Publicado 27/10/2020 - 11h16 - Atualizado 27/10/2020 - 11h17

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Há tempos que o mês de outubro é dedicado mundialmente à conscientização para o controle do câncer de mama. Penso que um aspecto desse tema que deveríamos considerar é sobre como cuidamos dos nossos doentes.
A doença que vem a padecer uma pessoa na nossa família pode ser oportunidade para unir ou desunir os seus membros. Tudo depende da postura que se assume. Com efeito, passado o impacto inicial que causa a notícia de uma enfermidade grave, cabe a cada um escolher o que fará diante disso: indiferença, revolta, não aceitação ou, ao contrário, acolhida, presença, fé, esperança e cuidado.
Num mundo que corre de um lado a outro num ritmo frenético, encontrar tempo para estar com as pessoas doentes já é um grande desafio. Com efeito, com muitas ocupações e trabalhos, não faltam desculpas a justificar uma postura egoísta: não posso. Saber estar ao lado do pai, da mãe, do irmão, de um parente ou amigo que sofre exige sacrifício. Porém, somos nós quem mais nos beneficiamos com essa atitude. É que a alma generosa costuma ser recompensada com uma profunda alegria, que é o melhor pagamento com que se pode recompensar o seu espírito de serviço.
Mas mais que presença, outro grande desafio é ser alguém que traz paz e serenidade. Muitas vezes vemos visitas que, com o seu ar pesaroso, com a sua postura negativa, com a sua fala carregada de coisas ruins, acaba por colocar um fardo nas costas do doente, talvez mais pesado que a própria doença.
Uma especial referência, nesse intento, merece o profissional da saúde. Vem-me agora à memória quando a minha mãe teve essa doença, anos atrás. Naquela época tivemos a sorte de ser atendida no Hospital do Amor, em Barretos. Como já dissemos em outras oportunidades nesta coluna, ali se respira um ar de paz e solicitude, mesmo em meio a tantos e tão intenso sofrimento. Isso desde o segurança que atende à portaria, os profissionais da recepção, que sabem harmonizar a competência na coleta de dados com afeto e compreensão nas informações transmitidas, a postura dos médicos, que sabem manter um ar sereno e alegre em meio a tanta dor e sofrimento, bem como o serviço de enfermagem, que compagina carinho com profissionalismo, tudo são exemplos vivos de que fazem justiça ao nome: AMOR.
O cuidado com os doentes traz também uma fantástica oportunidade para educar os nossos filhos para solidariedade. Para isso, transcrevo aqui, a título de conclusão, as belas palavras do Papa João Paulo II, na sua encíclica Evangelium Vitae:
“A família cumpre a sua missão de anunciar o Evangelho da vida, principalmente através da educação dos filhos. Pela palavra e pelo exemplo, no relacionamento mútuo e nas opções quotidianas, e mediante gestos e sinais concretos, os pais iniciam os seus filhos na liberdade autêntica, que se realiza no dom sincero de si, e cultivam neles o respeito do outro, o sentido da justiça, o acolhimento cordial, o diálogo, o serviço generoso, a solidariedade e os demais valores que ajudam a viver a existência como um dom. A obra educadora dos pais cristãos deve constituir um serviço à fé dos filhos e prestar uma ajuda para eles cumprirem a vocação recebida de Deus. Entra na missão educadora dos pais ensinar e testemunhar aos filhos o verdadeiro sentido do sofrimento e da morte: podê-lo-ão fazer se souberem estar atentos a todo o sofrimento existente ao seu redor e, antes ainda, se souberem desenvolver atitudes de solidariedade, assistência e partilha com doentes e idosos no âmbito familiar”.
Fábio Henrique Prado de Toledo, moderador em cursos de orientação familiar do Instituto Brasileiro da Família – IBF, especialista em Matrimônio e Educação Familiar pela Universitat Internacional de Catalunya – UIC, é Juiz de Direito em Campinas - e-mail: fabiohptoledo@gmail.com

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