Publicado 19/11/2020 - 07h54 - Atualizado 19/11/2020 - 07h54

Por Daniel de Camargo

Para quem possui condições de adquirir um imóvel, para moradia ou investimento, este é um momento

Leandro Ferreira/AAN

Para quem possui condições de adquirir um imóvel, para moradia ou investimento, este é um momento

Os efeitos negativos da pandemia da Covid-19 atingiram significantemente o mercado imobiliário de Campinas. Provocaram queda de 33,5% nos lançamentos de imóveis residenciais e de 17,4% na comercialização de imóveis novos. Segundo estudo realizado pelo departamento de economia e estatística do Sindicato da Habitação (Secovi-SP), em parceria com a empresa de inteligência corporativa Brain, o número de unidades residenciais lançadas caiu de 4.467 para 2.972, enquanto as vendidas diminuíram de 3.827 para 3.160. A análise compara os dados dos períodos entre agosto de 2019 e julho deste ano, com agosto de 2018 e julho do ano passado. 
Diretora regional do Secovi em Campinas, Kelma Camargo recorda que o mercado estava num ritmo de crescimento muito bom no ano passado, quando chegou a atingir um aumento de 92% nas vendas e de 29,7% nos lançamentos. Com o adiamento de lançamentos para o segundo semestre deste ano, aliado ao fechamento de estandes de vendas por conta da pandemia, muitos contratos foram postergados. Enfatiza que esse é um reflexo notório do novo coronavírus no mercado local. Contudo, garante que a demanda ainda existe. Em grande parte dos casos, explica, a compra foi apenas adiada. Ela diz que é possível observar isso, neste momento de retomada do setor, depois do período mais grave da crise.
Kelma chama a atenção que, para quem possui condições de adquirir um imóvel, seja para moradia ou investimento, este é um momento oportuno. Esclarece que as taxas de juros estão baixas e há ampla oferta em linhas de crédito imobiliário. Acrescenta que uma maior agilidade no processo de aprovação de projetos seria fundamental para aproveitar o positivo desempenho das vendas de imóveis neste segundo semestre. "O mercado econômico, em especial, vive uma grande fase atualmente. Isso demanda uma aceleração no processo de aprovação de novos empreendimentos na cidade, de forma que não falte produto para o consumidor", disse.
O estudo aponta que, apesar da retração, o montante negociado no período foi superior ao esperado. Entre agosto de 2019 e julho de 2020, o Valor Global de Vendas (VGV) totalizou R$ 1.256,5 milhão, 14,2% acima do registrado no levantamento passado, quando atingiu a marca de R$ 1.099,9 milhão. Segundo Kelma, o indicador cresceu puxado pela venda de imóveis de três e quatro dormitórios, que têm valores mais elevados.
Os imóveis de três dormitórios tiveram o melhor desempenho em termos de VGV (R$ 417,5 milhões).
Os dados indicam também que os imóveis de dois dormitórios econômicos se destacaram em quase todos os indicadores, entre agosto de 2019 e julho de 2020, registrando a maior quantidade de lançamentos (1.667 unidades), de vendas (1.780 unidades) e de oferta final (2.225 unidades). Os imóveis de três dormitórios tiveram o melhor desempenho em termos de VGV (R$ 417,5 milhões).
Estoque
No que diz respeito a estoque, Campinas encerrou julho de 2020 com a oferta final de 3.390 unidades disponíveis para venda. O volume representa um crescimento de 10,9% em relação às 3.056 unidades não comercializadas no período anterior. Essa oferta é formada por imóveis na planta, em construção e prontos lançados nos últimos 36 meses (agosto de 2017 a julho de 2020). Nos 12 meses, o indicador Vendas Sobre Oferta (VSO) - que apura a porcentagem de vendas em relação ao total de unidades ofertadas - ficou em 48,2%, representando uma redução de 13,3% em relação ao índice de 55,6% apontado no estudo anterior.
Considerando-se todo o período do estudo em Campinas, de agosto de 2017 a julho de 2020, os lançamentos totalizaram 10.131 imóveis residenciais, dos quais 6.741 unidades foram comercializadas - ou seja, 66,8% dos imóveis ofertados ao longo desses 36 meses pesquisados. As vendas atingiram um montante de R$ 2.535 milhões. O produto que mais se sobressaiu no período, em lançamentos e vendas, foi o de imóveis de dois dormitórios econômicos, com metragem de até 65 m² de área útil e preço inferior a R$ 230 mil.
Isolamento muda conceito de moradia
Gestor comercial da Nova Cipasa, Marcelo Scalice comenta que o isolamento por conta da pandemia mudou o conceito de moradia das pessoas. "Hoje as famílias querem áreas grandes, com espaço para home office e varanda gourmet, mais distantes dos grandes centros, onde possam morar, trabalhar e desfrutar de melhor qualidade de vida", justifica. Em Campinas, sua empresa desenvolveu o Urban Parque empreendimento, localizado entre os bairros Jardim Ipaussurama e Jardim Roseira, na altura do Hospital da PUC, na Avenida John Boyd Dunlop, que tem 414 lotes residenciais e 22 comerciais.

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Daniel de Camargo