Publicado 08/10/2020 - 09h36 - Atualizado 08/10/2020 - 09h39

Por Tadeu Fernandes

Tadeu Fernando Fernandes, médico pediatra, é presidente da regional Campinas da Sociedade Brasileira de Pediatria

Cedoc/RAC

Tadeu Fernando Fernandes, médico pediatra, é presidente da regional Campinas da Sociedade Brasileira de Pediatria

Nesta época de tempo seco e baixa umidade relativa do ar todos repetem a mesma ladainha: precisa tomar água, muita água, também respirar vapor d'água, enfim muita água, é lógico sem desperdícios.
Essa é a única saída para a tosse seca e irritativa, a garganta raspando e o nariz que de tão seco, sangra.
Entre uma tosse e outra, chega Vovó Nana, que no passado reclamava que os netinhos não comiam e estavam magrinhos, agora mudou o discurso, são os gastos no supermercado com o adolescente Pedro Henrique e a pequena Maria Eduarda que estão incomodando a zelosa vovó.
Devido a quarentena da pandemia eles ficam o dia todo na casa da vovó; mamãe Bia passa somente à noite para buscá-los, muitas vezes vão até dormindo de tão cansados!
A vovó reclama que a tarde toda eles abrem e fecham a geladeira, por isso ficam sempre resfriados! Pedrinho gosta de tomar refrigerante e a Duda adora o suco de soja, quase todos os sabores, e às vezes toma os sucos de caixinha.
Depois do soninho, após o almoço, eles adoram a vitamina que a vovó faz com leite e achocolatado, acompanhada é claro daquele bolo de chocolate que, esse sim, é o melhor do mundo.
Perguntei para vovó:
- Em que hora eles tomam água?
Ela pensou, pensou e assustada respondeu:
- Eles não tomam água!
Essa é uma realidade atual, as crianças estão ingerindo uma grande quantidade de bebidas açucaradas, que contribuem para um excesso calórico e o desenvolvimento da obesidade infantil.
Segundo a última Pesquisa de Orçamentos Familiares uma em cada três crianças entre 5 a 9 anos é obesa, e sofrem com as conseqüências dessa doença: elevação dos triglicérides e LDL colesterol (o colesterol do mal) e redução do HDL colesterol (o colesterol do bem), sem contar o aumento no risco da diabetes.
Para você ter uma idéia do crescimento dessa doença, veja esse dado: a taxa de obesos entre meninos de 10 a 19 anos cresceu de 3,7% em 1979 para 21,7% no último ano, fato explicado pela evolução do sedentarismo entre crianças e o aumento da ingestão dessas bebidas calóricas que o Pedrinho e a Duda tanto adoram.
Agora com a pandemia, os números explodiram!
O teor energético desses líquidos não permite que a sede seja saciada, estimulando a criança a querer mais, e mais líquido, infelizmente, repetem o consumo das bebidas açucaradas.
Preocupada com esse crescente hábito, a Sociedades Européia de Pediatria desenvolveu o Beverage Guidande System, um guia que recomenda que as bebidas açucaradas sejam substituídas por outras com maior valor nutricional e menos calorias.
Um bom exemplo dessa saudável bebida é a água, simplesmente água! Ela não apresenta aditivos, açúcar, corantes, conservantes, acidulantes e ainda vai equilibrar o orçamento da vovó Nana, visto que a água é muito mais barata que os suquinhos e refrigerantes, e ajudará a melhorar a hidratação contra esse tempo seco, seco e seco.
Um estudo realizado com crianças na Alemanha, durante 1 ano, mostrou que um aumento na ingestão de água pura, foi associado com uma redução de 31% no risco de obesidade.
Outras pesquisas mostram que tomar água antes ou durante as refeições, aumenta a sensação de saciedade, ao contrário dos refrigerantes e sucos industrializados que aumentam o apetite pelo intenso sabor adocicado.
Crianças e adultos precisam tomar mais água e reduzir o consumo dos práticos, deliciosos, atraentes e calóricos sucos, refrigerantes e outras bebidas lácteas fartamente oferecidas nas primeiras prateleiras dos supermercados e padarias.
Está com sede?
Tome água, simplesmente água, água com água, sua saúde vai agradecer!

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Tadeu Fernandes