Publicado 23/12/2020 - 08h51 - Atualizado 23/12/2020 - 08h51

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A Palestina no período pré-advento estava sofrendo a "pandemia romana", que assolava a quase totalidade do mundo então conhecido. Ela enviava seus vírus fardados a toda parte e estes, com o poder das armas, asfixiavam o povo, tirando-lhes o oxigênio via pesados tributos, arrancados, muitas vezes, à força e com a morte do infectado.
Todo o corpo da nação de Israel estava contaminado e havia quem, no subterrâneo, buscava destruir os vírus-soldados, criando até exércitos pequenos (zelotes).
Neste contexto de pandemia, com a sufocação de toda a nação, sem nenhuma UTI para recuperação, havia quem, de outro lado, se aliava ao vírus, numa atitude de negacionismo e desconsideração com as muitas mortes que estava provocando. Coletores, religiosos/políticos, elite egoísta, formavam a corte negacionista e desdenhavam as notícias que vinham das ruas e dos povos distantes. Perguntados, respondiam: "E daí? Que os mortos enterrem seus mortos; não somos coveiros".
Havia, no fundo da alma dos sofridos, uma esperança: "vai acabar, isto passa, Deus vai levantar uma vacina para nós."
Sem convocar a mídia, sem estardalhaço, na privacidade de uma virgem, o anúncio foi feito: você vai ficar grávida da vacina que salvará a este povo e todos os outros". O anúncio não se enquadrou nos protocolos e não passaria nos testes de confrontação das fake News. A virgem e o noivo alegavam que tinha sido um anjo, que só eles viram. Talvez, por isto mesmo, os dois guardaram estas coisas nos seus corações.
Mais tarde, contra recomendações para gravidezes, o casal foi visitar uns parentes: Isabel e Zacarias. O que os visitantes não sabiam era que o casal que visitavam também haviam recebido uma notícia por meios não usuais: Izabel seria a mãe de quem anunciaria publicamente a vacina salvadora. A coisa andava tão polarizada que Izabel, depois de ter dado à luz, escondeu o bebê por cinco meses. Era o medo da execração nas redes sociais das fofocas.
Quando Izabel viu Maria, ela sentiu o rebento no ventre se mover e exclamou: "Bendita és tu entre as mulheres, e bendito é o fruto do teu ventre!". Sabe-se que, mais tarde, o ditador de plantão, preocupado com as repercussões políticas que a vacina que vinha da periferia poderia trazer de estrago político, pediu à agência reguladora que matasse a vacina. A decisão não deu certo e ela, depois de 30 anos, apareceu dando sinais de eficácia e segurança, curando a muitos e prometendo o Reino sem pandemias.
O plano de vacinação não passaria pelos critérios científicos e nem mesmo pela ansiedade do povo querendo a vacina. Tentaram aclamá-lo como Rei e até fizeram uma jumentada, forrando o chão com palmas. O processo vacinal foi outro: lento, face-a-face, na base da persuasão, pelo arrependimento e nova vida e comportamentos. Quando menos esperavam, a vacina estava nos palácios e na sede do império, até ser reconhecida como a vacina oficial do Império.
Até hoje ela não foi promulgada como obrigatória por nenhum Supremo Tribunal, ainda que haja quem, como soldado vacinal, use do terrorismo do inferno para quem não se vacinar. Outros, aproveitando da vacina, extorquem o povo via ofertas, dízimo, contribuições para a construção do templo ou manutenção do programa de televisão.
A celebração do nascimento desta vida que traz salvação à pandemia do pecado, em um contexto de mortes mil (provavelmente 190.000 quando você estiver lendo esta coluna), é sinal de esperança e vida que há mais de dois mil anos se repete. Que venha a vida e ela em sua plenitude!

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