Publicado 08/11/2020 - 11h30 - Atualizado // - h

Por Gilson Rei

Ao todo, 3.583 pessoas estão à espera de cirurgias em SP, das quais aproximadamente 150 pacientes no município de Campinas, cujo atendimento é feito pelo Sistema Único de Saúde

Leandro Ferreira/AAN

Ao todo, 3.583 pessoas estão à espera de cirurgias em SP, das quais aproximadamente 150 pacientes no município de Campinas, cujo atendimento é feito pelo Sistema Único de Saúde

Atualmente, 3.583 pessoas estão à espera de córneas em cirurgias no Estado de São Paulo, das quais aproximadamente 150 pacientes no município de Campinas, cujo atendimento é feito pelo Sistema Único de Saúde (SUS), no hospital da PUC-Campinas e no Hospital de Clínicas da Universidade Estadual de Campinas (HC-Unicamp).
Após seis meses de espera, em função da Covid-19, os transplantes eletivos de córneas nos serviços de saúde começaram a ser realizados no início e outubro em Campinas e em todo o Estado de São Paulo, após autorização da Central de Transplantes do Estado de São Paulo.
A cada dez transplantes em São Paulo, quatro são de córneas. Trata-se do procedimento mais realizado, pois, além de ser um tecido muito resistente, pode ser armazenado por até 14 dias após a doação, facilitando o trabalho das Comissões Intra-Hospitalares de Transplantes (CIHT), que realizam a busca e identificação de doadores potenciais de órgãos e tecidos em parceria com as Organizações de Procura de Órgãos (OPOs).
O médico Marcelo Sobrinho, chefe do serviço de oftalmologia do Hospital PUC-Campinas, disse que uma cirurgia já foi realizada no dia 17 deste mês, recuperando a visão de um homem de 60 anos, que aguardava há pelo menos cinco meses. Sobrinho afirmou que a lista de espera para a cirurgia aumentou em função da suspensão dos procedimentos nestes meses de pandemia.
O hospital da PUC-Campinas está realizando neste mês a retomada, revisando a lista de espera de pessoas do município. “Atualmente já existem dez pessoas confirmadas na lista de espera e aguarda a confirmação de outras treze pessoas”, afirmou. A equipe de oftalmologia da PUC-Campinas realiza, em média, 15 cirurgias por ano deste tipo e a expectativa é de atender todos que aguardam nos últimos sete meses.
Sobrinho destacou que, por isso, a doação é fundamental para melhorar a qualidade de vida desses pacientes. “As pessoas interessadas em fazer a doação podem se cadastrar no hospital, que faz a captação. Existe uma equipe que cuida deste recolhimento e toda ajuda é fundamental, pois cada doador pode ajudar duas pessoas com suas córneas”, afirmou.

Proteção
O médico explicou que, para proteger profissionais de saúde e pacientes receptores, novas medidas foram adotadas. “Existe um protocolo mais rígido. Os serviços de saúde devem realizar a triagem clínica dos potenciais doadores, realizando testes para Covid-19 antes de qualquer definição terapêutica”, afirmou.
A médica Denise Fornazari, coordenadora da área de oftalmologia do HC-Unicamp, informou que o hospital parou os transplantes eletivos durante a pandemia, porém teve continuidade na realização de transplantes de urgência. Ao todo, foram 20 transplantes de urgência entre abril e setembro. “A fila de cirurgias para córnea foi reativada em novembro para os transplantes eletivos”, disse. “A doação de córneas é fundamental para diminuir a fila atual de aproximadamente 100 pacientes e dar às pessoas o conforto necessário. Basta um cadastro no HC para ajudar vidas”, comentou.
Tanto a captação quanto a operação devem crescer
A Central de Transplantes do Estado de São Paulo autorizou neste mês de outubro de 2020 a retomada dos transplantes eletivos de córneas nos serviços de saúde. Com a melhoria do cenário epidemiológico em relação ao novo coronavírus, tanto a captação quanto o procedimento cirúrgico podem voltar a ocorrer seguindo todos os protocolos de segurança e prevenção da Covid-19.
Conforme uma diretriz do Sistema Único de Saúde (SUS), pessoas com diagnóstico positivo para coronavírus que possuem menos de 28 dias da regressão completa dos sintomas não podem ser doadoras de órgãos e tecidos. Outra norma definida estabelece que os pacientes podem optar por não realizar o transplante enquanto durar a pandemia do novo coronavírus, sem qualquer prejuízo em sua posição no cadastro de transplantes.
A Central Estadual de Transplantes monitora rigorosamente critérios técnicos e epidemiológicos da pandemia, com apoio do Centro de Contingência do Coronavírus de São Paulo e do Sistema Nacional de Transplantes (SNT), órgão que é ligado ao Governo Federal. O secretário de Estado da Saúde, Jean Gorinchteyn, destacou a importância da população neste processo.
“É fundamental a conscientização da população quanto à doação de órgãos e tecidos. Assim, mais pessoas podem ser atendidas e salvas. Um único doador pode salvar, em média, até sete vidas, doando fígado, córneas, rins, pâncreas, coração e pulmão”, declarou o secretário de Estado da Saúde, Jean Gorinchteyn.
Até quem teve problemas de visão pode ser doador
Podem doar córnea pessoas que morreram de parada cardíaca inferior a seis horas ou morte encefálica, com idade igual ou acima de 2 anos e abaixo de 80 anos. Quem tem miopia, astigmatismo, hipermetropia, catarata, glaucoma, conjuntivite já tratada e curada pode também ser doador desse tecido.
Após o transplante desse tecido, é fundamental ficar em repouso, manter o curativo até o médico retirá-lo, não esfregar o olho, usar os colírios de pós-operatório de acordo com a prescrição médica, utilizar óculos de sol quando exposto à luz solar e dormir do lado contrário ao olho operado.
A córnea não pode ser doada por pessoas com linfoma ativo, leucemia, hepatites B e/ou C, HIV, infecção generalizada, raiva ou morte de causa desconhecida. A doação de órgãos e tecidos deve ser consentida. Quem quiser ser doador não precisa mais incluir a informação no RG ou na CNH. Basta comunicar os parentes mais próximos sobre o desejo. A autorização para doação deve ser dada por familiares com até o 2º grau de parentesco. Por isso, é fundamental haver diálogo entre as famílias sobre o desejo de ser ou não doador de órgãos, pois isso facilita a tomada de decisão.
SAIBA MAIS
A Central de Transplantes do Estado de São Paulo realizou neste ano, até 30 de setembro, 3.588 transplantes, sendo 1.550 de córneas. Em todo o ano passado, foram feitos 8.328 procedimentos no total, incluindo 5.400 de córneas. A demanda por córneas é a segunda maior, depois de rins (13.206), seguida por fígado (322), pâncreas/rins (157), coração (143) e pulmão (96).

Escrito por:

Gilson Rei