela abertura das escolas", destacou.
Ainda na avaliação de Coelho, o que se percebe também é uma nítida mudança de comportamento da população a partir de novembro: uma espécie de "autoisolamento", especialmente por pessoas que tiveram contato com casos positivos ou que estão com sintomas e querem saber se contraíram ou não o vírus, para então promover um isolamento mais rígido e evitar o contágio com o vírus.
A regressão à fase amarela acontece no momento em que o Estado chega a mais de 42 mil vidas perdidas e 1,24 milhão de casos confirmados.

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Da Agência Anhanguera e Henrique Hein