Publicado 24/11/2020 - 07h48 - Atualizado 24/11/2020 - 07h48

Por Da Agência Anhanguera

Se as previsões se confirmarem, a CoronaVac poderá ser a primeira vacina a ser oferecida no Brasil

Deividi Correa/EC

Se as previsões se confirmarem, a CoronaVac poderá ser a primeira vacina a ser oferecida no Brasil

O governo de São Paulo e o Instituto Butantan confirmaram ontem que o estudo clínico da CoronaVac chegou à fase final e os resultados sairão já na primeira semana de dezembro. A previsão é que 46 milhões de doses estejam disponíveis no Brasil até janeiro de 2021.
Isso será possível porque o estudo clínico alcançou o patamar necessário para abertura da pesquisa e análise da eficácia da vacina. Até o momento, 74 voluntários se infectaram, número superior ao mínimo requerido para esta etapa, que previa ao menos 61 participantes contaminados.
Os resultados deverão ser enviados pelo Comitê Internacional independente na primeira semana de dezembro para que a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) analise o relatório para verificação da vacina — que vem sendo desenvolvida pelo Butantan em parceria internacional com a biofarmacêutica Sinovac Life Science.
"A celeridade do Instituto Butantan, também por essa expertise de produção consagrada de vacinas, pode permitir que a CoronaVac seja a primeira disponível para nossa população", afirmou ontem o secretário estadual da Saúde, Jean Gorinchteyn. "Só com a vacina viveremos o nosso normal. Até então, precisamos lembrar que estamos em quarentena e todo comportamento deve ser responsável, mantendo todas as regras sanitárias", acrescentou.
Os testes no Brasil estão sendo coordenados desde julho pelo Butantan, em 16 centros de pesquisa científica espalhados em sete estados brasileiros e no Distrito Federal — Campinas faz parte do processo. Na última semana, o primeiro lote com 120 mil doses chegou a São Paulo, tornando o Brasil o primeiro país da América Latina a receber uma vacina contra o coronavírus. A expectativa do governo do Estado é que o Butantan obtenha a aprovação da Anvisa ao imunizante até janeiro de 2021.
Até janeiro, o Butantan espera ter 46 milhões de doses da vacina. Como o processo de produção deste tipo de imunizante é bastante similar ao dos demais fabricados e desenvolvidos pelo instituto paulista, uma campanha de vacinação poderá começar tão logo a Coronavac seja registrada pela Anvisa.
"Estamos muito próximos de ter uma vacina disponível para o Programa Nacional de Imunizações. Essas notícias colocam nossa vacina como a mais próxima de utilização aqui no Brasil. Disse o diretor do Butantan, Dimas Covas.
A pesquisa
No total, são 13 mil voluntários envolvidos nos estudos no Brasil — em Campinas, a vacina é testada pelo Hospital de Clínicas da Unicamp. A pesquisa utiliza o modelo duplo cego, em que metade dos voluntários recebe doses de vacina, enquanto os demais um placebo. Com a abertura do estudo, será possível identificar quantos voluntários contaminados estavam ou não protegidos pelo imunizante.
A vacina do Butantan é considerada uma das mais promissoras em comparação a outros imunizantes em fase de testes.
Na última terça, os resultados da fase anterior de estudos clínicos da CoronaVac foram publicados pela revista científica Lancet, uma das mais importantes do mundo. A publicação mostrou que a vacina é segura e tem capacidade de produzir resposta imune no organismo 28 dias após sua aplicação.
Campinas registra aumento de internações
A rede municipal de saúde de Campinas contou ontem com a maior taxa de ocupação de leitos exclusivos para pacientes Covid, desde o início da semana passada. Segundo informações divulgadas no início da tarde pela secretaria de Saúde, as redes pública e privada contavam com 176 leitos de UTI exclusivos para pacientes com Covid e, deste total, 100 estavam ocupados, o que corresponde a uma ocupação média de 56,8%.
A rede municipal, no entanto, que atravessou as duas últimas semanas com média próxima de 56% - atingiu ontem a ocupação de 75%. De acordo com os dados da secretaria, o SUS Municipal tinha disponíveis 64 leitos, dos quais 48 foram ocupados.
A secretaria explicou que o aumento é consequência da desativação de leitos do Hospital Metropolitano, ocorrida na última sexta-feira. Diz ainda que a desativação se deu em cumprimento a uma decisão da Justiça do Trabalho para que seja depositado em juízo o valor do contrato com a unidade.
Em nota, a secretaria diz que o bloqueio de leitos e transferência dos pacientes — que teve início ainda na quarta-feira — se deu por "cautela", em razão da possibilidade de que o Hospital não possa mais arcar com o contrato após o pagamento em juízo. A secretaria informou que todos os pacientes já foram transferidos.
O SUS Estadual, por sua vez, tinha a situação bem mais confortável ontem. De 30 leitos disponíveis, sete estavam ocupados, o que corresponde a 23,3% de ocupação. Na rede particular a ocupação foi de 54%. Dos 82 leitos reservados, 45 foram ocupados.
Campinas registrou ontem 392 novos casos de contaminação pelo novo coronavírus e mais uma morte. Com isso, a cidade atinge a marca de 41.550 infectados pelo vírus e 1.355 óbitos. Segundo boletim da Secretaria de Saúde, 611 casos suspeitos ainda estão sob investigação, além de outras 14 mortes. Há hoje 176 pessoas internadas com Covid-19 e outras 143 que estão sendo mantida em isolamento domiciliar. São 39.873 pessoas recuperadas da doença.
A vítima fatal era um homem de 50 anos, que tinha comorbidades - doenças pré-existentes. Ele morreu no dia 14 de novembro em um hospital público da cidade.

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