Publicado 04/10/2020 - 09h00 - Atualizado 02/10/2020 - 18h14

Por Kátia Camargo

Marcos Antônio Machado é pesquisador científico e diretor-geral do Instituto Agronômico de Campinas (IAC)

Divulgação

Marcos Antônio Machado é pesquisador científico e diretor-geral do Instituto Agronômico de Campinas (IAC)

O pesquisador científico e diretor-geral do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), Marcos Antônio Machado, tomou posse no último dia 23 de setembro como membro titular da Academia Brasileira de Ciências (ABC), na área de Ciências Agrárias. Essa é a primeira vez que uma pessoa do IAC, que neste ano completou 133 anos, assume uma cadeira nessa importante entidade que conta com os mais renomados cientistas do Brasil. A posse dos novos membros ocorreu durante a reunião magna virtual da ABC que também discutiu o tema: O Mundo a partir da Covid-19.
Os membros titulares da ABC são pesquisadores com destacada atuação científica, radicados no Brasil há mais de dez anos. Machado é diretor-geral do IAC desde 24 de janeiro de 2019 e pesquisador científico do Instituto na área de citricultura. Foi diretor do Centro de Citricultura “Sylvio Moreira” do IAC de 17 de maio de 2003 a 1º de agosto de 2018, quando se tornou diretor-técnico do Centro de Programação de Pesquisa do IAC. É engenheiro agrônomo formado pela Universidade de Brasília, em 1978, tem mestrado em Fisiologia Vegetal pela Universidade Federal de Viçosa, em 1981, e doutorado em Agronomia, pela Justus Liebig Universitat, Giessen, na Alemanha, em 1987.
Além das atividades no IAC, Machado coordena o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Genômica Comparativa e Funcional e Melhoramento Assistido de Citros (INCT II), apoiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). É também membro da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) e do Comitê Assessor do CNPq na área de Biotecnologia.
O novo membro do ABC atua também como orientador de mestrado e doutorado em cursos de pós-graduação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), nas áreas de genética, biologia molecular e biologia funcional e molecular; e na Universidade Estadual Paulista (Unesp), na área de genética.
A revista Metrópole conversou com Marcos Antônio Machado para falar sobre essa importante indicação e, durante a conversa, ele fez questão de destacar que a Academia Brasileira de Ciências é o fórum mais qualificado, científico e tecnologicamente não só no Brasil como em todo o mundo e isso trouxe grande orgulho a ele tanto pessoal como profissionalmente.
Revista Metrópole: O que achou de ser indicado para ser membro da Academia Brasileira de Ciências?
Marcos Antônio Machado: Eu fiquei muito feliz de estar na Academia, principalmente porque represento um dos setores mais importantes do Brasil, que é a agricultura. Isso é muito importante não somente do ponto de vista pessoal, mas também para o IAC. Isso porque representa, em certo aspecto, o reconhecimento do trabalho do pesquisador dentro da instituição e do setor em que atua o cientista eleito. Acredito que ganhamos muito enquanto instituição.
O senhor acredita que a Academia Brasileira de Ciências (ABC) tem o papel de mostrar o valor da ciência no Brasil frente a tantos ataques recentes e notícias falsas?
Sim, com certeza uma das grandes funções da academia é ser um fórum para ajudar a explicar a ciência, para orientar políticas públicas para a ciência assim como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e as universidades. E a ABC é extremamente importante na defesa desses princípios da ciência e tecnologia em todos os setores. Ela reúne os grandes pensadores brasileiros e seu papel também é discutir a questão de falsas notícias ou mesmo o ataque à ciência. Acredito que quem desvaloriza a ciência não conhece o poder que ela tem. Então, mesmo à frente de tantos desafios à ciência, notícias falsas, a ABC continua operando para garantir saúde, bem-estar econômico, social e ambiental para toda a população. Estar na Academia neste cenário é extremamente importante, na medida em que a própria pandemia e a situação atual do Brasil e do mundo valorizam a ciência por um lado e, por outro, a desvalorizam.
A reunião virtual onde ocorreu a posse de vocês trouxe também o tema sobre o Mundo da partir da Covid-19. O que vocês discutiram?
Claro que a Covid-19 afetou uma parte da pesquisa da área da ciência agrária na medida em que ela afasta as equipes, reduz integração e interação e principalmente reduz muita atividade que exige laboratório e o campo intensivo. Mas espero que em breve retomemos a fazer todas essas atividades. O importante é sabermos que a pandemia vai exigir que repensemos nossa maneira de trabalhar e atuar em conjunto para maior eficiência do setor agro e isso já estamos fazendo.
E no setor agro foram tomadas medidas de segurança?
Sim, só para exemplificar, todos os produtores têm adotado medidas de segurança na colheita, no manuseio e na embalagem para evitar a contaminação superficial do coronavírus. Mas devemos lembrar que o coronavírus não dura muito tempo numa superfície e o risco de contaminação superficial é extremamente baixo. Eu diria que em condições normais é inexistente.
O senhor acredita que o setor agro é muito relevante para a economia?
Sim, esse setor conquistou esse posto graças aos investimentos em ciência e tecnologia. Esse investimento começou todo no Instituto Agronômico, depois se espalhou em outras áreas do País, mas o berço desse investimento é o Instituto Agronômico.
O que o senhor destacaria do IAC frente a seu novo desafio?
O Instituto Agronômico de Campinas é o embrião de toda essa Campinas tecnológica. Quando Dom Pedro II criou o instituto há 133 anos, ele abriu as portas para a cidade ser um centro de inovação, de tecnologia e de ciência. O Agronômico é a semente disso tudo, tenho muito orgulho de fazer parte dessa história.

Escrito por:

Kátia Camargo