Publicado 18/11/2020 - 08h12 - Atualizado 18/11/2020 - 08h12

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Mais uma rodada de eleições para cargos próximos a cada um de nós. Até onde sei e posso avaliar, as propagandas, horários gratuitos, fake news e debates foram bem mais comportados, sem algumas das baixarias presentes nos anteriores. Isto, talvez, pode ser atribuído à curta temporada das propagandas e aos fatores extraordinários.
Dia de votação sem novidades (até a boca de urna se comportou), transmissão dos dados com alguma dificuldade e apuração/divulgação com problemas técnicos, mas que, ainda assim, coloca o sistema eleitoral brasileiro como modelo para outras nações. Contabilizar 140 milhões de votos e ter o resultado no mesmo dia é coisa para deixar muitas nações morrendo de inveja.
Até que se prove o contrário com fatos concretos (e não especulação e denúncias baseadas no achismo), o sistema é imbatível no quesito segurança e confiabilidade. Foi concebido de tal maneira que a fraude nas urnas teria que ser um processo de alterar o programa de milhares de urnas eletrônicas, coisa inviável. Feita a apuração na urna, fica registrado e, mesmo que algo se consiga fraudar nos processos posteriores, há o resultado impresso de cada urna que servirá como elemento robusto em uma auditoria.
Algumas lições podem ser tiradas deste processo. Revelou que a última eleição (presidencial) foi um ponto fora da curva, que não se repetiu agora. O ultraconservadorismo não conseguiu se impor. Isto mostra que a eleição de 2018 foi mais um voto de raiva contra o petismo que adoção sincera e consciente de um ideário conservador.
Descobre-se também que o voto antipetista ainda teve forte apelo, pois, pela segunda eleição seguida, o PT é desidratado. Por outro lado, a centro-direita e partidos de cento, centro-esquerda e esquerda tiveram melhores resultados. O cometa partidário PSOL, aquele que apareceu, brilhou, sumiu nesta eleição. Percebe-se a ascensão do DEM e PPS (este com muita gente ficha-suja) e uma expressiva votação do bloco do centrão.
O que este resultado implica é que o apoio do Centrão será mais caro daqui para frente. Alie-se a isto a desidratação do peso e liderança do presidente, cujo cacife político voltou à antiga dimensão de parlamentar do baixo-clero, e se tem as condições perfeitas para uma tormenta política: cargos terão que ser distribuídos, a ala ideológica perdendo relevância, a ala fisiológica ganhando musculatura, o presidente da Câmara e Senado com muito mais votos e peso político em seus mandatos.
Diante deste quadro, pode ser que tenhamos um presidencialismo a la monarquia britânica: um rei figurativo e primeiro ministro (Maia ou Alcolumbre) atuante e propositivo. Vencida a etapa da reeleição que pleiteiam, mandarão no Congresso e farão o que quiserem.
O sonho da reeleição acalentado pelo atual ocupante do Palácio está cada vez mais distante, seja pelo sinal dados pelas urnas, seja pela sua ligação com o Trump, seja pelas palavras desastradas e discursos de arroubo, seja pela maneira errática e nada profissional que lidou com a pandemia.
Muito já se disse sobre as diferenças da eleição municipal e da presidencial. Mas também se sabe que a eleição de governadores e presidente está alicerçada nas bases municipais, onde se consegue a capilaridade. Se isto é verdade, a reeleição terá dificuldades em conseguir a base eleitoral. Diante deste quadro de derrota iminente, o melhor é questionar a lisura do processo, semear a dúvida quanto ao voto eletrônico, suspeitar dos resultados. Isto dará munição para, apurados os votos em 2020, defender-se dos minguados votos com a existência da fraude eleitoral. O mentor já fez e está fazendo isto.
Marcos Inhauser é teólogo, pastor da Igreja da Irmandade e educador corporativo.

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