Publicado 05/12/2020 - 09h53 - Atualizado // - h

Por


Os ecos da Revolução Sexual da metade do século passado seguem reverberando pelo mundo. A sexualidade, que se restringia ao quarto de dormir dos pais, como dizia Foucault, saía dos lares, escapava do controle moralista e da obrigação reprodutiva.
Das muitas transformações implicadas, especialmente sobre a sexualidade feminina, os anos 1980 foram chamados de ‘Década do Orgasmo’.
Criou-se um panorama de que todos teriam necessidade e direito de alcançar o clímax sexual. Isso se sustenta até hoje, com as exceções dos que se exigem castidade e dos que se consideram assexuados.
O casal Masters e Johnson inovaram os estudos sexuais com o livro de 1966: ‘A Resposta Sexual Humana’, mostrando de modo didático e diagramático a sequência da intimidade erótica, com as fases da relação sexual: desejo, excitação, orgasmo e resolução.
O gráfico clássico é útil à medida que a pessoa se reconheça nos quatro tempos: seguir o desejo, excitar-se progressivamente, curtir um platô de manutenção até chegar ao orgasmo e relaxar, na resolução.
Com a plurissexualidade de hoje, variações inusitadas e diversificadas ocorrem. Vemos desde pomossexuais (não aceitam ser colocados em gráficos ou tipos) até os mais clássicos e conservadores, os cissexuais.
A grande maioria das pessoas tem orientação predominantemente heterossexual, bem como pretende vivenciar um sexo de intensos e prazerosos orgasmos.
Na minoria, há exemplos curiosos:
1) moça lésbica curtia transar com a namorada, mas só conseguia gozar se imaginasse um homem penetrando-a;
2) marido passava semanas sem atração pela esposa, mas, se outro homem elogiasse a beleza da sua mulher, transava com ela várias vezes ao dia.
Voltando à maioria: é decisivo evitar aspectos extremados e prejudiciais, pois o sexo melhora à medida que seja espontâneo e sem estresse.
O orgasmo não pode ser idealizado, imaginado como o prazer arrebatador, insuperável e definitivo. A pessoa pode ter intensos orgasmos em dias úteis e fracos nos feriados...
Não é necessária a preocupação em atender à sequência de Masters e Johnson. Os pares podem esticar a excitação e adiar o orgasmo, como fazem alguns asiáticos, especialmente os de inspiração tântrica.
Depois do clímax, a resolução equivale ao repouso reparador, um tempo refratário ao sexo.
Muitos homens negam-se o intervalo, exigindo-se rapidamente um bis sexual, o que atrapalha o primeiro gozo e pode impedir o segundo. Vem uma ejaculação antecipada, involuntária, popularmente conhecida como precoce e, depois, uma disfunção erétil...
As mulheres ouvem das congêneres que se excitam com facilidade, que curtem orgasmos múltiplos. É uma comparação descabida, pois apenas um mínimo (cerca de 15%) experimenta essa curtição.
A maioria feminina pode e deve aproveitar sua excitação e clímax sem pretensões múltiplas, mesmo porque um dos comandos eróticos mais importantes para a mulher é seu envolvimento afetivo com a parceria.

Escrito por: