Publicado 06/10/2020 - 06h55 - Atualizado 06/10/2020 - 06h55

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Uma qualidade das pessoas que é cada vez mais valorizada é a resiliência. O termo é originário da física, onde está relacionado com a propriedade que alguns corpos apresentam de retornar à forma original após terem sido submetidos a uma deformação elástica. Na psicologia pode ser definido como a capacidade de o indivíduo lidar com problemas, adaptar-se a mudanças, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas.
Bem mais remoto na história da humanidade é o estudo das virtudes. Podemos defini-la como uma disposição habitual e firme para praticar o bem. Permite à pessoa não somente praticar atos bons, mas dar o melhor de si mesma. A pessoa virtuosa tende para o bem com todas as suas forças sensíveis e espirituais; procura o bem e opta por ele em atos concretos.
E, dentre as virtudes humanas, está a fortaleza. É ela que, no meio das dificuldades, assegura a firmeza e a constância na busca do bem; faz firme a decisão de superar os obstáculos que a vida traz; dá capacidade para vencer o medo, mesmo da morte, e enfrentar a provação e as perseguições. Dispõe a ir até à renúncia e ao sacrifício da própria vida, na defesa duma causa justa.
Qual a diferença? Seria o termo resiliência uma espécie de eufemismo para a fortaleza?
É inegável que as virtudes muito se relacionam com o cristianismo. Ainda que o antecedam, foram por esse fortemente incorporadas em sua doutrina. Tanto que as definições que fizemos acima são extraídas do Catecismos da Igreja Católica. E vivemos num tempo em que se pretende relegar a fé para o âmbito exclusivamente privado. Nesse ambiente, a ciência também se envereda numa luta semântica para excluir do vocabulário todas as palavras que tangenciam temas religiosos.
De qualquer modo, a resiliência é um atributo essencial, ao qual devemos aspirar para nós e, se somos educadores – pais professores, por exemplo – também para as pessoas a quem educamos. Com efeito, num mundo que prega as coisas fáceis e com o mínimo esforço, é muito comum encontrarmos, em especial entre os mais jovens, pessoas fracas, pouco dadas ao sacrifício e, por consequência, pouco propensas a lutar para superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas.
Mas há algo essencial na virtude a ser considerada. É que nela contamos sempre com a graça de Deus. Ou seja, a luta para sermos pessoas melhores não depende exclusivamente do esforço pessoal, ainda que esse seja fundamental.
Portanto, se formos pessoas que vivem de ESPERANÇA, que se apoiam na ajuda de Deus para enfrentar os problemas, para adaptar-se às mudanças, para superar os obstáculos e suportar as pressões, então seremos FORTES, na mais pura acepção da palavra e, de sobra, se se dispuserem a analisar as nossas vidas, dir-se-ão que somos RESILIENTES.
Fábio Henrique Prado de Toledo é moderador em cursos de orientação familiar do Instituto Brasileiro da Família e especialista em Matrimônio e Educação Familiar pela Universitat Internacional de Catalunya, é Juiz de Direito em Campinas. E-mail: fabiohptoledo@gmail.com

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