Publicado 15/11/2020 - 09h00 - Atualizado 14/11/2020 - 14h33

Por Eduardo Martins/Especial para a Metrópole

O Novembro Azul busca a conscientização sobre o câncer de próstata

Pixabay

O Novembro Azul busca a conscientização sobre o câncer de próstata

Conhecido como o mês de conscientização sobre a saúde do homem, o Novembro Azul tem como principal objetivo a prevenção ao câncer de próstata, o segundo mais comum entre os homens, atrás apenas do câncer de pele não-melanoma. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), a previsão é de 65.840 novos casos em 2020 no Brasil, porém cerca de 90% desses casos têm cura quando o diagnóstico é feito de forma precoce.
“O Novembro Azul foi feito para valorizar a saúde masculina. É uma das formas de dar um lembrete aos homens que existe o mês da saúde masculina, principalmente na prevenção ao câncer de próstata”, destaca o urologista José Moisés Terrazas.
O câncer de próstata pode ser silencioso, não apresentar nenhum sintoma, mas também pode dar sinais através de dores e dificuldades no momento de urinar, ardência e sangramento na urina ou no espermatozoide. Algumas outras doenças urológicas também apresentam características parecidas e sempre é necessário a procura por um especialista.
A prevenção da doença exige exames laboratoriais de imagem, associados com o exame de toque retal, mesmo sem a apresentação de sintomas. A recomendação é que, a partir de 40 anos, quem tem antecedente de câncer de próstata na família já realize os exames. A partir dos 45 anos, todos os homens precisam ser examinados e, entre negros, o câncer de próstata costuma ser um pouco mais agressivo e a prevenção não pode ser deixada de lado.
“Se for descoberto no início, a chance de cura do câncer de próstata é totalmente esperada com mínimos efeitos colaterais e sequelas. O grande segredo é a detecção precoce para melhorar a qualidade de vida e também salvar a vida da pessoa”, pontua Terrazas.
Tratamento
O tratamento depende da idade do paciente a da gravidade do câncer. Se descoberto na fase inicial, pode ser feito através de cirurgia robótica, sendo menos agressivo, com baixo risco de incontinência urinária e impotência sexual. Além dessa possibilidade, a radioterapia e a quimioterapia são outras alternativas para o tratamento em casos mais avançados.
“No início, há cerca de 25 anos, a incontinência urinária e impotência sexual eram quase certezas. Com o passar do tempo, da experiência, as técnicas foram aperfeiçoadas e hoje é muito difícil acontecerem esses problemas”, enfatiza o especialista.
Preconceito com o exame
O exame de toque retal, fundamental no diagnóstico precoce do câncer de próstata, por muito tempo gerou medo e preconceito em alguns homens de variadas idades. Atualmente esse receio ainda existe, mas o exame começou a fazer parte da rotina de um maior número de homens.
“Cada vez menos pessoas estão com esse preconceito. Quem ainda tem o preconceito, é a geração mais antiga e as gerações mais novas são mais conscientes. Então, de maneira geral, existe essa maior procura dos homens mais novos pelo exame, em comparação com o que acontecia antigamente”, finaliza Terrazas.
O que é a próstata?
A próstata é uma glândula que só o homem possui e que se localiza na parte baixa do abdômen. Ela é um órgão pequeno, tem a forma de maçã e se situa logo abaixo da bexiga e à frente do reto (parte final do intestino grosso). A próstata envolve a porção inicial da uretra, tubo pelo qual a urina armazenada na bexiga é eliminada. A próstata produz parte do sêmen, líquido espesso que contém os espermatozoides, liberado durante o ato sexual.
Mais do que qualquer outro tipo, o câncer de próstata é considerado um câncer da terceira idade, já que cerca de 75% dos casos no mundo ocorrem a partir dos 65 anos. O aumento observado nas taxas de incidência no Brasil pode ser parcialmente justificado pela evolução dos métodos diagnósticos (exames), pela melhoria na qualidade dos sistemas de informação do país e pelo aumento na expectativa de vida.
Alguns desses tumores podem crescer de forma rápida, espalhando-se para outros órgãos e podendo levar à morte. A maioria, porém, cresce de forma tão lenta (leva cerca de 15 anos para atingir 1 cm³) que não chega a dar sinais durante a vida e nem a ameaçar a saúde do homem.

Escrito por:

Eduardo Martins/Especial para a Metrópole