Publicado 10/12/2020 - 09h23 - Atualizado 10/12/2020 - 09h23

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Estamos chegando ao fim de um ano inesquecível; a tristeza, o luto, o medo, a apreensão e o isolamento estiveram presentes em nosso dia a dia. O distanciamento de entes queridos, abraços, beijos ou um simples aperto de mão, simples acontecimentos corriqueiros no passado, mas de valor inestimável no presente.
Para nós, médicos, foi um ano terrível, estamos vivendo a 3ª Guerra Mundial, contra um inimigo invisível a olho nu, pequeno, mas terrível, devastador, destruidor, matador, estamos lutando com armas primitivas, simples e esperando pelo armamento pesado: as vacinas.
Somos indagados diariamente pela balconista da padaria, pelo zelador do prédio, pelo frentista do posto de gasolina, pelos nossos amigos, pacientes e parentes com uma pergunta que não temos resposta: "Doutor, ano que vem vai melhorar? "
Não sei a resposta certa, mas sempre temos a esperança.
Ontem, um pequeno paciente me inspirou a escrever esta coluna, entrou em minha sala do consultório e viu ,em cima da mesa de apoio, a árvore de Natal que monto todo ano, iluminada, piscando e na base um pequeno presépio; olhando admirado, ele com a pureza de seus seis anos de idade comentou: "minha mãe não vai montar a árvore este ano, disse que ela está sem vontade de comemorar o Natal".
Olhei para a mãe, e ela com uma face triste comentou: "doutor, perdi meu pai com Covid este ano, meu marido perdeu o emprego, eu estou em casa trabalhando de home office, as crianças sem irem à escola, tudo muito triste doutor, estou sem ânimo para -essas coisas de Natal! ".
Contei uma pequena história: até antes de se comemorar o nascimento de Jesus pela cristandade, celebrava-se a festa no Novo Sol, logo após a noite mais longa do ano.
Desde então, ela simbolizava a esperança de um novo amanhecer, depois de uma longa noite de escuridão. Celebrava-se a proteção divina, que não deixava faltar a vida às suas criaturas. Celebrava-se a esperança de um novo alvorecer. Tudo isso era simbolizado com grande alegria em um ritual de festa e luz.
Com o cristianismo, a festa encheu-se ainda mais de força e significado. Ganhou abrangência com a adição das tradições nórdicas, marcadas por símbolos como guirlandas, árvores de natal, meias e sacos de presentes e pela figura mítica do Papai Noel que, mais do que uma simples figura comercial, consegue trazer ao público infantil o sentido da esperança, da realização de sonhos e da partilha.
O nascimento de Jesus Cristo, celebrado nestes dias, representa a possibilidade de um novo nascimento interior. Renascer pelo perdão verdadeiro e profundo, renascer por um novo olhar fraterno a todos, sem distinção, renascer para uma maior participação familiar, renascer para a compaixão com os mais sofredores, renascer para uma busca de maior crescimento pessoal e humano, renascer para valores profundos de paz, harmonia e amor, renascer de esperança por tempos melhores.
Natal é época de renascimento, é época de reacender o fogo da vida, de renovar os sonhos e metas para o ano novo que já se anuncia.
Esta é a época da virada, é tempo de olhar para frente com determinação e otimismo, levando conosco todas as lições que aprendemos, e que tenhamos fé e esperança que sejam resolvidas todas as pendências ainda existentes.
O significado simbólico da árvore de Natal é talvez melhor associado ao nascimento e ressurreição de Cristo, seja qual for a sua crença, uma constante sobre o significado simbólico da árvore de Natal se destaca: esta é uma árvore digna da celebração da vida, e neste ano temos pelo menos uma coisa a se comemorar:
Estamos vivos! Somos sobreviventes desta 3ª Guerra Mundial.

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