Publicado 22/12/2020 - 08h22 - Atualizado 22/12/2020 - 08h23

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Recentemente o Papa Francisco publicou uma Carta Apostólica “Patris corde – Com coração de Pai”. São preciosos conselhos para serem seguidos nesses tempos difíceis em que vivemos.
Agora que se aproxima o final de 2.020, muitos se lançam numa expectativa – meio de bricadeira, meio a sério – de aguardar que esse ano terrível chegue ao seu fim o quanto antes. Mais ainda, afanam-se em apagar da memória esse tempo que tão duros sofrimentos trouxe à humanidade.
Nesse ambiene pessimista, penso que foi especialmente feliz a decisão do Santo Padre de trazer à meditação o exemplo de vida deste Santo Patriarca.
2020 foi um ano repleto de incertezas. Vimos – muitos de maneira dolorosa – que não temos o controle da nossa vida. Diante desse cenário, o Papa nos propõe a José como modelo que sabe superar as adversidades com uma “coragem criativa”:
“Frequentemente, ao ler os «Evangelhos da Infância», apetece-nos perguntar por que motivo Deus não interveio de forma direta e clara. Porque Deus intervém por meio de acontecimentos e pessoas: José é o homem por meio de quem Deus cuida dos primórdios da história da redenção; é o verdadeiro «milagre», pelo qual Deus salva o Menino e sua mãe. O Céu intervém, confiando na coragem criativa deste homem que, tendo chegado a Belém e não encontrando alojamento onde Maria possa dar à luz, arranja um estábulo e prepara-o de modo a tornar-se o lugar mais acolhedor possível para o Filho de Deus, que vem ao mundo (cf. Lc 2, 6-7). Face ao perigo iminente de Herodes, que quer matar o Menino, de novo em sonhos José é alertado para O defender e, no coração da noite, organiza a fuga para o Egito (cf. Mt 2, 13-14). Numa leitura superficial destas narrações, a impressão que se tem é a de que o mundo está à mercê dos fortes e poderosos, mas a «boa notícia» do Evangelho consiste precisamente em mostrar como, não obstante a arrogância e a violência dos dominadores terrenos, Deus encontra sempre a forma de realizar o seu plano de salvação. Às vezes também a nossa vida parece à mercê dos poderes fortes, mas o Evangelho diz-nos que Deus consegue sempre salvar aquilo que conta, desde que usemos a mesma coragem criativa do carpinteiro de Nazaré, o qual sabe transformar um problema numa oportunidade, antepondo sempre a sua confiança na Providência”.
A fragilidade da nossa existência, que ficou tão evidente nesses tempos, não é um convite à moleza, uma espécie de “atirar a toalha”. Bem ao contrário, chama-nos a sermos fortes, ainda que saibamos que a nossa fortaleza nos é emprestada para seguirmos a missão que nos é confiada.
O Papa Francisco também nos apresente São José como modelo de esposo e pai para o nosso tempo: “e hoje, neste mundo onde é patente a violência psicológica, verbal e física contra a mulher, José apresenta-se como figura de homem respeitoso, delicado que, mesmo não dispondo de todas as informações, se decide pela honra, dignidade e vida de Maria. E, na sua dúvida sobre o melhor a fazer, Deus ajudou-o a escolher iluminando o seu discernimento”.
É muito reconfortante preparar e viver o Natal com os olhos postos no Presépio. Cada personagem que ali contemplamos nos proporcionam muitas lições. Neste ano, fazendo eco dos ensinamentos do Santo Padre, podemos nos inspirar nas virtudes de José, que soube aproveitar todas as adversidades para viver o amor que se põe a serviço do cumprimento da sua missão.
Fábio Henrique Prado de Toledo, moderador em cursos de orientação familiar do Instituto Brasileiro da Família e especialista em Matrimônio e Educação Familiar pela Universitat Internacional de Catalunya, é Juiz de Direito em Campinas. Site: http://www.familiaeeducação.com.br. E-mail: fabiohptoledo@gmail.com

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