Publicado 18/10/2020 - 10h06 - Atualizado 18/10/2020 - 10h06

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Neymar fez história ao marcar três gols na vitória do Brasil sobre o Peru, por 4 a 2, em Lima. Mais do que garantir uma largada confortável da equipe de Tite nas Eliminatórias, o craque de 28 anos se transformou no segundo maior artilheiro da história da seleção mais famosa do planeta. Neymar chegou ao Peru com 61 gols, um a menos do que Ronaldo Fenônemo. Saiu de lá com 64, 13 a menos do que o Rei Pelé.
O maior jogador da história marcou seu 77º gol pela Seleção no dia 11 de julho de 1971, no empate por 1 a 1 com a Áustria. O Rei abriu o placar no 1º tempo e no intervalo deu uma volta olímpica, ovacionado pela torcida que abarrotou o Morumbi.
Daqui a alguns meses, o futebol brasileiro vai comemorar os 50 anos do último gol de Pelé pela equipe nacional. Em 50 anos, aconteceu de tudo dentro e fora de nossos gramados, mas ninguém chegou perto da marca do Rei.
Neymar está chegando. E tem tudo para superá-la, talvez antes mesmo da Copa do Mundo de 2022. A torcida deveria saborear o momento. Grandes craques vestiram a camisa amarela de 1971 para cá. Alguns encantaram o planeta e outros participaram das conquistas do tetra e do penta. Jogadores geniais, de muita qualidade.
Neymar também é genial e tem uma qualidade absurda, bonita de se ver. Mas vive na era das redes sociais, nas quais tem milhões de seguidores no mundo todo. E tem também uma grande quantidade de críticos, muitos deles brasileiros. Ao invés de admirar e curtir a existência de um grande craque capaz de se aproximar de um recorde histórico, essa turma prefere criticar e minimizar os feitos daquele que é, de longe, o melhor jogador do futebol brasileiro nos últimos e nos próximos anos. Não há nenhum, veterano ou em início de carreira, que possa ser comparado a ele. E sabe-se lá se mais cinquenta anos serão suficientes para produzir um jogador que faça tantos gols pela Seleção Brasileira.
Outro aspecto que valoriza o feito de Neymar é que ele não é um finalizador. Não joga com a 9, não é aquele jogador que todos os companheiros procuram servir dentro da área. Ele joga mais aberto ou na armação. E também é o segundo jogador com mais assistências na história da Seleção. Também está atrás apenas de Pelé (64 a 47). Também tem enorme chance de vir a ser o primeiro.
A legião de críticos faz muito barulho na internet, mas, evidentemente, não diminui o brilho intenso da carreira de Neymar. Temos um — no momento apenas um, infelizmente — craque capaz de alcançar feitos históricos, daqueles que acontecem a cada 50 anos. Ou mais.
Carlo Carcani é coordenador de esportes do Grupo RAC.
E-mail: carlo@rac.com.br
 

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