Publicado 07/10/2020 - 07h21 - Atualizado 07/10/2020 - 09h32

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Ensinaram-me que todos os pecados são iguais perante Deus. Não importa o que fosse: uma mentira inocente ou um assassinato, todos eram ofensa a Deus, eram pecados e mereciam punição. Engolia o ensino engasgado.
Mais tarde, quando fui obrigado a estudar o livro de Levítico, percebi que havia uma gradação nos pecados de ignorância do sacerdote, do povo, dos príncipes e os pecados ocultos, cada qual com oferta diferente para expiação. A constatação trouxe-me alívio, ainda que continuasse encucado com a coisa do “tamanho do pecado”.
Sou viciado em notícias. Cada vez que ouço sobre mentiras “oficiais”, fake news, feminicídio, roubo, latrocínio, tráfico, pedofilia, corrupção, a questão do tamanho do pecado me vem à mente. Pode ter o “mesmo tamanho” estes diferentes pecados? Eles desagradam a Deus na mesma proporção e intensidade? Duvido e nego esta possibilidade.
Depois de muito pensar sobre o assunto, e baseando-me nos princípios existentes em partes do Antigo Testamento e a forma como Jesus tratou a questão durante seu ministério (a mulher flagrada em adultério, o jovem rico, a resposta a Herodes), creio que se deve considerar cada caso pela especificidade.
Concluí que o “tamanho do pecado” está relacionado ao número de pessoas afetadas por ele. Se o pecado é individual, oculto e ninguém é afetado por ele, ele tem uma gravidade 1. Se o pecado é público e trouxe dano a uma única pessoa, ele é 2. Se o pecado é algo que afetou muita gente, ele é 3. Se ele é cometido por pessoas encarregadas de zelar pelo bem estar público e ele afeta a população ele é 25.
Explico! Uma coisa é uma criança, na escola, roubar um lápis do colega. Outra é um Secretário da Educação roubar o dinheiro da merenda. No primeiro caso um colega foi afetado em algo que não influi na sua sobrevivência. No segundo, muitos alunos serão afetados e alguns em algo essencial para a sobrevivência, pois a merenda é a única refeição decente que elas têm.
Uma coisa é uma pessoa gravemente enferma e sem recursos entrar em uma farmácia e furtar o medicamento que precisa. Outra é um secretário da Saúde, prefeito ou governador montar um esquema de corrupção, onde bilhões são desviados dos hospitais e farmácias de alto custo. No primeiro caso o prejudicado é o dono da farmácia. No segundo, toda a população!
Uma vez ao mês eu ou minha esposa temos de ir buscar medicamento caríssimo para uma terceira pessoa incapaz. Se não tomar ela surta. Há três meses não há o remédio na farmácia e não há previsão de quando vá chegar. Na minha frente, nesta segunda, as cinco pessoas que estavam na fila também buscavam remédios que não estão disponíveis. Era para esquizofrênicos, transplantados, portadoras de alguma síndrome, pessoas com câncer. Nada de remédio vital para a sobrevivência. No dia anterior ouço notícia de desvio de 500 milhões na saúde em um único estado e os larápios se esbaldando em paraísos turísticos e tendo carros de luxo, helicópteros e jatinho.
Para o ladrão de remédio vital na farmácia, prisão em flagrante. Para o chefe de quadrilha, juízes garantistas concedendo habeas corpus, anulando provas obtidas por ser instância indevida ou obtendo prisão domiciliar nas mansões que possuem! A justiça brasileira é antibíblica. Quanto mais pobre, mais pesado o castigo. Assim que vai subindo na hierarquia da política e da malandragem, advogados e juízes garantistas amenizam o pecado!
Marcos Inhauser é teólogo, pastor da Igreja da Irmandade e educador corporativo

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