Publicado 16/11/2020 - 11h45 - Atualizado // - h

Por Daniela Nucci e Kátia Camargo

Giovanna Elisa Alves: usa máscara para correr na rua, mas tem saudade de subir no pódio das competições

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Giovanna Elisa Alves: usa máscara para correr na rua, mas tem saudade de subir no pódio das competições

A prática de atividades físicas foi uma das rotinas mais afetadas durante o isolamento social, imposto pela quarentena desde março em todo o País, em razão da pandemia do novo coronavírus. Com o fechamento de academias, clubes e parques, muitas pessoas deixaram de fazer exercícios físicos, enquanto outras passaram a se exercitar dentro de casa. E ainda há aqueles que optaram por movimentar o corpo na rua mesmo, em caminhadas, corridas e até em bicicletas, e mantêm o novo hábito mesmo após a flexibilização do isolamento com a reabertura dos locais antes frequentados.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) editou um documento sobre como se manter ativo durante a crise sanitária, no qual recomendou passeios a pé ou de bicicleta, mas sem desrespeitar o distanciamento físico, para evitar a propagação do vírus.
Acostumado a reunir o grupo no entorno da Lagoa do Taquaral, o treinador de corrida Rodrigo Xavier lembra que logo no começo da pandemia todos os eventos foram suspensos e as aulas e treinos em grupos deixaram de ocorrer. “Passamos por uma fase difícil onde só estávamos conseguindo fazer atendimentos on-line. Também disponibilizamos treinos funcionais gratuitos para que alunos e não alunos pudessem se movimentar em casa, porque acreditamos que a atividade física seria algo essencial, tanto para ajudar a manter a saúde física quanto a mental”, conta.
Há poucos dias, o grupo de corrida de Rodrigo fez seu primeiro encontro presencial na Lagoa do Taquaral. Mas, antes do retorno, consultaram as regras, entraram em contato com a Prefeitura e montaram um termo de orientação para que todos os participantes pudessem voltar a correr em segurança. “Distanciamento social, uso de máscara, uso de pochete para que o aluno leve o mínimo de coisas para o treino. Se possível até a água deve ficar no carro, pois, nesse momento, não temos mais o tradicional guarda-volumes de apoio, justamente para evitar qualquer risco”, conta Rodrigo.
Maratona na esteira
O casal Magda e Eduardo Pietri é praticante de corrida há seis anos. Com a pandemia, eles passaram a fazer os treinos na esteira de casa. Recentemente voltaram a participar de algumas corridas com horários individuais agendados e em locais bem afastados de possíveis aglomerações, como em Sousas, Joaquim Egídio. “Sentimos falta da corrida em grupo que é sempre muito motivadora. Voltamos a encontrar alguns amigos em locais abertos, mas não corremos juntos, respeitamos o distanciamento social”, conta Magda.
Eduardo já participou de maratonas em São Paulo e Florianópolis, fez uma ultramaratona e uma maratona na esteira que ocorreu no meio da pandemia. “Participaríamos de uma maratona que ia ocorrer em Porto Alegre que foi cancelada. Também tínhamos programado várias corridas de rua em diferentes cidades e locais. Continuamos treinando de um jeito diferente, mas gostamos muito da prática da corrida em grupo e todos os benefícios que ela traz. Acredito que o exercício ao ar livre vai ganhar cada vez mais força na pós-pandemia” destaca Eduardo.
Maratona no quintal e dentro de casa
O engenheiro elétrico Ricardo Marchi, que desde garoto praticou atletismo e nunca abandonou a paixão pela corrida, também se reinventou na quarentena. “Na pandemia fiz três maratonas dentro de casa, em volta da piscina, passando pela sala, cozinha, com interferência dos gatos e cachorros que moram em casa. Depois de alguns meses em casa passei a correr numa estrada deserta. Nesse ano eu já completei, até agora, 15 maratonas e quase todas foram corridas virtuais. Algumas delas eram provas que eu já estava inscrito até no Exterior. Cancelaram os eventos físicos, mas mandaram os kits para que o corredor pudesse fazer isso em segurança, no local mais apropriado. O lado bom de fazer a maratona em casa é que a família vai providenciando um lanche, um café, incentiva enquanto estou correndo. Até o final do ano passado eu havia completado 30 maratonas e com as 15 desse ano estou chegando num total de 45 maratonas. Nesse período eu consegui até aumentar meu ritmo de provas, claro, tive que ressignificar a maneira de ver o esporte, mas sem deixar de valorizar a importância dele na nossa vida”, destaca.
Corrida com hora marcada
A farmacêutica bioquímica Cristiane Agostinho, 40 anos, conta que no começo foi difícil manter a corrida por conta do estresse que a pandemia trouxe e aumento de responsabilidade da demanda do trabalho. “No meu trabalho eu sou linha de frente pois faço os testes da Covid-19. Correr me ajuda a manter o equilíbrio, saúde e sanidade física e mental. Foi então que os vizinhos foram muito generosos e me incentivavam a continuar correndo pois sabem o quanto essa prática é importante para mim. Eles chegaram a propor que caso eu quisesse correr eles evitariam sair de casa. Nesse tempo tive também que aprender a correr de máscara, e isso não é muito fácil. No começo eu corria em volta da casa, depois limpei o terreno baldio com a enxada e passei a correr nesse terreno. Foram muitos desafios, mas descobri muita força e generosidade das pessoas nesse período. Passei a participar de corridas individuais em fazendas e estradas de terra. Essas foram oportunidades revigorantes, pois eram corridas com horário agendado e ninguém encontrava com ninguém no percurso”, conta a farmacêutica.
Paixão pela corrida
Giovanna Elisa Alves, 18 anos, se encantou pela corrida aos 15 anos. “Atualmente corro menos do que eu gostaria por conta da rotina. Mas sinto falta das competições, especialmente de subir no pódio. Sou grata à minha mãe, meu exemplo, por ter me incentivado desde muito cedo a praticar atividade física. Sou muito mais feliz. A corrida só traz ganhos. Treinei na pandemia isoladamente e agora arrisco treinar na rua, sempre usando mascaras e respeitando todas as regras”, conta a jovem.
Bikes também estão em alta
As bicicletas voltaram com força ao cenário urbano e viraram companheiras para atividades físicas ao ar livre ao longo dos últimos meses. “Comecei a pedalar durante a pandemia, em julho de 2020. Senti a necessidade de mudar e ter hábitos mais saudáveis. Fui incentivado por alguns amigos a pedalar junto com eles. Foi daí que tudo começou e hoje já perdi 12 quilos e, consequentemente, aumentou minha autoestima”, diz o motorista carreteiro Tiago Souza dos Santos, de 33 anos, ao lado do grupo de amigos, que pedala aos finais de semana. O grupo foi criado de forma espontânea pelos colegas que já pedalavam nas horas vagas, e incentivaram os que ainda não tinham o costume de pedalar. “Ter um pouco de lazer nesse momento tão difícil que estamos passando, que é a pandemia, é muito importante”, diz Tiago, que indica a prática para todos que estão em busca de exercícios ao ar livre. “Acho que foi um ótimo incentivo, pois além de estar com meus amigos, ainda nos ajuda a ter uma vida mais saudável”, comenta.
Antes de Campinas chegar na fase verde, com as academias fechadas por conta da quarentena as pessoas queriam uma forma de se exercitar, individualmente ou em família. Tiago e os amigos de bike já praticavam jiu jitsu antes do novo coronavírus e isso só serviu como incentivo para iniciar um esporte e ter um estilo de vida. “Um exercício físico é uma forma de lazer e espero que esse movimento continue não só como lazer, mais também como meio de transporte, para que possamos também diminuir o número de carros na rua”, completa Tiago.
O metalúrgico João Paulo Melo, 40 anos, pedala pelo menos três vezes durante a semana depois do dia de trabalho. Aos domingos, procura pedalar com o filho Gael,3 anos, que acaba de ganhar uma bicicleta, o irmão, os sobrinhos, amigos. “Tive que me acostumar a usar máscara, não é confortável, mas acabei me adaptando. Sempre gostei de andar de bicicleta por ser um exercício ao ar livre e me traz a sensação de liberdade, que te possibilita olhar a paisagem, as pessoas que cruzam seu caminho. Na pandemia, a bicicleta ganhou ainda mais sentido para mim, pois me possibilitou praticar esporte com mais segurança. Já faz uns 20 anos que pedalo e para mim é um esporte apaixonante”, conta.

Escrito por:

Daniela Nucci e Kátia Camargo