Nunca é demais lembrar que o afrouxamento irresponsável das regras de isolamento e higiene é atalho curto para a dor nesta pandemia

Sensação de que tudo já passou é falsa


18/09/2020 - 05h30 - Atualizado em 18/09/2020 - 05h30 |


Praias lotadas no feriadão da Independência, bares com aglomerações no seu entorno, jovens reunidos em praças conversando e bebericando, fluxo intenso de carros nos principais corredores. A vida parece estar voltando realmente ao normal. Não se trata apenas de impressão aqui e ali. Dados corroboram que o isolamento vai aos poucos perdendo força. Compreensível, até porque as fases de flexibilização estão avançando, permitindo que mais setores possam abrir as portas. É o ciclo natural de uma pandemia que colocou o mundo do avesso.

De acordo com a última Pesquisa Nacional por Amostra de Domícilios (Pnad Covid-19), divulgada pelo IBGE, caiu em 2,8 milhões o número de pessoas rigorosamente isoladas da segunda para a terceira semana de agosto, passando de 44,4 milhões para 41,6 milhões.

A pesquisa também estimou em 4,5 milhões a população que não fez qualquer tipo de restrição na semana de 16 a 22 de agosto. Os números, em si, não impõem um julgamento automático sobre conduta negacionista ou irresponsável. Trata-se de um movimento esperado e até desejado de retomada gradual.

Mas o que preocupa não é o indivíduo que segue os protocolos e usa a sua máscara ao sair de casa. Está havendo um relaxamento perigoso, na medida em que cresce a sensação de que tudo já passou.

Na avaliação da psicóloga Paula Montenegro, entrevista pelo Correio na edição do último domingo, o longo período de isolamento social e reabertura gradual de alguns setores interferiram na maneira como as pessoas estão vendo a pandemia. “A gente ainda tem um número alto de contágio e de pessoas morrendo todos os dias, mas o que acontece é que agora as coisas estão parecendo um pouco mais normais na cabeça de muitas pessoas. Tem muita gente que está vendo o comércio e os bares voltando a abrir e alguns amigos voltando a trabalhar, e isso dá ideia de que tudo está bem, quando na verdade nós ainda estamos numa pandemia”, reforça.

A especialista lembra de outro fator que parece ser essencial nessa observação. “Nós já temos mais de 120 mil mortes, mas, se ninguém da família dessa pessoa foi infectada ou morreu, é natural que ela comesse a negar o cenário da pandemia e passe a acreditar numa ilusão de que tudo está seguro”.

O País já superou 4 milhões de casos e 130 mil mortes, com alta taxa de recuperados, é verdade (3,5 milhões e 621 mil pacientes em acompanhamento). Mas nunca é demais lembrar que o afrouxamento irresponsável das regras é atalho curto para a dor.



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