Publicado 11/10/2020 - 10h20 - Atualizado 11/10/2020 - 10h20

Por Daniel de Camargo

Estrutura física da Unicamp praticamente dobrou nos últimos 30 anos

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Estrutura física da Unicamp praticamente dobrou nos últimos 30 anos

A infraestrutura física da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) quase dobrou nos últimos 30 anos, no que diz respeito à soma da área construída dos imóveis e equipamentos instalados em terrenos pertencentes à universidade. De acordo com o Anuário Estatístico 2020 da instituição, elaborado com base em dados levantados até 2019, o total — considerando os seis campi, colégios técnicos, hospitais, entre outros — saltou de 379 mil metros quadrados em 1989, para 701 mil metros quadrados no ano passado.
Campus de Barão Geraldo responde por 83% da área construída, segundo o levantamento da instituição
Para o reitor da Unicamp, Marcelo Knobel, o crescimento físico da universidade corresponde à ampliação da demanda da sociedade atendida pela instituição, que, no período, ampliou suas pesquisas, assistência à saúde, quantidade de estudantes, entre outras atividades. Para cumprir o seu papel, destacou, são necessários espaços adequados, que foram sendo construídos ou reformados, segundo ele, com boa administração e emprego do recurso público recebido. “No momento, estamos bastante limitados. Registramos déficit nos últimos seis anos”, disse.
Contudo, frisou que, ainda assim, algumas reformas e obras foram iniciadas no ano passado. Desde 2017, com investimento levemente superior a R$ 24 milhões, foram concluídas 33 obras, segundo dados da Diretoria Executiva de Planejamento Integrado (DEPI), que podem ser consultados no link: http://www.depi.unicamp.br/cge/. “Com a pandemia e ameaça de cortes nos recursos, precisamos dar uma desacelerada. Mas, com esforço e cuidado estamos retomando obras paradas há muito tempo. Estamos trabalhando para expandir nossa boa estrutura e dar sequência ao trabalho que fazemos muito bem, desenvolver o conhecimento e atender a sociedade”, comentou.
O estudo mostra que o campus de Barão Geraldo responde por aproximadamente 83% do montante, com 586.838 metros quadrados de área construída. O balanço é minucioso e detalha desde um ponto de ônibus com 10 ou 20 metros quadrados até a estrutura completa da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) com 28.781 metros quadrados e os 6.801 metros quadrados da construção que abriga o Centro de Hematologia e Hemoterapia (Hemocentro).
Ainda no distrito, o relatório cita outras três áreas construídas. Entre elas, se destacam os cerca de 18,6 mil metros quadrados da Moradia Estudantil, situada na Avenida Santa Isabel. Trata-se de um conjunto de 300 unidades habitacionais, cuja construção se concluiu em 1992, que abriga estudantes que não conseguem se manter em Campinas com seus próprios recursos financeiros. Cada residência pode receber quatro alunos e é composta por três cômodos, existindo também a opção de estúdios para famílias. Além das casas, existem espaços comunitários, sala de estudos, entre outros.
Por ordem decrescente de dimensão, aparece na sequência o campus 2 de Limeira, onde está instalada a Faculdade de Ciências Aplicadas (FCA). Ao todo, são quase 30 mil metros quadrados de área construída. Em seguida, a Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP), com pouco mais de 26 mil metros quadrados. Por fim, o campus 1 de Limeira, um centro de pesquisas instalado em Paulínia, e o Colégio Técnico de Campinas (Cotuca), com aproximadamente 19,5 mil, 13 mil e 5,8 mil metros quadrados, respectivamente.
Dados do documento (https://www.aeplan.unicamp.br/anuario/2020/anuario2020.pdf) aliados a outros disponíveis no site da Unicamp (https://www.unicamp.br/unicamp/historia#1980) podem elucidar um pouco como se deu o crescimento físico da instituição ao longo dos anos. Em 1997, por exemplo, foi iniciada a construção de 18 salas de aula no novo Ciclo Básico. Ao fim deste ano, a instituição somava pouco mais de 463 mil metros quadrados de área construída, quase 10 mil metros quadrados a mais que os em torno de 454 mil registrados em 1996.
Governo do Estado injetou R$ 2,4 bilhões
A Unicamp recebeu aproximadamente R$ 2,4 bilhões do Estado em 2019, oriundos de cota parte sobre os valores arrecadados pelo governo com o Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e Lei Kandir. Já a arrecadação própria da universidade ficou em torno de R$ 70 milhões.
O orçamento total (soma dos recursos do Estado mais a receita própria) é destinado, em suma, a três grandes grupos de despesa: pessoal ativo (50,63%), aposentados (36,55%) e para custeio e capital (12,82%).
A universidade recebeu também pouco mais de R$ 792 milhões em recursos extraorçamentários — valores originários do Governo Federal, empresas públicas municipais, instituições internacionais, entre outros. Foram aportados ainda perto de R$ 176 milhões pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).
No ano passado, a Unicamp gastou cerca de R$ 2 bilhões com pessoal (ativo e aposentados), em torno de R$ 526 mil com custeio e pouco mais de R$ 15 mil com capital (despesas que contribuem, diretamente, para a formação ou aquisição de um bem de capital. Por exemplo, matéria primas ou automóveis), totalizando R$ 2,547 bilhões em despesas. Só na manutenção dos prédios da instituição foram empregados R$ 4,5 milhões.
Cresceu 83,52% o número de servidores já aposentados
O balanço é minucioso e detalha desde um ponto de ônibus até a estrutura da FCM
O Anuário Estatístico 2020 da Unicamp mostra também que a quantidade de servidores aposentados cresceu 83,52% na última década. O número saltou de 2.973 em 2010, para 5.456 em 2019 — aumento de 2.483. O maior crescimento no período — 2010 (2.973), 2011 (3.185), 2012 (3.371), 2013 (3.506), 2014 (3.717), 2015 (4.009), 2016 (4.333), 2017 (4.764), 2018 (5.038) e 2019 (5.456) — foi registrado entre 2018 e 2019, com acréscimo de 418 servidores. O menor, entre 2012 e 2013, com 135.
O reitor Marcelo Knobel afirma que o crescimento no número de aposentados tem um peso significativo na folha de pagamento. Explicou que o orçamento precisou ser adaptado à nova realidade.
Detalhando os dados, constata-se que o número de servidores não docentes aposentados saltou de 1.954 em 2010, para 3.884 em 2019, um aumento de 1.890 ou 98,77%. Já o de docentes de carreira magistério de nível superior pulou de 914 para 1.362 no mesmo período, registrando elevação de 49% (448). A quantia de docentes aposentados de outras carreiras, por sua vez, dobrou, saindo de 105 para 210.
O número total de servidores em folha de pagamento assinalou ampliação de 13% entre 2010 e 2019. Foi de 12.941 para 14.610. Ou seja, aumento de 1.669. Do total no ano passado, 9.154 (62,65%) eram ativos — sendo 11.019 não docentes e 3.591 docentes — e 5.456 (37,34%) aposentados. Em 2019, a Unicamp contou ainda com 437 professores colaboradores que prestaram serviço voluntário para a instituição.
O número de servidores não docentes ativos caiu de 7.916 em 2010, para 7.135 em 2019, uma redução de 781 postos de trabalho ou cerca de 10%. Do montante no ano passado, 1.728 (24,22%) estavam alocados em institutos ou faculdades, 53 (0,74%) em colégios técnicos, 3.304 (46,31%) na área da saúde — por exemplo, no Hospital de Clínicas (HC) — e 2.050 (28,73%) em outros setores, como a reitoria.
O número de servidores docentes ativos apresentou retração de apenas 1,61% no mesmo período, indo de 2.052 para 2.019. Ou seja, menos 33 vagas. Do total em 2019, 1.882 (93,21%) estavam alocados em institutos ou faculdades, 179 (8,86%) em colégios técnicos e 20 (0,99%) na reitoria.
SAIBA MAIS
O começo de tudo
Em 9 de setembro de 1965, o Conselho Estadual de Educação designou a Comissão Organizadora da Universidade de Campinas com a finalidade de estudar e planejar a gradativa formação e instalação de suas unidades, uma vez que, somente a Faculdade de Medicina estava em funcionamento. A Comissão era composta pelos Professores Zeferino Vaz (presidente), Paulo Gomes Romeo e Antônio Augusto de Almeida.
A pedra fundamental da Universidade, que marca a data oficial da sua fundação, foi lançada numa gleba de 30 alqueires, doada por João Adhemar de Almeida Prado em 05 de outubro de 1966.
Aprovado o relatório final preparado pela Comissão e nomeado como Reitor o Prof. Zeferino Vaz, a Universidade entra na sua fase real de instalação.

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Daniel de Camargo