Publicado 21/11/2020 - 17h56 - Atualizado 21/11/2020 - 17h56

Por AFP


Os países do G20 pediram neste sábado (21), primeiro dia de sua cúpula anual, organizada este ano pela Arábia Saudita em formato virtual, um esforço global para facilitar o acesso às vacinas contra o coronavírus e lutar contra suas devastadoras consequências econômicas, incluindo a dívida, entre elas a dívida.

A reunião de dois dias dos países mais ricos do mundo (19 nações, às quais se soma a União Europeia) acontece em um momento em que o grupo recebe críticas por sua resposta à recessão mundial e quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, continua sem reconhecer sua derrota nas eleições presidenciais.

Desta vez, não houve uma grande cerimônia de abertura, nem a oportunidade de chegar a acordos bilaterais. A cúpula - primeiro G20 em um país árabe - ficou limitada a sessões curtas online.

"Embora estejamos otimistas com o progresso no desenvolvimento de vacinas, terapias e ferramentas de diagnóstico para a covid-19, devemos trabalhar para criar as condições para um acesso barato e igualitário a essas ferramentas para todos", disse o rei Salman em seu discurso de abertura, sob o olhar do príncipe herdeiro Mohamed bin Salman, líder de fato do país.

Na abertura por videoconferência foram vistas imagens incomuns, como o presidente chinês Xi Jinping pedindo ajuda de um técnico ou a do presidente francês rindo e falando com alguém atrás da câmera.

O anfitrião da cúpula apareceu no centro da tela rodeado por imagens em miniatura de líderes mundiais, uma imagem que se tornou comum pelo mundo desde o aparecimento do vírus.

Alguns pareciam não dominar esse formato ainda, e o presidente francês Emmanuel Macron foi visto brincando com alguém fora de cena, e seu equivalente chinês Xi Jinping chamando um de seus assistentes.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez uma breve aparição em que falou principalmente sobre o balanço de seu governo, disseram dois participantes à AFP. Em seguida, ele foi para um campo de golfe perto de Washington.

"Estaremos preparados para garantir o acesso [às vacinas] em escala global e evitar a todo custo o cenário de um mundo em duas velocidades?", questionou o presidente francês Emmanuel Macron em seu discurso.

Junto com a questão da distribuição da vacina, o G20 deverá responder aos apelos para expandir seu financiamento de combate ao vírus, que infectou mais de 55 milhões de pessoas e matou mais de 1,3 milhão em todo o mundo.

Antes mesmo do início da cúpula, o secretário-geral das Nações Unidas, Antonio Guterres, disse que "há um déficit de 28 bilhões [de dólares], dos quais 4,2 bilhões serão necessários antes do final do ano" para financiar o ACT-Accelerator, dispositivo da Organização Mundial da Saúde para garantir que os países ricos não monopolizem tratamentos, testes ou vacinas.

"O acesso à vacinação deve ser possível e acessível para todos os países", declarou a chanceler Angela Merkel, enquanto o presidente Jair Bolsonaro assegurou que "desde o início exaltamos que era preciso cuidar da saúde e da economia simultaneamente. O tempo vem provando que estávamos certos".

Os países do G20 já gastaram mais de 21 bilhões de dólares (17,7 bilhões de euros) para combater o coronavírus. Também mobilizaram cerca de 11 trilhões de dólares para salvar a economia mundial, segundo os organizadores.

Os membros do G20 também devem abordar a dívida dos países mais pobres, que enfrentam o colapso de seu financiamento externo.

Em abril, o G20 adotou uma moratória de seis meses para o pagamento da dívida, que vai até junho de 2021. Guterres pediu um "compromisso firme" para que esse período de carência seja estendido até o final de 2021.

Escrito por:

AFP