Publicado 25/11/2020 - 07h31 - Atualizado 25/11/2020 - 07h31

Por Maria Teresa Costa

Apesar da queda em comparação à atual bancada, escolaridade da Câmara eleita está acima da média nacional

Cedoc/RAC

Apesar da queda em comparação à atual bancada, escolaridade da Câmara eleita está acima da média nacional

A maioria dos vereadores eleitos em Campinas frequentou uma faculdade, mas a participação deles na média de escolaridade caiu na comparação com a eleição municipal de 2016. Há quatro anos, 72,6% dos eleitos tinham Ensino Superior completo ou incompleto, e agora eles representam 63,4%. A proporção de parlamentares com Ensino Médio completo, Fundamental completo e incompleto se mantém, mas cresceu de 6,06% para 12,12% aqueles com Ensino Médio incompleto.
O grau de escolaridade dos eleitos em Campinas ficou acima da média do Brasil. Aqui, 54,4% têm Ensino Superior completo e 9,09%, superior incompleto. No Brasil, a média foi de 30,5% e 3,8% respectivamente, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Para o pesquisador colaborar de História da Educação da Unicamp, Sergio Castanho, um bom grau de escolaridade influencia no desempenho de um parlamentar, mas a disposição política, nem sempre. Mas ter um mínimo de escolaridade é fundamental, disse. "Quanto mais alto o grau de escolaridade, pode-se esperar melhor desempenho legislativo, o que não significa que isso vai ocorrer, porque pesam também questões como lutas de interesses de classes, interesses pessoais. Do ponto de vista técnico, a escolaridade pesa no desempenho em relação à apresentação de projetos, nas respostas às demandas da coletividade", afirmou.
O nível de instrução de um vereador, avalia a educadora Maria Alice Siqueira, consultora em educação, é importante, mas não define seu desempenho na atividade parlamentar. "Alta escolaridade é diferente de educação política", afirma. "Com a tarefa de propor lei e, principalmente, fiscalizar o Executivo, nem sempre um parlamentar com formação universitária se sai melhor do que aquele que tem apenas o Ensino Fundamental", diz.
Ela observa que um vereador com baixa instrução, mas que tem uma atuação forte em sua comunidade, que conhece as necessidades da sua região, pode ter um desempenho melhor na atividade parlamentar. "Podemos ter vereadores com curso superior que são atuantes, da mesma forma que vereadores com Ensino Fundamental. E o inverso também é verdadeiro", afirma.
A legislação eleitoral não exige um currículo mínimo. A única exigência legal é que o candidato que não seja analfabeto.
A próxima Câmara terá 18 vereadores com Ensino Superior completo, três com Superior incompleto, seis com Ensino Médio completo, quatro com Médio incompleto, um com o Fundamental completo e um com Fundamental incompleto. A Câmara eleita em 2016 é formada por 21 com Ensino Superior completo, dois com Superior incompleto, seis com Ensino Médio completo, dois com Médio incompleto, um com Fundamental completo e um com Fundamental incompleto.
A NOVA CÂMARA
Ensino Fundamental incompleto - Edison Ribeiro (PSL)
Ensino Fundamental completo - Juscelino da Barbarense (PL)
Ensino Médio incompleto - Rubens Gás (DEM), Du Tapeçeiro (Podemos), Jair da Farmácia (Solidariedade), Marrom Cunha (Solidariedade)
Ensino Médio completo - Cecílio (PT), Higor Campo Grande (Republicanos), Otto Alejandro (PL), Carlinhos Camelô (PSB), Jorge Schneider (PL), Carmo Luiz (PSC)
Ensino Superior incompleto - Filipe Marchesi (PSB), Zé Carlos (PSB), Marcelo da Farmácia (Avante)
Ensino Superior completo - Mariana Conti (PSOL), Guida Galixto (PT), Paulo Bufalo (PSOL), Gustavo Petta (PC do B), Paolla Miguel (PT), Marcelo Silva (PSD), Nelson Hossri (PSD), Paulo Gaspar (NOVO), Fernando Mendes (Republicanos), Rodrigo da Farmadic (DEM), Permínio Monteiro (PSB), Arnaldo Salvetti (MDB), Rossini (PV), Paulo Haddad (Cidadania), Professor Alberto (PL), Luiz Henrique Cirilo (PSDB), Major Jaime (PP), Debora Palermo (PSC)

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Maria Teresa Costa