Publicado 15/11/2020 - 14h39 - Atualizado 15/11/2020 - 14h40

Por TV Press

Ator e cantor Babu Santana integra elenco, que tem 22 depoimentos de pessoas que lutaram contra o racismo e a favor da Justiça e liberdade

Divulgação/Rede Globo

Ator e cantor Babu Santana integra elenco, que tem 22 depoimentos de pessoas que lutaram contra o racismo e a favor da Justiça e liberdade

Autora de Amor de Mãe, Manuela Dias poderia muito bem usar a quarentena e a “pausa forçada” nos trabalhos da novela para, simplesmente, descansar. As tragédias dos noticiários, entretanto, mantiveram sua mente fervilhando. Além da crescente no número de casos e mortes provocadas pelo coronavírus, três fatalidades não saíam de sua cabeça. No dia 18 de maio, os tiros que atingiram o adolescente João Pedro, de 14 anos, durante uma operação policial em São Gonçalo, Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Na semana seguinte, o sufocamento de George Floyd, cometido pelo policial Derek Chauvin, na cidade americana de Minneapolis.
E, por fim, no início de junho, o caso do garoto Miguel, de apenas cinco anos, que caiu do 9º andar de um prédio de Luxo, em Recife, capital de Pernambuco, quando estava sob os cuidados da patroa de sua mãe. “Foram três semanas de episódios tristes e simbólicos, que evidenciam de forma quase caricatural a chaga histórica que é o racismo. Isso tudo me mobilizou e propus à Globo que a gente fizesse algo sobre grandes personalidades negras. O objetivo é valorizar essas histórias e levar o público a refletir sobre um tema tão urgente”, explica Manuela, orgulhosa com o projeto que resultou no especial “Falas Negras”, que será exibido na próxima sexta, 20 de novembro, dia da Consciência Negra.
Inspirado em dois filmes premiados que mostram depoimentos reais dramatizados, caso dos longas “Human”, do cineasta Yann Arthus-Bertrand, e “Jogo de Cena”, do saudoso Eduardo Coutinho, a ideia de “Falas Negras” já rondava a cabeça de Manuela há algum tempo, mas ela via mais sentido em fazer esse lançamento nos cinemas. Após a extensa pesquisa feita por Thaís Fragozo sobre diversos depoimentos históricos, a autora +se reuniu com a consultora Aline Maia para selecionar e organizar o roteiro da produção. Temendo que o projeto fosse desacreditado por ser idealizado por uma pessoa branca, a Globo tratou de dar “estofo” ao material chamando o ator e diretor Lázaro Ramos para o comando da empreitada. “Quando li o material todo, fiquei parado por um tempo pensando em como lidaria com tanta riqueza. O mais impressionante é que tudo aconteceu de verdade, não tem ficção no especial. É o que a nossa História produziu. Então, senti como um convite para refletir sobre como a gente enxerga esses fatos. O meu desejo é que as pessoas se sintam motivadas a agir nesta luta, que é de todos”, valoriza Lázaro, que contou com a ajuda da assistente de direção Mayara Pacífico.
Com 22 depoimentos de pessoas que lutaram contra o racismo e a favor da justiça e da liberdade, essas falas históricas são interpretadas por um time selecionado de atores, todas em primeira pessoa. Na lista, relatos coloniais de Nzinga Mbandi, que datam de 1626, ensinamentos pacifistas de Martin Luther King Jr., a veemência do discurso de valorização do povo negro propagado por Malcolm X e Angela Davis, as dores de Mirtes Souza, mãe do menino Miguel, e Neilton Matos Pinto, pai do jovem João Pedro, além da força de Marielle Franco, personagens vividos por Heloisa Jorge, Guilherme Silva, Naruna Costa, Tatiana Tibúrcio, Silvio Guindane e Taís Araújo, respectivamente. “A data de exibição do especial é perfeita. Serve para lembrar que ainda há muitas conquistas a serem feitas e que todas as já realizadas não serão cedidas”, defende Taís, que no especial vive a vereadora Marielle Franco, executada em março de 2018, um caso que até hoje não foi resolvido. “Acho que todos os brasileiros mereciam conhecê-la mais. Ela tinha tanto a dizer e fazer”, exalta a atriz.
Antes do início das gravações, durante dez dias, o elenco passou por um processo de preparação que incluiu ensaios, leituras e aulas sobre as personalidades retratadas. Nos Estúdios Globo, a equipe de cenografia comandada por Mauro Vicente Ferreira levantou uma árvore baobá, de proporções reais - sendo 5 metros de altura e a copa com 6 metros de diâmetro - para abrir o especial. Ao longo do programa, os demais cenários contam com fundo cenográfico de texturas, que funcionam como pano de fundo das histórias.
SAIBA MAIS
'Falas Negras'
Onde: Rede Globo
Quando: 20 de novembro
Horário: 22h30

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