Publicado 17/11/2020 - 06h11 - Atualizado 17/11/2020 - 06h12

Por Maria Teresa Costa


O fraco desempenho de Artur Orsi (PSD) no primeiro turno das eleições está sendo atribuído, nos bastidores da política, à estratégia equivocada de "colar" sua candidatura ao presidente Jair Bolsonaro. A avaliação é que a candidatura dele, que já não vinha com fôlego, tropeçou a partir do dia em que ele postou um vídeo nas redes ao lado do presidente, na inauguração da linha de luz no Laboratório Nacional de Luz Síncrotron. Os números nas pesquisas mostram que esse não era o melhor caminho, mas a campanha seguiu em frente.
Esquerda cresce
Os partidos de esquerda na Câmara de Campinas terão, a partir de janeiro, seis parlamentares na Casa. Atualmente são quatro. Apesar do pequeno número são legendas atuantes, que fazem oposição ferrenha ao governo, mas ainda não definiram se irão apoiar um dos dois candidatos a prefeito. PT, PSOL e PCdoB, segundo apurou a coluna, não deverão formalizar apoio a nenhum dos candidatos no segundo turno.
PT
O PT ainda vai decidir se apoiará um dos dois candidatos de Campinas no segundo turno, mas Pedro Tourinho, terceiro mais votado no domingo, não declarará apoio a nenhum deles. As duas candidaturas, segundo ele, são continuidade do governo Jonas e ele não vê a perspectiva de qualquer uma delas estar comprometida com o que o programa de governo do PT apresentou para Campinas.
Apoios
Uma definição de coligações para o segundo turno deve sair entre hoje e amanhã. Por enquanto, apenas do PDT declarou apoio e escolheu Dario. Há tendência de que o "nanico" PMN fique fora, ou apoie Rafa, até porque a legenda entrou com pedido de impugnação da candidatura de Dário, que foi indeferido. O presidente da legenda, Ahmed Tarique disse que está estudando propostas.
Nulo
O PSTU, que concorreu nas eleições de domingo com Laura Leal a prefeita, definiu ontem que vai pregar voto nulo no segundo turno.
Programa
O PV, que tem maior proximidade com Dário, quer, antes de decidir, discutir com os candidatos os pontos do programa de governo do partido, que considera centrais para o próximo mandato, mas ampliando para além das pautas ambientais e do desenvolvimento sustentável, disse o presidente da legenda, Rogério Menezes.
PSDB
Os tucanos se saíram muito mal nas eleições para o Legislativo de Campinas. O PSDB, em 2016, elegeu quatro vereadores. No último ano do mandato, perdeu mais uma na janela partidária (Gilberto Vermelho foi para o PSB) e, no domingo, as urnas mandaram mais dois para casa - Marcos Bernardelli e Jorge da Farmácia. A partir de janeiro, a legenda segue apenas com Luiz Cirilo.
Palácio
Apesar de perder espaço no Legislativo, o PSDB pode ganhar posições no Palácio dos Jequitibás a partir de janeiro, se Rafa Zimbaldi sair vitorioso do pleito, levando como vice-prefeita a tucana Ana Beatriz Sampaio.
Tucanos no estado
Apesar do pífio desempenho em Campinas, o PSDB foi bem no Estado. Elegeu 168 prefeitos no primeiro turno, mesmo número de 2016, e disputa segundo turno em Mogi das Cruzes, Piracicaba, Praia Grande, Ribeirão Preto, São Paulo, São Vicente e Taboão da Serra, o que indica que há chances de o PSDB aumentar a representação nas prefeituras. O partido elegeu também 1.143 vereadores, 110 cadeiras a mais em relação à eleição de 2016. Mas, em Campinas, a legenda está derretendo.
Maria Teresa Costa, jornalista.

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Maria Teresa Costa