Publicado 28/10/2020 - 08h12 - Atualizado 28/10/2020 - 08h12

Por Henrique Hein

Mortes, segundo delegado Ventura, são ligadas ao tráfico de drogas

Divulgação

Mortes, segundo delegado Ventura, são ligadas ao tráfico de drogas

O número de homicídios e o total de estupros registrados pela Polícia Civil no mês de setembro cresceram em Campinas na comparação com o mesmo período do ano passado. Um levantamento, divulgado na última segunda-feira pela Secretaria de Segurança Pública (SSP) do Estado de São Paulo, mostra que a cidade fechou o último mês com 11 pessoas assassinadas, o que representa três mortes a mais do que em setembro de 2019, quando foram notificados 8 casos. 
Já com relação aos estupros, a polícia recebeu 21 denúncias de agressões sexuais em setembro. Trata-se de praticamente o dobro das ocorrências contabilizadas na comparação com o mesmo período do ano passado, quando 11 pessoas alegaram terem sido molestadas. Desse montante, 15 estupros ocorreram contra vulneráveis. Ou seja, contra indivíduos que não conseguem oferecer resistência frente ao agressor, como crianças menores de 14 anos.
Ao todo, Campinas possui 13 Distritos Policiais (DP) e a unidade que computou o maior número de assassinatos em setembro foi 11º DP, com quatro ocorrências. O espaço atende a população de bairros próximos ao Jardim Ipaussurama, na região do Shopping das Bandeiras. O 11º DP também foi o que mais contabilizou denúncias de estupros no mês passado, juntamente com o 4º DP, no Taquaral. As duas unidades policiais receberam quatro denúncias de abusos sexuais cada uma. O delegado José Henrique Ventura, diretor do Departamentos de Polícia Judiciária de São Paulo Interior 2 (Deinter-2), destaca que muitos assassinatos na cidade têm relação direta com o tráfico de drogas, sobretudo em regiões como o Campo Grande e o Ouro Verde. “É a grande maioria, se não for a totalidade. São as regiões onde a gente tem o maior volume de tráfico de entorpecentes e muitos locais de venda”, afirmou ele. “Isso acaba resultando em mortes dos usuários e das pessoas que trabalham para o traficante, que normalmente acabam não pagando e recebendo a sentença de morte”, ressaltou.
Já com relação aos estupros, o diretor afirmou que se trata de um índice alto e acima do previsto. “Esse é um número que a gente tem que trabalhar nele, porque a gente não sabe se isso era subnotificação”, informou Ventura. Para ele, duas razões podem explicar o aumento dos registros: a quarentena imposta pelo novo coronavírus e o fato da sociedade estar perdendo o receio de denunciar o problema para as autoridades. “A gente imagina que essa permanência em casa, principalmente de famílias desestruturadas, acabe resultando no aumento de casos”, frisou.
Outros crimes
Além dos homicídios e estupros, os números da SSP mostram ainda que o total de ocorrências por latrocínio quintuplicou em Campinas nos primeiros nove meses do ano na comparação com o mesmo período de 2019: três contra dez registros. Em contrapartida, assim como tem ocorrido nos demais meses da quarentena, os chamados crimes contra o patrimônio, como roubos e furtos, novamente apresentaram queda na comparação ao mesmo período do ano passado.
Segundo a SSP, o número de roubos caiu 24,7% comparação entre os dois períodos analisados: foram 513 ocorrências em setembro do ano passado contra 386 em setembro de 2020. Dentre eles, os roubos de veículos apresentaram redução de 183 para 107 casos (41,5%). Já o número de furtos caiu de 1.200 para 987, o que representa uma queda da ordem de 17,7%. Os furtos de veículos, exclusivamente, tiveram diminuição de 28,3%, de 339 para 243 casos.

Escrito por:

Henrique Hein