Publicado 20/10/2020 - 20h55 - Atualizado 20/10/2020 - 22h30

Por Daniel de Camargo/AAN

Custo da matéria prima é uma das preocupações do setor de indústria

Cedoc/RAC

Custo da matéria prima é uma das preocupações do setor de indústria

O último levantamento do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) de Campinas mostrou que o setor começou a se recuperar dos efeitos negativos da pandemia da Covid-19. Segundo o estudo divulgado ontem, 50% das 494 empresas associadas à entidade, ou seja, 247, registraram aumento no faturamento e na produção em setembro, se comparado a agosto. Os dados apontam ainda que 71,43% (353) dos empresários reduziram o nível de endividamento de suas firmas e que 28,57% (141) contrataram novos funcionários no período.
Em coletiva de imprensa virtual, o vice-diretor do Ciesp-Campinas, José Henrique Toledo Corrêa, analisou que o pior momento já passou e as expectativas para 2021 são positivas. Ainda sobre a melhora nos indicadores, destacou que não houve aumento significativo na inadimplência e que a queda no endividamento significa que as indústrias estão mais capitalizadas, condição que pode possibilitar novos investimentos. A expectativa é que em torno de 22% (108) dos associados ampliem sua capacidade produtiva para os próximos 12 meses com a aquisição de novas máquinas. No período, 42,86% (211) devem atualizar o maquinário já existente.
Corrêa enfatizou também que o crédito mais acessível e juros mais baixos são vistos como primordiais para a retomada do crescimento industrial na região. Cerca de 64% (316) dos empresários analisam essas ações como "fundamentais e obrigatórias", enquanto em torno de 36% (178) consideram "importante".
A principal preocupação refere-se à estimativa de que os custos de matéria-prima, componentes ou peças aumentaram para 85,71% (423) dos associados. O vice-diretor do Ciesp-Campinas revelou que houve reajustes acima da inflação e que muitas empresas já utilizaram praticamente todo o seu estoque. Comentou que elas dependem de grandes e poucos fornecedores e que, a curto prazo, a solução será importar. Citou problemas com aço, papelão ondulado, alumínio, resinas e plásticos. Há empresas que informaram que não podem realizar vendas para entregar antes de fevereiro.
Comércio Exterior
A corrente do Comércio Exterior das indústrias da região de Campinas foi 14,6% menor entre janeiro e setembro deste ano, na comparação com o mesmo período de 2019. De acordo com dados do Ciesp-Campinas, o montante caiu de US$ 10,807 bilhões para US$ 9,233 bilhões. Diretor de Comércio Exterior da entidade, Anselmo Riso analisa que o resultado não é bom e que as exportações estão bastante prejudicadas, ainda mais pelo fato de que as empresas locais não comercializam commodities (produtos que funcionam como matéria-prima).
Informou também que o setor automotivo, que puxa as importações da região, escoou o estoque e tem registrado baixa nas vendas. O déficit da balança comercial encolheu 5,4%, indo US$ 5,759 bilhões para US$ 5,445 bilhões. As exportações tiveram retração de 25%, saindo de US$ 2,524 bilhões para US$ 1,894 bilhões. Já as importações recuaram 11,4%, baixando de US$ 8,283 bilhões para US$ 7,339 bilhões.

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Daniel de Camargo/AAN