Publicado 03 de Dezembro de 2020 - 7h36

Por Daniel de Camargo

Alumínio, aço e ferro estão entre os produtos em falta no mercado brasileiro, o que prejudica a recuperação

Leandro Ferreira/AAN

Alumínio, aço e ferro estão entre os produtos em falta no mercado brasileiro, o que prejudica a recuperação

A alta nos preços e a escassez de matéria-prima, componentes ou peças, aliadas ao aumento nos custos de energia, água e transporte, podem prejudicar a recuperação das indústrias da região de Campinas, que registraram crescimento na produção e faturamento entre setembro e novembro. Em coletiva de imprensa virtual realizada ontem, para divulgação dos dados do último levantamento de 2020 do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) de Campinas, o vice-diretor da entidade, José Henrique Toledo Corrêa, disse que algumas empresas foram obrigadas a escalonar a produção e há casos em que a disponibilidade de entrega é somente a partir de abril de 2021.

De acordo com Corrêa, alguns empresários do setor optaram por importar determinados insumos para driblar essa dificuldade. Contudo, esse processo leva certo tempo. Outros têm negociado matérias-primas entre si, às vezes, com participação de associações de classe. Porém, destacou que existe o risco de que alguns segmentos deixem de entregar seus produtos, ainda mais porque há demanda de pedidos. "Vendi 100 automóveis. Mas, só tenho matéria-prima para produzir 80: alguém vai ficar sem receber 20", exemplificou.

Num contexto histórico, analisa que o problema é uma herança negativa do governo de Dilma Rousseff, que administrou o Brasil entre janeiro de 2011 e agosto de 2016. No período, enfatiza, a economia viveu dias terríveis, com queda brutal da atividade produtiva. Explica que a falta de perspectivas levou grandes produtores de matéria-prima, como indústrias de aço e celulose, a não investirem em modernização ou expansão. Deste modo, não se capacitaram para conseguir atender uma possível demanda reprimida, como a que ocorre atualmente devido à pandemia da Covid-19 e fortalecimento de políticas liberais.

Corrêa informou que faltam, entre outros, alumínio, aço, ferro, embalagens de papelão e resina. Completou que a expectativa é que os problemas com a entrega de matérias-primas se resolvam no início do próximo ano. Segundo o último levantamento do Ciesp-Campinas, que considerou os meses de outubro e novembro, 76,19% das 494 empresas associadas, ou seja, 376, já assinalaram aumento nos preços de matéria-prima, componentes ou peças. A alta nos valores está diretamente ligada à falta dos insumos. Os dados apontam ainda que 61,9% (305) dos empresários indicaram crescimento no custo de energia, água e transporte. Os dois primeiros foram classificados por Corrêa como os mais importantes insumos para muitas indústrias.

Positivo

O estudo também apresentou números positivos do setor. No que diz respeito ao faturamento, 42,86% (211) dos associados informaram que ele permaneceu estável em outubro e novembro, se comparado a setembro. Para 47,62% (235), as vendas melhoraram.

Em relação ao emprego, 57,14% (282) não demitiram funcionários, enquanto 33,33% (164) responderam que criaram postos de trabalho. Corrêa analisa os dados como um indicativo de que o mercado está comprando e vendendo, o que é bom, porque faz a economia girar.

Sobre o nível de endividamento, 19,05% (94) conseguiram reduzir graças ao desempenho positivo no faturamento e 61,9% (305) mantiveram o volume estável.

Esse cenário é fundamental para que as indústrias honrem seus compromissos financeiros e mantenham a operação. Corrêa destacou ainda que 38,1% (188) já estão utilizando entre 80,1% e 100% da sua capacidade instalada de produção. Para 2021, a perspectiva segue positiva, com 71,43% (352) planejando novas contratações e 61,9% (305) prevendo aumento no volume de negócios.

Comércio Exterior recua na região

A corrente do Comércio Exterior das indústrias da região de Campinas foi 15,3% menor entre janeiro e outubro deste ano, na comparação com o mesmo período de 2019. De acordo com dados do Ciesp-Campinas, o montante caiu de US$ 1.2210 trilhão para US$ 1.0345 trilhão. O déficit da balança comercial encolheu 7,3%, indo US$ 6,589 bilhões para US$ 6,111 bilhões. As exportações tiveram retração de 24,7%: de US$ 2,810 bilhões para US$ 2,117 bilhões. Já as importações recuaram 12,5%, baixando de US$ 9,399 bilhões para US$ 8,228 bilhões. Diretor de Comércio Exterior, Anselmo Riso pontua que as indústrias da região não comercializam commodities (produtos que funcionam como matéria-prima), e sim tecnologia, e que dois importantes segmentos, o automobilístico e eletroeletrônico, foram muito afetados pela pandemia.

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Daniel de Camargo