Publicado 07/11/2020 - 12h54 - Atualizado // - h

Por Estadão Conteúdo

Apaixonado por samba, Lan se especializou em retratar as mulatas

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Apaixonado por samba, Lan se especializou em retratar as mulatas

Lanfranco Aldo Ricardo Vaselli Cortelline Rossi, ou apenas Lan, como era conhecido, nasceu em Arezzo, na Toscana, em 1925, e atuou como jornalista gráfico na França, Uruguai e Argentina. Radicado no Brasil desde 1952, Lan estava internado há dois meses no Hospital da Beneficência Portuguesa, em Petrópolis (RJ) e morreu na última quinta-feira, em consequência de uma pneumonia.
Lan veio para o Brasil com a família aos 4 anos. O pai erá músico e foi convidado a tocar na Orquestra Sinfônica de São Paulo. Aos 20 anos já trabalhava na imprensa do Uruguai e depois da Argentina como caricaturista, até voltar ao Brasil. No País, ele passou a trabalhar no jornal Última Hora, em 1952, a convite do jornalista Samuel Wainer. No Última Hora criou um de seus desenhos mais conhecidos, a caricatura do político Carlos Lacerda - um dos líderes civis do golpe de 1964 - no corpo de um corvo. A caricatura foi sugestão de Samuel Weiner e, graças a ela, Lacerda teve que carregar para o resto da vida o apelido de “corvo”.
Desenhista, ilustrador, caricaturista, Lan teve passagem pelo jornal O Globo e pelo Jornal do Brasil, onde produziu charges por 33 anos. Apaixonado pelo samba e pelo Rio de Janeiro, ele logo deixou a política de lado para dedicar boa parte de suas ilustrações a retratar o cotidiano e as pessoas que via pela capital carioca.
Um amante do carnaval, Lan, embora sempre tenha se dito contrário ao casamento, acabou se casando com Olívia Marinho, ex-passista da Portela, em 1960.
Ela foi uma de suas musas, influenciando também seus traços. Algumas de suas charges mais conhecidas são ilustrações de corpos femininos com curvas, sendo que ele sempre demonstrou predileção pelas mulheres negras.

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