Publicado 28/10/2020 - 12h34 - Atualizado 28/10/2020 - 12h34

Por Gilson Rei

Área impulsiona mercado na região, mas movimenta valores menores

Divulgação

Área impulsiona mercado na região, mas movimenta valores menores

A Região Metropolitana de Campinas (RMC) consolida-se cada vez mais como grande centro de prestação de serviços e, cada vez menos, como centro industrial e de empresas de alta tecnologia. Esta característica compromete a dinâmica econômica regional e a geração de melhores empregos. 
A constatação partiu do levantamento feito pelo Observatório da PUC-Campinas, divulgado recentemente, mostrando que 71% dos investimentos na RMC - entre os primeiros trimestres de 2019 e 2020 - foram realizados pelo setor de serviços, sobretudo em segmentos de baixo valor.
De acordo com o estudo, os investimentos foram maiores nas atividades de baixo valor, voltadas ao consumo das famílias (saúde, alimentação etc.). Segundo os analistas do estudo, isso revela que a RMC acaba tendo menor receita e empregos menos qualificados, prejudicando a dinâmica econômica regional e a geração de melhores condições de trabalho.
Dos 37 investimentos efetivados pelo setor de serviços, entre janeiro de 2019 e março de 2020, sete estavam relacionados às atividades de saúde, cinco aos serviços de transporte e energia elétrica, quatro ao segmento de energia elétrica, e três aos serviços de alimentação. Os demais foram distribuídos em atividades bancárias, de administração pública, rede de esgoto, tecnologias da informação, cultura, consultoria empresarial e educação.
Cristiano Monteiro, economista responsável pela análise, destacou que essa tendência acaba deixando em segundo plano atividades mais especializadas nas áreas de inovação, conhecimento e tecnologia. “Essa dinâmica de investimentos focada em serviços de baixo valor origina uma macroeconomia de emprego mais precário, de baixo nível de renda”, comentou.
Segundo Monteiro, o desafio da RMC é montar estratégias e políticas para fomentar investimentos em serviços especializados, como Tecnologia da Informática (TI), recursos mais intensivos em tecnologias e conhecimento. O baixo número de investimentos nos serviços especializados, ligados ao consumo das empresas para efeitos de inovação tecnológica e desempenho corporativo, denota a dificuldade da região em provocar densidade industrial.
Dos 52 investimentos confirmados na RMC entre os primeiros trimestres de 2019 e 2020, apenas sete foram realizados pelo setor industrial, que representou 13,4% do total. “Um maior investimento do setor industrial seria fundamental para sustenta a dinâmica econômica e oferecer, de modo geral, melhores empregos e salários”, revelou Monteiro.
Na opinião do economista, é necessário haver na RMC mais investimentos na indústria. “A falta de investimentos no setor da indústria, indicando redução de sua atividade produtiva, implica na queda dos serviços de alto valor oferecidos às empresas, como Inteligência Artificial, TI, Marketing, entre outros”, avaliou. “Seria relevante promover investimentos em serviços especializados que possam ser mais conectados com as organizações instaladas na cadeia de fornecimento dos grandes sistemas produtivos da Indústria”, sugeriu.
O restante dos investimentos efetuados no período mostrou que oito deles esteve ligado ao setor comercial. Desse total, sete (85,5%) foram destinados ao comércio varejista. Segundo o economista, essa diferença pode estar ligada à migração ou entrada de empresas no e-commerce, que ganhou popularidade nos últimos anos. “Essa tendência é ainda mais forte após as mudanças de consumo provocadas pela pandemia”, disse.
Investimentos têm queda em 4 trimestres seguidos
No 1º trimestre de 2019, 15 investimentos foram feitos na RMC. Desde então, esse número só caiu: nos quatro trimestres seguintes, foram 13 no 2º trimestre de 2019; outros 12 (3º tri/19); mais oito (4º tri/19) e quatro (1º tri/20). Houve diminuição de 73,3% se comparado o primeiro trimestre deste ano com o mesmo período do ano de 2019.
“A trajetória de investimentos seguiu como declinante, sendo que esse processo regressivo teve o ponto mais crítico no início de 2020. Diga-se de passagem, essa mencionada regressão guarda nexos com a crise social que envolve a pandemia de Covid-19, inclusive os fatores críticos ligados à dinâmica econômica”, avaliou o economista.
Do total de 52 investimentos, 31 foram realizados em Campinas, que representou 59,6% do total, impulsionados pela condição estrutural do município. O estudo mostra, ainda, que 27 investimentos, que representaram 52% do total, destinaram-se à ampliação ou modernização de estruturas existentes, e 48% para implantação de novas estruturas produtivas.

Escrito por:

Gilson Rei