Publicado 18/10/2020 - 13h23 - Atualizado 18/10/2020 - 13h23

Por Agência Fapesp

As nanopartículas poderão ser inseridas no tumor por uma pequena incisão no corpo e na sequência carreadas por magnetismo

Istock/Banco de Imagens

As nanopartículas poderão ser inseridas no tumor por uma pequena incisão no corpo e na sequência carreadas por magnetismo

No outro experimento é utilizado o conceito fotoacústico para avaliar a irrigação sanguínea de determinado tecido ou articulação. O pulso de luz laser é absorvido pelos tecidos e, nessa interação, é induzido um pequeno aumento de temperatura local gerando uma resposta na forma de um som que é captado pelo receptor do aparelho de ultrassom.
O resultado aparece na tela do equipamento com a identificação de onde foi absorvida a luz em determinado ponto tecidual. Um exemplo dessa interação de luz e tecido é o oxímetro de dedo, que mede a saturação de oxigênio de uma pessoa. Nesse caso, são interações da luz de LEDs com a capacidade de absorção luminosa das hemoglobinas do sangue.
Com a fotoacústica, pode-se obter uma informação similar à do oxímetro, sendo que a resposta a essa interação de luz com as hemoglobinas resulta na criação de uma imagem transformada em números, sendo possível estimar localmente se o sangue está mais ou menos oxigenado.
A tecnologia desenvolvida pelo grupo mostrou-se também apropriada para a verificação da irrigação sanguínea. "A ideia foi jogar luz também nos pontos mais profundos para saber se determinada região tem mais ou menos oxigênio, e se está mais ou menos irrigada de sangue. Desenvolvemos um sistema próprio para gerar imagem fotoacústica. Existem alguns equipamentos comerciais, mas são muito caros", diz físico médico Theo Pavan, professor do Departamento de Física, coordenador das pesquisas e pesquisador no Grupo de Inovação em Instrumentação Médica e Ultrassom (Giimus) da USP.
A ideia dos pesquisadores é analisar o centro dos tumores, para verificar o grau de oxigenação. Se existir pouco oxigênio, a dificuldade de tratamento aumenta. Porém, com esse dado os médicos podem prever com mais precisão a terapia a ser utilizada.
Na artrite reumatoide, doença em que as articulações apresentam dor, será possível com esse equipamento, desenvolvido por Pavan e equipe, verificar a oxigenação na articulação. Os níveis de oxigenação do tecido indicarão também o tipo de tratamento. A equipe de Pavan conseguiu montar no transdutor, que é a parte do equipamento de ultrassom que toca no paciente, dois cabos com fibras ópticas para direcionar a luz do laser.
A luz que penetra no tecido biológico pode ser inserida a partir da superfície da pele, de forma angulada e precisa. Assim, consegue-se focar um ponto do tumor, por exemplo, por duas vias de luz.
O protótipo foi avaliado experimentalmente por meio da obtenção de imagens de um modelo de pele e músculo, abdômen de um camundongo, antebraço e dedo indicador de um voluntário. "Foi possível obter imagens com alguns centímetros abaixo da pele e determinar a saturação de oxigênio no local." Com base nos resultados, a equipe vai seguir no aprimoramento do equipamento.

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