Publicado 17/11/2020 - 07h37 - Atualizado 17/11/2020 - 07h37

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Em uma conversa logo após a Santa Missa, um pai me perguntou qual era minha opinião sobre deixar para batizar seu filho quando ele puder livremente decidir se quer ou não. Pois, foi ele que se decidiu batizar e não por decisão de seus pais. Eu disse que essa pergunta merecia uma boa resposta e marcamos o dia e a hora para conversar. Li e conversei com pessoas mais sábias que eu e partilho a nossa breve conversa, pois algumas pessoas como esse pai podem querer saber a mesma opinião. Então, muitos são os pais com a legítima preocupação de não condicionar os filhos, de permitir que se construam na liberdade da sua pessoa. Costuma-se dizer: "Eles decidirão depois!".
O problema é que, o que quer que os pais façam, sua decisão tem um impacto sobre a criança. E especialmente quando se trata da criança decidir mais tarde na vida sobre o batismo. Se os pais optam pelo batismo, efetivamente, existe um condicionamento para a dimensão religiosa. Mas, ao não dar a eles, também os influencia. Eles fazem com que as crianças pensem que o batismo é uma realidade sem importância, já que não valia à pena dá-lo a princípio. Afinal a criança é formada por imitação.
Minha resposta foi simples: Preste atenção, seu modo de vida é justamente o mais forte dos condicionamentos. E é que, de fato, a criança pequena é formada por imitação. É uma cera virgem que registra as formas de atuação em seu ambiente. Nós a ensinamos a falar, a comer com talheres, damos a ela algumas regras para saber viver. Ao fazer isso, é inevitável condicioná-las, conscientemente ou não. No entanto, o papel dos pais é transmitir ao filho o que acham que é melhor para ele. O batismo não é simplesmente a ocasião de comemorar o nascimento do bebê e de lhe dar uma madrinha e um padrinho generosos. Mas é antes de tudo um maravilhoso enxerto em Cristo para que se torne, como Ele, um filho amado de Deus.
O batismo é o surgimento nele de uma vida que durará para sempre. Então os pais não devem privar a criança disso, supostamente para deixá-la decidir mais tarde. Eu testemunho a alegria de muitos pais quando veem seus filhos hoje jovens pedirem para fazer a crisma. É um dia maravilhoso em que os ouvimos plena e livremente assumir a fé recebida, já transformada em sua própria, essa luz depositada por Deus no fundo do seu coração no dia do seu batismo.
Manoel Messias Pereira Martins é sacerdote encardinado na Arquidiocese de Campinas e administrador paroquial da Paróquia Nossa Senhora da Conceição, de Nova Aparecida.

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