Publicado 17/10/2020 - 19h34 - Atualizado 17/10/2020 - 19h34

Por AFP


Caravanas de veículos com bandeiras argentinas percorreram as ruas de Buenos Aires neste sábado (17), dia de manifestações em apoio ao governo do presidente Alberto Fernández.

Em uma semana que começou com protestos na segunda-feira contra o Executivo liderado pelo presidente de esquerda por sua gestão da pandemia do coronavírus, alguns meios de comunicação argentinos consideram o sábado como um dia em que o governo mede forças com manifestantes insatisfeitos e a oposição nas ruas.

O próprio presidente liderou o ato central da jornada da "Lealdade Peronista", que lembra o ex-presidente Juan Domingo Perón, na sede da CGT, principal centro sindical do país.

Fernández, que governa desde dezembro de 2019, agradeceu àqueles que "foram às ruas" para apoiá-lo, mas disse que "gostaria que eles ficassem em casa", num contexto de pandemia.

Em imagens de um canal televisão local, ciclistas foram observados circulando entre os veículos, e também muitas pessoas nas calçadas, acompanhando a mobilização.

Em um discurso carregado de referências aos postulados históricos do peronismo, Fernández disse que seu objetivo é "colocar a Argentina de pé de uma vez por todas" e assegurou que "não há ódio nem ressentimento". Ele também negou que tenha sido um ato "antibandeiraço".

"Bandeiraço" é o nome dado aos atos que se multiplicaram nas últimas semanas por todo o território em protesto contra a gestão oficial da pandemia, o último deles na segunda-feira, 12 de outubro sob o lema "pela justiça e liberdade".

A Argentina registra 965.596 pessoas infectadas com coronavírus, das quais 25.723 morreram, em meio a uma das quarentenas mais longas do mundo.

A pobreza também continua avançando e atingiu 40,9% de sua população no primeiro semestre deste ano, com 10,5% da população vivendo em extrema pobreza, um dos piores registros da história do país.

Grande produtor de alimentos, o país vive seu terceiro ano de recessão, com inflação anual de mais de 40%.

O dia começou com uma mobilização do poderoso sindicato dos caminhoneiros, que cortou a Avenida 9 de Julio em Buenos Aires desde o início da manhã por vários quarteirões.

mr/dga/bn

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