Publicado 18/09/2020 - 12h21 - Atualizado 22/09/2020 - 11h30

Por Maria Teresa Costa


Wilton Junior / Estadão Conteúdo

Os resultados negativos das aglomerações ocorridas no final de semana prolongado do feriado de 7 de setembro já impactam na transmissão do novo coronavírus em Campinas. A curva de transmissão, que desde julho estava abaixo de 1, voltou a subir, e está agora em 1, disse o secretário municipal de Saúde, Cármino Souza.
Isso significa que cada 100 infectados está transmitindo o vírus para outras 100 pessoas – em maio, a taxa (de 1,8) estava alta, com 100 pessoas transmitindo para 180. Já a taxa de transmissão de síndromes respiratórias graves por todos os vírus está abaixo de 1.
A elevação na taxa de transmissão é um sinal de alerta, segundo Carmino, porque mostra que Campinas deixou de melhorar nesse indicador. “No feriado, parecia que havia sido decretado o fim da quarentena no País”, disse, referindo-se as aglomerações ocorridas nas praias e mesmo em Campinas. Os dados de isolamento na cidade mostram que houve aumento de pessoas nas ruas: no sábado, dia 5, a taxa foi de 38%, no domingo, de 43% e no feriado, de 44%.
Os reflexos foram sentidos com o aumento da procura por atendimento nas unidades de saúde, especialmente de jovens. Além de crescimento de atendimentos por síndromes gripais na atenção básica, também aumentou no Hospital Mário Gatti e a procura por vagas de internação nos leitos de retaguarda dos hospitais.
Para o secretário, é preciso que as pessoas entendam a gravidade da doença e não abandonem a observância das regras sanitárias de enfrentamento da disseminação do novo coronavírus. “Utilizem máscaras, usem álcool em gel e evitem aglomerações. A pandemia não acabou e só teremos segurança quando houver vacina. Até lá, todo cuidado é necessário. Já estamos vendo crescimento de casos e mortes na Europa”, afirmou.
O prefeito Jonas Donizette disse é difícil detectar se o crescimento se deu porque pessoas foram às praias ou porque estão frequentando bares. “Aglomerações não podem ocorrer, sob pena de perdermos tudo que ganhamos até agora”, disse.
Ele citou como exemplo a solenidade presencial da posse do ministro Luiz Fux como presidente do Superior Tribunal federal (STF) na semana passada. Seis autoridades presentes na solenidade já tiveram diagnóstico de Covid-19: de lá para cá, além do próprio Fux, testaram positivo o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM); a presidente do TST (Tribunal Superior do Trabalho), Maria Cristina Peduzzi; dois ministros do STJ (Superior Tribunal de Justiça) Antonio Saldanha e Luis Felipe Salomão e o procurador-geral da República Augusto Aras. Tudo indica, segundo avaliação do prefeito, que a contaminação ocorreu na cerimônia.

Escrito por:

Maria Teresa Costa