Publicado 08/11/2020 - 04h21 - Atualizado 08/11/2020 - 04h22

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Dessas eleições americanas, cujo desfecho final não se sabe quando vai ser anunciado, algumas lições já se pode tirar. Um delas é não confiar muito nos institutos de pesquisa de intenção de voto, que afirmavam que um tsunami azul, mais que uma onda, varreria os Estados Unidos de costa a costa, e que um maremoto anti-Trump afogaria de vez o presidente americano. Nada disso aconteceu, para desconforto da grande mídia, tipo ABC, CBS, NBC, MSNBC, CNN, The New York Times, Los Angeles Times, Washington Post, revista Time, Facebook, Twiter, praticamente todos os “major”, exceção da Fox, que encamparam estas pesquisas e as transformaram em matéria editorial. A mensagem, explícita ou subliminar, parecia ser: não vale a pena votar no Trump, não perca o seu tempo, ele já perdeu de lavada. Eu me pergunto: é ético este tipo de comportamento? A propósito, o Governador Leonel Brizola já dizia que se pesquisa ganhasse eleição, não seria preciso votar...
Hoje os porta-vozes destes veículos aparecem nas telinhas visivelmente encabulados... Mas sem deixar de reiterar e enfatizar a torcida frenética pelo time azul, numa posição absolutamente parcial.
Estes expoentes da mídia foram com muita sede ao pote na sua oposição ao Donald presidente, que de pato não tem nada. Mesmo derrotado, se for, Trump corre o risco de sair bem da parada, mantendo a maioria no Senado, ampliando sua participação na Câmara dos Deputados e elegendo mais governadores que os Democratas. Os arautos da grande revolução cultural que deveria ocorrer, mas que não se concretizou, vão ter que engolir o sapo e noticiar uma eleição apertada onde o inimigo não sairá dela arrasado. Os Democratas, se confirmada sua provável vitória no colégio eleitoral, não poderão deletar Trump da política americana como gostariam de fazer, temendo o risco de que, se ele perder, se candidate à presidência em 2024, quando terá 78 anos, a mesma idade de Biden hoje.
Afinal, o que estamos assistindo é uma disputa pau a pau, voto a voto, em todo o país, com ligeira vantagem para o pelotão azul. Mas as comemorações da vitória terão que esperar o resultado do processo de judicialização do pleito, que vai empurrar a decisão definitiva até não se sabe quando. Eles também têm uma Suprema Corte por lá...
Os advogados dos Republicanos já acusaram fraude na contagem dos votos locais que vieram pelo correio. Eric Trump, filho do candidato, declarou: “os Democratas sabem que a única maneira de ganharem esta eleição é trapaceando na Pensilvânia”. Esta afirmação não poderá ficar sem resposta.
Os Republicanos já entraram com ações na justiça do Arizona, Wisconsin, Michigan e Geórgia.
E vem mais por aí.
Muita roupa suja vai passar debaixo da ponte...
As declarações do Presidente com relação ao pleito, feitas da Casa Branca, foram contundentes e graves. Também vão precisar ser respondidas.
Mas a verdade é que a vitória de lavada apontada pelas pesquisas e encampada pela mídia não se materializou. A Nação continuará dividida entre Democratas e Republicanos, entre esquerda e direita. Mas será que isso é mau, já que toda a unanimidade é burra e perigosa? Conheci algumas nações que não estavam divididas. A China, por exemplo, que eu visitei no inicio da década de 70. Ao amanhecer, antes de começar o dia, o “relações públicas” que me acompanhava me levava a algum local público para fazer uma homenagem a Mao Tse Tung e rezar por ele. Em 1988, quando meu filho, Luciano, visitou a Rússia de Gorbachev, também não encontrou nenhuma opinião contrária ao governo. Os que discordaram foram mandados para algum dos 500 Gulags, terríveis campos de concentração que existiam na época. Em Cuba, discordou de Fidel, “paredón” nele.
Voltando aos Estados Unidos, os partidários de Trump estão achando estranho que muitos estados com governos democratas tenham permitido que votos pelo correio cheguem às mesas de apuração uma semana depois da eleição. Também dizem estar estranhando o fato de que quase ao final da apuração surjam, de uma hora para outra, montanhas de votos para Biden, mudando cirurgicamente o curso dos acontecimentos, justamente naqueles estados onde o controle das apurações é do Partido Democrata. Até parece o que aconteceu na segunda eleição de Dilma Rousseff, quando Aécio Neves estava folgado na frente e já tinha preparado a festa da vitória quando uma avalanche de votos para o PT surgiu na última hora e virou o jogo.
Estados Unidos não é Brasil, mas fraude não tem passaporte.
A terra do Tio Sam não é infalível, portanto há que se investigar tudinho, tintim por tintim, para que o veredito alcançado seja acima de qualquer suspeita.
E para que a grande vencedora desta disputa seja a democracia.
Faveco Correa é jornalista, publicitário e consultor - faveco@uol.com.br

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