Publicado 21/11/2020 - 14h38 - Atualizado 21/11/2020 - 15h44

Por Gilson Rei

Um grupo pequeno de manifestantes protestaram na manhã deste sábado 21, em frente ao Carrefour da Av Norte Sul, contra a morte de João Alberto Silveira Freitas

Leandro Ferreira/AAN

Um grupo pequeno de manifestantes protestaram na manhã deste sábado 21, em frente ao Carrefour da Av Norte Sul, contra a morte de João Alberto Silveira Freitas

Um grupo de aproximadamente 50 pessoas realizou um protesto, na manhã deste sábado (21), em frente ao Carrefour Bairro da Avenida José de Souza Campos (Via Norte Sul), no Cambuí, Campinas.
O manifesto ocorreu para cobrar ações da Justiça contra a violência e o racismo praticado contra o negro João Alberto Silveira Freitas, 40 anos, que foi espancado até a morte por um segurança e um Policial Militar no hipermercado Carrefour, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, na noite de quinta-feira (19), véspera do Dia da Consciência Negra, ontem (dia 20).
Maria de Fátima Ferreira, estudante, disse no manifesto que não é possível ver tanta violência contra negros. “O preconceito é coisa mais retrograda da humanidade. Isso tem que acabar urgente. Vidas Negras Importam sim”, afirmou.
Dados divulgados em agosto deste ano pelo Atlas da Violência 2020 indicam que os assassinatos de negros aumentaram 11,5% em dez anos, enquanto os de não negros caíram 12,9% no mesmo período. Entre os negros, a taxa de homicídios no Brasil saltou de 34 para 37,8 por 100 mil habitantes entre 2008 e 2018. O relatório também mostra que, em 2018, os negros representaram 75,7% das vítimas de todos os homicídios.
João Alberto foi espancado até a morte pelos dois homens brancos depois de algum tipo de desentendimento. O negro foi levado da área de caixas para a entrada da loja e teria, segundo apurou a Polícia Civil, iniciado uma briga após dar um soco no PM. Na sequência, João foi surrado até a morte.
Uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) tentou reanimar o homem depois que ele foi espancado, mas ele morreu no local. Ainda não se sabe qual foi a causa da morte, mas uma análise preliminar da perícia indica que pode ter sido asfixia.
A triste cena foi filmada por testemunhas. Os dois suspeitos tiveram prisão preventiva decretada. Os vídeos da agressão serão avaliados pela Polícia. Inicialmente, a investigação trata o crime como homicídio qualificado, mas poderá incluir crime de racial e outras agravantes. O crime está sendo investigado pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Porto Alegre.
O policial militar Giovani Gaspar da Silva, de 24 anos, foi levado para um presídio militar. Já Magno Braz Borges, de 30 anos, segurança da loja, foi levado a um prédio da Polícia Civil.
O segurança não se manifestou para a imprensa e o policial militar afirmou ter levado um soco da vítima e admitiu que se excedeu na ocorrência. A Polícia Federal (PF) declarou que o policial militar não possui registro nacional para atuar como segurança. Já o segurança possuía o registro, mas foi suspenso, após a morte.
Os dois agentes que espancaram são funcionários da empresa terceirizada Vector Segurança que divulgou em nota : "a empresa se sensibiliza com os familiares da vítima e não tolera nenhum tipo de violência e já iniciou os procedimentos para apuração interna".
O Carrefour informou, em nota, que também lamenta profundamente o caso e que iniciou rigorosa apuração interna. Afirma também que já tomou providências para que os responsáveis sejam punidos legalmente.

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Gilson Rei