Publicado 20/10/2020 - 07h56 - Atualizado 20/10/2020 - 07h56

Por Maria Teresa Costa

Câmara Municipal de Campinas

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Câmara Municipal de Campinas

As eleições municipais deste ano na Região Metropolitana de Campinas (RMC) terão 12 candidatos com mais de 80 anos na disputa para vereador. O número é 50% maior do que na eleição de 2016, quando oito concorreram. Campinas tem o maior número: quatro pediram registro à Justiça Eleitoral, mas um, alegando motivo de foro íntimo, desistiu. No Brasil serão 971 candidatos na faixa etária acima de 80 anos, sendo que 11 têm mais de 100 anos.
Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apontam que, na região, o candidato mais velho, com 86, é Ernesto Piconi (MDB), de Nova Odessa, que concorrerá pela segunda vez a vereador. Ele já havia disputado vaga na Câmara da cidade em 2004.
Dos demais candidatos, quatro concorrerão em uma eleição pela primeira vez. O presidente da Comissão Especial de Direito Eleitoral da OAB-Campinas, Valdemir Reis, observa que a legislação não estabelece idade máxima para candidatos. A lei fixa idades mínimas para serem elegíveis – de 35 anos para presidente da República, vice e senador, 30 anos para governador e vice, 21 para deputado estadual, federal, prefeito e vice e 18 anos para vereador.
Para Reis, a idade não influencia negativamente. ”Acredito que o eleitor escolhe seus candidatos a partir de critérios que não levam a idade em consideram. Penso que a escolha se baseia em fatores como experiência e honestidade. Assim, se o candidato, ainda que com mais de 80 anos, demonstrar estar apto para o mandato, demonstrar ou parecer ser honesto e experiente, ele terá condição de conquistar o eleitor”, disse.
Na lista dos octogenários há nomes conhecidos, como Cid Ferreira de Souza (PSB), de 82 anos, que preside a Associação dos Aposentados e Pensionistas das Indústrias Metalúrgicas de Campinas há 20 anos e vai tentar o sexto mandato a vereador. Idade para ele não é problema. “Estou cheio de energia, pareço um garoto de 40 anos”, disse. Sem poder manter contato pessoal com eleitores, vem lançando mão do telefone e de cartas para chegar a eles, especialmente os 28 mil sócios da entidade que preside. “Espero que, pelo trabalho desenvolvido, reconheçam a necessidade de termos um idoso na Câmara para defendê-los”, afirmou.
Há dois novatos na disputa por vaga na Câmara Municipal de Campinas este ano. Rogério Manzini (Patriota), de 81 anos, e Carlos Daniel Coradi (Novo), de 83 anos. Manzini decidiu entrar na disputa porque avalia que pode fazer muito por Campinas. Há anos, disse, vem recebendo convites para concorrer e acredita que chegou a hora. O aposentado, que durante 31 anos trabalhou na Pirelli, afirma que idade não é problema para concorrer. “Graças a Deus, tenho saúde”, disse. Ele está indo às ruas fazer campanha, tomando as medidas de higiene sanitárias, e tem como principal “ajudante” o neto. Se eleito, disse, seu primeiro projeto será conseguir recursos junto às indústrias para a construção de uma creche e uma escola profissionalizante.
O Correio Popular não conseguiu contato com o engenheiro Carlos Coradi, mas nas redes sociais ele afirma que, se eleito, sua bandeira principal será apoiar os idosos de Campinas. No primeiro mês de mandato, disse, vai apresentar projeto voltado para eles: montar um banco de dados com informações de todos os idosos, criar uma central com funcionários atuais pata monitorar os mais necessitados e, em caso de urgência, mobilizar o posto de saúde mais próximo, a assistência social, o SUS e os hospitais municipais.

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Maria Teresa Costa