Publicado 04/10/2020 - 09h00 - Atualizado 02/10/2020 - 17h45

Por Daniela Nucci

A venda de imóveis aumentou em meio a crise

Divulgação

A venda de imóveis aumentou em meio a crise

Desde o início da pandemia da Covid-19, o chamado “novo normal” alterou a rotina de milhares de pessoas, principalmente dentro de casa, local onde passaram a maior parte do tempo, para frear a contaminação pelo coronavírus. A convivência familiar se intensificou após a migração de membros de uma mesma família para o home office e a adoção em caráter emergencial das aulas à distância para crianças e adolescentes em obediência ao “fique em casa”.
O resultado? O lar de muitas famílias ficou pequeno e apertado para encarar essa mudança repentina. A solução foi procurar por espaços maiores. Segundo levantamento da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o número de empresas a adotar o home office, após a pandemia, deve crescer 30%. Além disso, a tendência de Ensino à Distância (EAD) deve ganhar corpo, tanto para as crianças e adolescentes com cursos extracurriculares, quanto para adultos que buscam se atualizar.
Dessa forma, a preferência por imóveis maiores, mais espaçosos, como casas, deve seguir aumentando para suprir as novas necessidades de todos os integrantes da família, além de propiciar mais espaço e conforto para a convivência. De acordo com a Associação Regional da Construção de Campinas e Região (Habicamp), Campinas acompanha o mesmo crescimento da Capital. Em julho, foi registrado um aumento de 45,5% na venda de imóveis residenciais, em relação ao mês anterior, segundo o Sindicato da Habitação (Secovi), que apontou ainda crescimento de 21% em relação a julho do ano passado. E a expectativa é que isso aumente nos próximos meses.
“Ao analisar os números da construção civil e do mercado imobiliário, nota-se um crescimento relativo comparado aos demais setores. Isso acontece já que as pessoas passam mais tempo em suas casas e, por isso, querem desfrutar de maior conforto durante home office e com a família. Por isso, deve ocorrer um crescimento ainda maior nos próximos meses. Os hábitos mudaram!”, diz o presidente da Habicamp, Francisco de Oliveira Lima Filho.
O corretor de imóveis Antonio Teixeira, da Rumo Imóveis, endossa que o setor está em ascensão na cidade e garante que a procura por casas maiores e confortáveis subiu de julho a agosto, para todas as classes, sem exceção. “Tivemos um aumento de vendas de 40% neste período. Tanto dentro ou fora de condomínios, as pessoas buscam a sensação de liberdade com mais espaço e conforto. Ter algo a mais, com uma condição melhor para encarar o “novo normal”. A maioria está saindo de apartamento para casas maiores”, diz Teixeira.
Para o setor, disse ele, a locação também teve bastante busca para as pessoas que querem procurar com mais calma um imóvel permanente, além da facilidade dos financiamentos e taxas de juros mais baixas desde 1980. “A busca por imóveis bem arborizados, living integrado ao espaço gourmet e quintal com belo paisagismo também são fortes atrativos para fecharmos negócios”, pontua o corretor.
Projetos personalizados
Além de casas prontas, há um aumento na procura por terrenos parar encarar as bruscas mudanças. “Esta alta na procura por terrenos é reflexo da busca por personalização. As pessoas querem construir casas que atendam as suas necessidades e refletem o seu estilo. Estamos vivendo um movimento interessante no mercado, muitos dos nossos clientes estão migrando de bons apartamentos para casas em condomínios de alto padrão”, diz o corretor de imóveis Fernando Ribeiro, sócio na R2 Imóveis.
Para os apaixonados por apartamentos, existem mudanças de plantas para o mercado atual, desde as unidades populares até o alto padrão. “Ainda que muitas empresas planejem o retorno presencial, há um forte indicativo que a maior parte mantenha o regime do home office, pelo menos em algum grau. Assim, as mudanças nas plantas refletem as novas demandas de morar. Espaço gourmet, escritório, piscina e área de lazer são alguns elementos que ganham destaque neste momento. Conforto e conveniência são palavras-chave para a realidade atual”, completa Ribeiro.

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Daniela Nucci