Publicado 20/10/2020 - 23h34 - Atualizado 20/10/2020 - 23h34

Por AFP


O presidente americano, Donald Trump, investe menos em publicidade do que o rival, Joe Biden, numa corrida eleitoral que bate um recorde de gastos com propaganda.

Até o dia das eleições, 3 de novembro, é previsto que o ex-vice-presidente de Barack Obama tenha gasto o dobro de Trump com anúncios na TV, segundo dados compilados pela consultoria Advertising Analytics.

Em 1° de setembro, a equipe de Trump decidiu "reduzir totalmente, ou em grande parte", os gastos com anúncios em estados do centro-oeste e outras regiões, como a Pensilvânia, que poderiam determinar seu destino nas eleições, indicou o vice-presidente da Advertising Analytics, John Link.

No estado de Ohio, o presidente previu 7,8 milhões de dólares para propaganda na TV em setembro, mas gastou apenas 320 mil, segundo dados da consultoria. Biden, por sua vez, projetou 1,3 milhão de dólares para anúncios em Ohio no mesmo mês e gastou tudo.

A equipe de Trump pode ter reinvestido parte destes gastos em outros estados do sul, principalmente Geórgia e Flórida, sendo este último um estado crucial na corrida pela Casa Branca. "Mas os gastos gerais por semana estão diminuíndo" na campanha do presidente, assinalou Link.

Biden, que participou de menos atos públicos do que o rival, ampliou o mapa de seus gastos publicitários a estados que não costumam ser prioritários, como a Geórgia, que não vota em democratas desde 1992 e que, segundo o site político RealClearPolitics, é um "estado pêndulo".

Trataria-se de uma estratégia de Trump, porque acredita que não precisa gastar tanto nesses estados, como afirma, ou seria um sinal de que seu caixa de guerra está reduzido? Em qualquer um destes cenários, trata-se de uma estratégia arriscada, considerou Link.

Os anúncios na TV, principalmente nos canais jornalísticos, "são o veículo mais forte para mensagens publicitárias de impacto", porque permitem que as campanhas cheguem a um grupo demográfico sempre cortejado, o dos eleitores indecisos, explicou.

A prova está nos gastos: as campanhas eleitorais e os grupos que as apoiam não teriam injetado uma quantidade histórica de dinheiro - projetada pela Advertising Analytics entre 2,75 e 2,8 bilhões de dólares para o 3 de novembro - em publicidade se não houvesse retorno. Estas cifras incluem o gasto recorde durante as primárias democratas, em que o multimilionário Michael Bloomberg gastou generosamente para financiar sua própria campanha fracassada.

A campanha de Trump diz que usa os anúncios de forma "estratégica e cirúrgica", em vez de bombardear os veículos de comunicação. "Não faz sentido colocar anúncios na TV em estados onde sabemos que iremos vencer", explicou à AFP Samantha Zager, porta-voz da campanha de Trump.

O campo republicano se baseia em uma base precisa de dados sobre os eleitores para dirigir seus esforços publicitários, assinalou Samantha, destacando que Trump gastou menos do que Hillary há quatro anos e venceu as eleições. "Talvez seja a hora de a imprensa aceitar nossa estratégia vencedora e começar a se questionar por que Joe Biden está gastando mais, desnecessariamente, com TV."

Mas as coisas são diferentes este ano, uma vez que o republicano não se beneficia da enorme cobertura midiática gratuita que recebeu em 2016, quando a imprensa foi atraída pelo novo fenômeno Trump. A pandemia e os dias em que o presidente esteve fora de batalha devido à Covid-19 diminuíram o número de comícios e levaram a uma cobertura menor da sua campanha.

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