Publicado 29/10/2020 - 06h38 - Atualizado 29/10/2020 - 06h38

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Na imprensa não faltam informações sobre as várias vacinas contra a COVID-19; Oxford, Chinesa, Russa, Americana, enfim, as vacinas contra o novo coronavírus estão sendo desenvolvidas em velocidade sem precedentes, e, além da rapidez, os projetos em andamento buscam comprovar a eficácia e a segurança de tecnologias inéditas, que, futuramente, podem modernizar outras vacinas já em uso no mundo.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), entre as quase 200 propostas de vacinas em testes, 44 chegaram à fase de experimentação em humanos, chamada de estudos clínicos. Dessas, um grupo de 10 projetos atingiu a fase três de estudos, em que dezenas de milhares de voluntários são recrutados para comprovar se a vacina é mesmo capaz de proteger sem causar danos à saúde.
O Brasil tem sediado alguns desses testes com milhares de participantes, entretanto, se tem algo que divide opiniões em meio a essa pandemia é quem deve tomar a vacina quando ela estiver disponível.
Esta semana vovó Naná veio ao consultório com o netinho Pedro Henrique e a netinha Isabela, e afirmou: “eles só voltam para escola quando estiverem vacinados contra essa doença”, ela comentou que nem gosta de falar o nome da pandêmica entidade.
Fui obrigado a dar uma triste notícia para a vovó, segundo especialistas de todo mundo o cenário mais provável é que apenas adultos sejam imunizados em um primeiro tempo.
Ainda é um mistério a relação entre COVID-19 e crianças, que integram o grupo de menor risco. Nos últimos tempos, esse público passou a participar de testes clínicos pontuais, mas a prioridade é definida pelos dados epidemiológicos, e crianças não devem ser vacinadas, nem mesmo no ano de 2021.
É correto e sensato que as crianças sejam as últimas na fila de uma eventual vacina aprovada contra a Covid-19, por dois motivos: um de razão técnica e outro de saúde pública.
Os estudos que estão sendo conduzidos com essas vacinas e, caso tudo corra bem, vão permitir o licenciamento onde ela está sendo testada, nos adultos. As crianças ainda não foram inseridas nesses estudos clínicos de larga escala, será uma etapa posterior da avaliação, seria uma loucura aplicar uma vacina testada em adultos, em crianças, a resposta do sistema imunológico é completamente diferente.
E tem mais, até o momento, a Covid-19 não se mostrou tão grave para crianças, elas têm tido uma carga viral muito menos agressiva do que as demais faixas etárias.
Se olharmos o número de mortes abaixo de 20 anos de idade, as crianças representam cerca de 0,1% a 02% nos diversos países em que esse vírus circula, então são consistentes os dados que crianças ainda não foram identificadas como um grupo de maior risco para a ocorrência de gravidade associada a essa doença, portanto, não estão na prioridade para receber a almejada vacina.
A vovó argumentou, mas elas podem transmitir para os adultos.
Outra constatação: Não é que crianças não transmitam, claro que podem transmitir, mas não são os principais vetores identificados, e fica fácil entender, como a COVID-19 em quase 99% das crianças ocorre na forma assintomática, elas não têm tosse, não espirram, enfim, não elimina os fômites com o vírus, ao contrário de adolescentes e adultos que são sintomáticos, grandes transmissores.
Vou traçar um paralelo para o leitor entender: você tem que tomar a vacina contra a gripe (influenza) anualmente porque a proteção (produção de anticorpos) dura apenas 9 a 10 meses. No caso das vacinas contra o coronavírus já sabemos que são seguras, que são eficazes em estimular a produção de anticorpos, mas por quanto tempo eles ficam no sangue? Só o tempo vai dizer.
Portanto, calma, a vacina vai chegar, mas no tempo da ciência, não no tempo da vovó ou dos políticos.
Tadeu Fernando Fernandes

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