Publicado 09/10/2020 - 07h30 - Atualizado 09/10/2020 - 07h30

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A internet muitas vezes me decepciona, me aborrece e me irrita; não por ela em si, mas, pelas pessoas que dela fazem uso. Não são todas, é claro. Gente há que, a cada participação nas redes sociais, uma nova mensagem positiva é dada a público. Muitas carregadas de carinho, de solidariedade, e de lições de vida.
Dizia eu, entretanto, que embora tenha problemas com o que é postado nas redes sociais me refiro ao ódio destilado, à intolerância exacerbada, às fakenews, aos ataques gratuitos tenho por essa moderna e extraordinária ferramenta de comunicação uma gratidão incomensurável.
Não fosse ela, como aferir os resultados do que publico, tanto no jornal quanto no Facebook? Como poderia saber o número incrível de pessoas que, de uma forma ou de outra, se sentem tocadas pelas palavras que escrevo? E como saberia se esse toque é positivo ou negativo?
Há, porém, algo que transcende tudo o que foi dito até aqui. Tive sempre a bênção de fazer muitos amigos. Em Campinas, em Mogi das Cruzes, onde estudei e trabalhei, em São Paulo, onde também trabalhei.
Ora, a vida nos leva por caminhos nunca sonhados e os amigos vão ficando para trás, perdidos pelos meandros desses caminhos. Vão se perdendo na distância, como a imagem no retrovisor de um automóvel.
Os endereços mudam, os telefones, esses são de uma volubilidade que espanta. O jeito era se conformar, ficar restrito apenas à saudade e às boas lembranças.
Surge, então, o milagre da internet! E dentro desse milagre outros milagres! A primeira vez em que senti todas as possibilidades, foi quando, sem querer, achei meu querido amigo Paulinho, Paulo Andrade, meu afilhado de casamento, que era de Mogi das Cruzes e hoje mora no Rio. Foi uma festa!
O encontro pela internet valeu um encontro pessoal em minha casa! Vieram Paulinho e José Beraldo, advogado famoso, que pra mim é simplesmente meu amigo Zezinho da Padaria Barão!
Em São Paulo, na Jovem Pan, fiz amigos maravilhosos, que simplesmente desapareceram. De repente, alterados apenas pela maquiagem de Cronos, vejo os rostos de Aberto Pastre, José Carlos Zavanela, Odalvo Menezes, Zancopé Simões, Evaldo Fornazieri, Cesar Foffá e nem falei de Nelson "Tatá" Alexandre que, graças a Deus, não sumiu na distância...
Era como se o tempo não tivesse passado... Era como se aquelas pessoas queridas, irmãos de alma e profissão, de uma hora para outra tivessem se materializado em minha frente, desafiando o tempo e a distância... é como se a vida tivesse nos dado uma segunda chance! A incrível oportunidade de viver de novo aqueles momentos, tão vivas vêm aquelas velhas imagens!
Como, então, não ser grato a esse mecanismo mágico que promove retornos que se assemelham a ressurreições? Como deixar que o peso das bobagens e da maldade supere a indescritível felicidade de rever um amigo querido?
Um há, Fernando D'Amico, mais que amigo, irmão, com o qual convivi desde a mais tenra infância. Mora há muitos anos no Rio, mas, lê minhas crônicas, trocamos mensagens e vamos vendo a amizade ficar cada vez mais sólida.
Ainda há mais! Em tempos de pandemia, quando o distanciamento social se impõe como regra básica de sobrevivência, os amigos e parentes estão em permanente contato, via rede social! É um consolo! É uma forma de matar as saudades, de rever as fisionomias queridas, acompanhar o desenvolvimento das crianças, de conviver! De um modo diferente, mas, extremamente válido!
Faz tempo que estou pensando em fazer esse agradecimento público aos gênios que criaram esse meio fantástico de comunicação! Esse meio que deveria ser o fator maior de união entre todos os homens. Não perco a esperança! Dia virá em que os idiotas das redes vão perceber que só estão fazendo uma demonstração pública da própria estupidez! Nesse dia, o mundo terá conserto e os gênios estarão plenamente recompensados!
José Roberto Martins é professor, jornalista e membro da Academia Campinense de Letras

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