Publicado 27/12/2020 - 11h53 - Atualizado 27/12/2020 - 11h53

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É uma quase à toa pensar no Menino Cristinho em tempos de pandemia. Não há reza para resolver o assunto. Não há santo para proteger. E não sou gente de tomar em vão o Santo Nome. E assim respeito as catedrais ou a menor capela. E assim respeito a fé de toda e qualquer pessoa. E assim me aquieto.
Vociferar e sair gritando por aí é uma coisa que vale a pena fazer quando se sente na garganta uma gana de raiva contra a sacanagem que rola pelos corredores políticos, pelos escritórios empresariais, pelos portões das fábricas fechados, por tudo o que sabemos que não funciona no País, entre as vírgulas e os pontos do poder, pois de nada adianta lidar com isso com o cartão eleitoral, um pedaço de papel carimbado e numerado com a nossa idiotice nada democrática, pois bom mesmo seria ter o direito de não poder votar em qualquer metido a ser o senhor da lei, e muito menos das vogais, que isso é coisa para músicos que põem notas em cada lugar do que escuta, e quantos analfabetos musicais carregam os ventres da terra que, aliás, com suas canções de campo, arados, enxadas, ajudaram os grandes professores musicais a construírem suas obras, pois nunca arraram a terra, nem cultivaram e sequer semearam e colheram seus frutos, e assim fica fácil demais tocar a vida pra frente, sem olhar quem está cuidando da semeadura, da colheita, dos grãos que compramos a granel nos mercados municipais, pesados e bem pesados em balanças e guardados em sacos de papel, e tudo bem pago, na hora, sendo que o vendeiro escuta a música que gosta e por ela nada paga um tostão, nem pela palavra do poeta que gosta de recitar em seus encontros sociais, e tudo se torna um absurdo cultural e de grande dano aos futuros poetas e músicos do planeta, e não importa de que lugar, pois os poetas, assim como os músicos, são feitos para mundo, para todos os homens de qualquer lugar, com ou sem caneta ou enxada na mão, visto que são todos irmãos da terra, de um rua, de um bairro, de uma cidade, de uma praça, senhor de si mesmo quando caminha pelas calçadas de pedras portuguesas, de preferência ouvindo uma canção de Amâncio Prada, andando quase dançando e cantando com as notas da emboscada da vida, atrás de si mesmo, ou da vida que vai ter que encarar quando chegar em casa e conversar com a companheira sobre a falta de dinheiro ou carinho, ou tudo misturado, e se misturar ao pó de sua roupa rota e sem sentido, sem vontade de tomar banho, pois não há mais vontade amor e muito menos de amor próprio, e isso se juntando ao sapato velho e ao calor que lhe faz quedar diante de si, queimando suas costas, o paletó velho que apenas é o único companheiro que lhe dá um abraço sincero de vida, e o resto é um banho morno de água aquecida nos canos e nada mais lhe resta, ou, pelo menos, a lambida da cadela velha em suas mãos entorpecidas por falta de ferramentas e serventia, assim como são os pássaros velhos sem canto, as flores que aos pouco adormecem nos vasos e caem por si, como as nuvens pesadas que passam anunciando uma chuva que nunca trarão, apenas passando como os ventos preguiçosos, ou como os vagabundos das praças que carregam suas roupas encardidas para ser lavadas pela chuva que não vem, e assim fazem orações que não entendemos, ou que eles mesmos não entendem, apenas seguindo suas penitências de calçadas e marquises, e tampouco se preocupam com isso
Nem os eleitores e os não eleitores do presidente em exercício têm culpa de nada. Fizeram apenas o que manda a Constituição: eleger um candidato para governar o País com todas as garantias inerentes de seu cargo. Ninguém tem culpa de o cidadão presidente não entender suas responsabilidades políticas e gerenciais. Sou apenas responsável pelas minhas atitudes de cidadão e devo entender as responsabilidades dos demais eleitores, contra ou a favor. Mas isso não me impede de externar minha opinião sobre um incompetente gestor presidencial. E é o que temos, infelizmente. Apenas isso.
Bom dia.

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