Publicado 19/11/2020 - 06h31 - Atualizado 19/11/2020 - 06h31

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Como disse o grande Albert Einstein, “é na crise que nascem as invenções, os descobrimentos e as grandes estratégias”. Estamos vivendo um momento difícil, principalmente para as crianças.
Pandemia, quarentena, isolamento social são palavras que não faziam parte do vocabulário dos pequenos, agora é uma rotina, e junto com elas vieram alguns conceitos básicos de higiene, pouco praticados pelas crianças, como por exemplo lavar as mãos.
Os pais precisam ensinar a técnica recomendada e transforma-la em um hábito frequente durante todo o dia.
É hora de praticarmos os bons hábitos, ou hábitos saudáveis, todo sentiram na pele, e no corpo, o quão importante é uma alimentação saudável e o combate ao sedentarismo.
Não podemos querer que as coisas mudem, se sempre fazemos o mesmo. A crise é a maior benção que pode acontecer às pessoas e aos países, porque a crise traz progressos. A criatividade nasce da angústia, assim como o dia nasce da noite escura. Quem supera a crise supera a si mesmo, sem ter sido superado.
Estávamos vivendo um processo de transformação dos hábitos alimentares guiada pela desordenada e intensiva urbanização, o mercado de trabalho absorvendo mães e pais, a institucionalização precoce das crianças nas creches e escolas, uma mídia agressiva na divulgação de produtos não muito saudáveis, mas de fácil acesso, coloridos, flavorizados e macios às custas das perigosas gorduras trans, açúcares refinados, sal, corantes, acidulantes e conservantes.
A correria do mundo moderno promoveu a troca da degustação de uma fruta por um suco industrializado que contém água, açúcar e conservantes, tudo muito fast, muito delivery, mas pouco saudável.
E assim estamos constatando a crescente epidemia de obesidade infantil, sedentarismo, fome oculta de micronutrientes essenciais ao bom crescimento e desenvolvimento, com aumento do risco para doenças crônicas degenerativas como a hipertensão arterial e diabetes.
Precisamos retomar as rédeas da alimentação infantil, e para isso, o primeiro passo é a educação.
A educação alimentar exige o desenvolvimento e a prática de abordagens educativas que permitam abraçar os problemas alimentares em sua complexidade, tanto na dimensão biológica como na social e cultural. As abordagens inter e transdisciplinares são opções que podem oferecer caminhos alternativos.
A promoção da alimentação saudável deve se basear em um ambiente onde as práticas e escolhas diárias sejam adequadas para cada indivíduo, e o exemplo deve partir da alimentação da família, pais, avós, professores e até de seus médicos.
A educação alimentar faz parte de um contexto maior chamado hábitos alimentares que estão interligados, com exemplo, o estímulo às atividades físicas, higiene pessoal básica que começa com o lavar as mãos de modo correto, reduzir o tempo de exposição às telas, exposição ao sol e a contemplação da natureza, passando até por uma retomada do processo de desenvolvimento da espiritualidade das crianças, começar a trocar o TER pelo SER.
Quem atribui à crise seus fracassos e penúrias, violenta seu próprio talento e respeita mais aos problemas do que às soluções.
A verdadeira crise, é a crise da incompetência. O inconveniente das pessoas é a dificuldade para encontrar as saídas e as soluções. Sem crises não há desafios, sem desafios a vida é uma rotina, uma lenta agonia.
Sem crises não há méritos.
É na crise que aflora o melhor de cada um, porque sem crise todo vento é uma carícia. Falar da crise é promovê-la e calar-se na crise é exaltar o conformismo. Em vez disto, trabalhemos duro. Acabemos de uma vez com a única crise ameaçadora, que é a tragédia de não querer lutar para superá-la, vamos aproveitar o momento para mudar hábitos alimentares, de higiene, estilo de vida e principalmente de comportamento.
Tadeu Fernando Fernandes, médico pediatra, é presidente da regional Campinas da Sociedade Brasileira de Pediatria.

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