Publicado 13/10/2020 - 08h07 - Atualizado 13/10/2020 - 08h27

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Dia após dia intensifica-se a campanha eleitoral para prefeito e vereador da cidade de Campinas e Região Metropolitana. É uma verdadeira caça ao voto dos eleitores e eleitoras.
A campanha eleitoral neste ano assume novo formato por causa da pandemia que obriga ao distanciamento social, e poderá acarretar muita abstenção.
O panorama eleitoral em Campinas assemelha-se a uma floresta. Mais do que nunca é preciso procurar criteriosa e cuidadosamente a árvore de boa cepa que já produziu ou que garanta bons frutos para o futuro. Refiro-me à quantidade enorme de candidatos(as). São 294 mulheres candidatas (31,55%) e 638 homens candidatos (68,45%) ao cargo de vereador(a). São disputadas 33 cadeiras na Câmara. Total de candidatos: 932. Para Prefeito concorrem 14 candidatos. Duas mulheres somente.
Esta é a eleição com maior número de candidatos ao legislativo na história (TSE).
As eleições deste ano são muito importantes por causa da complexidade do momento que vivemos; crises: sanitária, econômica (desemprego) e política que abalam fortemente a vida dos cidadãos e até a democracia. Além disso, a crise sanitária do coronavirus fez recair sobre o Poder Público local decisões vitalmente importantes referentes à saúde (cuidados preventivos e médicos), à educação (fechamento de escolas e agora o difícil retorno às aulas) e também à segurança alimentar. Os municípios têm assumido, em grande parte, o manejo dessas responsabilidades.
Mais do que nunca é preciso discernir com critério nossas escolhas. Voto não tem preço, tem consequências. "A escolha do candidato deve ser precedida por um discernimento à luz de valores humanos e cristãos. Ter em conta as biografias (história de vida) e projetos dos candidatos (e de seu partido), seu compromisso com a defesa da vida e da dignidade humana, em especial dos pobres e excluídos; o zelo pelo Bem Comum e cuidado com a Natureza, nossa Casa Comum" (Cfr. Eleições 2020, Arquidiocese de Campinas).
Infelizmente temos motivos de sobra para algum desencanto e certa frustração quanto à política e o desempenho de certos políticos. Mas não podemos generalizar. Fique esperto(a). Tudo o que os maus políticos querem é que nossa omissão lhes assegure a perpetuação no poder. Quem diz que não gosta de política acaba sendo governado por quem gosta. Você se ausenta, eles se apresentam!
"A ideia que geralmente é associada à política vem com uma carga negativa, lembrando quase sempre: corrupção! Há uma campanha permanente para desqualificar a política e criminalizá-la, reduzindo o interesse da população em geral... assim ela se torna elitizada e realizada por profissionais... Então, é muito importante acompanhar o destino de seu voto. O que fez dele o eleito(a)? Quais foram suas posições tomadas? Daí a necessidade da transparência e da fiscalização por parte das bases eleitorais do candidato eleito" (Cfr. Esperançar nas eleições 2020).
Por isso olhe com cuidado quais são os eixos do programa de Políticas Públicas e sociais do candidato(a). As propostas quanto à assistência na proteção social básica, principalmente na periferia e bairros populares. Garante continuidade, qualidade e ampliação, com investimentos no atendimento das populações vulneráveis? Escolas e creches, muitas vezes, são os únicos lugares onde crianças e adolescentes se sentem seguros e têm alimentação saudável, além da aprendizagem, convivência e algum lazer.
Outro eixo importante de bom programa político - do vereador e do prefeito - é a garantia do Direito à Cidade, de tal modo que todos os cidadãos possam participar e usufruir igualmente dos seus equipamentos públicos: transporte, segurança, escola, posto de saúde, hospital, espaços de cultura, esporte, lazer e diversão; centros comunitários com biblioteca e brinquedoteca. E, óbvio, toda a infraestrutura de saneamento básico.
Na atual conjuntura da pandemia que se soma ao desemprego e faz escancarar as profundas desigualdades sociais, qual o manejo previsto e proposto quanto ao auxílio emergencial, aos trabalhadores desempregados e famílias necessitadas?
Finalmente, como Cáritas Arquidiocesana, ao lado de outras organizações da sociedade civil, estamos muito atentos e vigilantes quanto às propostas dos candidatos referentes ao abrigamento de moradores em situação de rua, aos imigrantes e refugiados. Nosso trabalho visa acolher, proteger, promover e cuidar dessas pessoas até que possam retomar plenamente à própria vida, com autonomia, segurança e novos projetos de reinserção social.
"Envolver-se na política é uma obrigação para o cristão... temos que nos meter na política, porque a política é uma das formas mais altas da caridade que busca o bem comum. Trabalhar pelo bem comum é um dever do cristão... fortalecer as frágeis democracias e reinventar novas instâncias de origem popular" (Papa Francisco).
Não se omita. Conheça seu candidato e seu programa de governo. Vote consciente e responsavelmente!
José Arlindo De Nadai é pároco da Paróquia Divino Salvador.

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